🌹 DEDICATÓRIA POÉTICA
Dedico este meu cordel
Ao povo trabalhador,
Aos mestres da cantoria,
Ao poeta cantador,
Que na feira e no terreiro
Semeiam verso e amor.
Dedico aos ancestrais
Que guardaram a memória,
À cultura nordestina
Que resiste em sua história,
E ao Brasil que no cordel
Revela a própria glória.
Dedico ainda ao futuro,
A quem virá depois de mim,
Pois no fio da poesia
Segue o tempo sem ter fim,
E no varal da esperança
Nasce o verso, brota o sim.
📑 ÍNDICE POÉTICO
Neste livro encontrará
Ciclos feitos de memória,
Onde o mito e o herói
Se entrelaçam na história,
E no canto popular
Se preserva a trajetória.
🔹 Capítulo I — Ciclo Maravilhoso
Das fadas, monstros e encantos,
Reinos mágicos do povo,
Mistérios nos velhos cantos.
🔹 Capítulo II — Ciclo Histórico
Sansão, Moisés e Hércules,
Alexandre vencedor,
César que regeu o mundo,
E virou verso e clamor.
🔹 Capítulo III — Ciclo Religioso
Abraão, Cristo e seus santos,
Padim Ciço protetor,
Francisco de Assis pregando,
Fé de luz e de amor.
🔹 Capítulo IV — Ciclo Político
Rei Artur e Dom Sebastião,
Tiradentes, Zumbi valente,
Heróis da libertação.
🔹 Capítulo V — Ciclo Regional
Lampião, Maria Bonita,
O cangaço em tradição,
Coronéis e vaqueirice,
O sertão em expressão.
🔹 Capítulo VI — Ciclo Cultural e dos Costumes
Romances apaixonados,
Costumes da vida inteira,
O cordel na era moderna,
Do folheto à ribanceira.
🔹 Encerramento e Epílogo
Reflexão e despedida,
Na “Nota de Fontes” rimada,
Segue a trilha desta vida.
🌟 ABERTURA
Neste folheto eu trago
A memória em poesia,
A história do nosso povo
Que resiste e desafia,
Pois no cordel se revela
O poder da fantasia.
Desde a velha Península,
No varal do Portugal,
Veio o folheto singelo
Com destino sem igual,
E no sertão nordestino
Achou morada imortal.
Cordel é voz do passado,
É presente e é raiz,
É bandeira de justiça
Que o tempo sempre diz,
É muralha de esperança
Para o povo ser feliz.
Cordel é canto da feira,
É bandeira do povão,
É escola sem ter muros,
É memória e é nação,
É a ponte que atravessa
Séculos de tradição.
🌾 PRÓLOGO POÉTICO
Do berço da inspiração
Nasceu o canto rimado,
O cordel é voz antiga,
Do sertão ao povoado.
É raiz de Portugal,
No Brasil eternizado.
Entre mares e memórias,
Cruzou o Atlântico inteiro,
No varal dos navegantes
Virou canto verdadeiro.
E nas feiras nordestinas
Fez-se arte e candeeiro.
O folheto é testemunha
Do tempo e do coração,
É escola, é resistência,
É bandeira e oração.
E quem lê suas palavras
Sente o chão da tradição.
Por isso esta obra nasce
Como um gesto ancestral,
Para unir o imaginário
Ao saber cultural.
Pois no verso do cordel
Todo povo é imortal.
📖 CAPÍTULO I — CICLO MARAVILHOSO
No princípio das histórias,
Nos primórdios da tradição,
O povo narrava lendas
Com encanto e devoção,
Das águas do grande Dilúvio
Surgia a imaginação.
Vieram monstros e gigantes,
Seres feitos de mistério,
Reinos mágicos erguidos
Num encantado império,
Onde o mito e a fábula
Têm poder vasto e etéreo.
As fadas com seus poderes
Habitavam o luar,
No bosque de folhas verdes
Viviam a sussurrar,
Prometendo ao povo simples
Um destino a se mudar.
A Princesa Encantada
Na montanha se escondia,
Guardada por feitiçaria,
Na esperança que surgia,
E no verso do cordel
Sua lenda renascia.
A Serpente dos Sete Olhos,
Temida no coração,
Nas feiras e nos folhetos
Ganhava a imaginação,
Era símbolo da luta,
Era espelho da opressão.
O maravilhoso ensinava
Que o impossível é viver,
Que o sonho cria caminhos
Que ajudam a compreender,
E no canto do cordel
Vive a arte de aprender.
Os contos sobrenaturais
Com heróis extraordinários,
Mostravam no verso curto
Mistérios imaginários,
Guardados na voz do povo
Nos folhetos centenários.
Assim nasceu o cordel
Com a magia a guiar,
Do mundo encantado antigo
Fez-se a força de rimar,
E no chão do Nordeste
Achou formas de cantar.
📖 CAPÍTULO II — CICLO HISTÓRICO
Na memória mais remota,
Entre guerras e nações,
Surgem heróis lendários
Com fé e revelações,
Que no cordel se transformam
Em eternas tradições.
Sansão, força desmedida,
Com coragem singular,
Derrubou colunas firmes,
Fez o templo desabar,
E na lira do poeta
Segue vivo a batalhar.
Moisés, guia do seu povo,
Com a voz de profecia,
Abriu o Mar Vermelho,
Comandou a travessia,
E no cordel se mantém
Como farol de ousadia.
Hércules, filho dos deuses,
Com tarefas sobre-humanas,
Doze provas enfrentou
Entre guerras desumanas,
E no verso popular
Ecoou em mil campanhas.
Alexandre, rei guerreiro,
Com poder monumental,
Conquistou terras distantes,
Fundou reino sem igual,
E no canto do folheto
Vira mito imortal.
Júlio César, comandante,
De destino imperial,
Comandou Roma orgulhosa
Num domínio sem rival,
Mas no fim, a própria glória
Foi seu drama fatal.
Esses nomes do passado,
Entre lenda e tradição,
Ganham vida no cordel,
Na feira e no coração,
Pois são símbolos de luta,
De coragem e paixão.
Do Oriente ao Mediterrâneo,
Das areias até o mar,
Heróis foram traduzidos
No folheto popular,
E a história foi cantada
Pra ninguém mais olvidar.
📖 CAPÍTULO III — CICLO RELIGIOSO
Na vereda da memória,
A fé vem iluminar,
É promessa que se cumpre,
É reza no caminhar,
O sagrado e o profano
Juntos sabem dialogar.
Nas festas de São João,
Com fogueira a iluminar,
O povo acende esperanças
E começa a festejar.
Entre milho, baião e fé,
O céu aprende a cantar.
O cordel fala dos santos,
Das novenas a rezar,
Da romaria em Juazeiro,
Onde o povo vai buscar,
Na figura de Padre Cícero
A bênção para lutar.
Sincretismo é herança
Que o Brasil soube criar,
Africanos, índios, brancos,
Souberam se misturar.
Na ciranda da religião,
O povo aprende a sonhar.
Assim a fé do povo
Segue firme a caminhar,
Entre santos e profetas
Sempre prontos a ensinar,
No cordel que é oração
Se aprende a acreditar.
📖 CAPÍTULO IV — CICLO POLÍTICO
No cordel também se canta
A política da nação,
Onde reis e libertários
Foram vozes de paixão,
Símbolos de resistência
E de grande inspiração.
Rei Artur, da velha lenda,
Com cavaleiros fiéis,
Representa a justiça,
O combate aos infiéis,
Na memória popular
Ganha versos tão cruéis.
Dom Sebastião, o perdido,
Rei que o mito transformou,
Na batalha de Alcácer
Seu destino se apagou,
Mas no sonho do povo
Eterno se imortalizou.
No Brasil da resistência,
Zumbi foi libertador,
Lutou contra a escravidão,
Com coragem e fervor,
E no cordel é lembrado
Como símbolo de valor.
Na Inconfidência Mineira,
Tiradentes se elevou,
Com a luta pela pátria
Seu martírio conquistou,
E nas páginas do cordel
Como mártir se firmou.
Os heróis da liberdade
Têm poder universal,
Foram vozes de justiça,
Foram farol sem igual,
E no canto do cordel
São memória imortal.
Assim o povo conserva
Na peleja e no repente,
Reis, profetas e guerreiros
Que ecoam eternamente,
Pois o cordel é bandeira
Do passado resistente.
O poder e suas lutas,
No folheto são guardados,
Pois o povo em sua rima
Deixa símbolos cantados,
E a política se torna
Verso vivo dos passados.
📖 CAPÍTULO V — CICLO REGIONAL
No sertão de chão rachado,
De caatinga e de calor,
O cordel guardou na rima
A bravura e o clamor,
Pois no canto nordestino
Vive a luta e vive o amor.
Nas veredas da caatinga,
O cangaço floresceu,
Homem forte, destemido,
Contra a fome se ergueu,
E na memória do povo
Esse mito reviveu.
Lampião, rei do sertão,
Com Maria a seu lado,
Foi temido e foi cantado,
Um herói contraditado,
Entre crimes e justiça
Seu nome ficou marcado.
Maria Bonita, ousada,
Com coragem feminina,
Mostrou força no combate,
Na peleja nordestina,
E no cordel se mantém
Como luz cristalina.
Zé Sereno e Corisco,
Cabras duros do sertão,
Desafiavam coronéis,
Se opunham à opressão,
E na feira, em folhetos,
Viraram recordação.
Do outro lado, os senhores,
Coronéis do poderio,
Mandavam nas eleições
E controlavam o fio,
De um sertão cheio de luta
Entre seca e desafio.
Mas o povo resistia
Com bravura sem igual,
Seja em verso ou no repente,
Na viola do quintal,
Mostrava que a esperança
É mais forte que o mal.
Assim o cordel guardou
O retrato do sertão,
Entre cangaço e poder,
Entre guerra e opressão,
E na alma nordestina
Fez-se eterna tradição.
No varal da feira livre,
Pendurar o folheto é lei,
Pois no cordel regional
Se escuta o que o povo tem,
É a voz da resistência
Contra o jugo de ninguém.
📖 CAPÍTULO VI – O CICLO CULTURAL
No terreiro iluminado
Da cultura popular,
Cordel dança de mãos dadas
Com o repente no ar.
É a memória de um povo,
É raiz a se afirmar.
As festas de devoção,
Com procissões a brilhar,
Misturam fé e poesia,
Cantoria a se entoar.
Do sagrado ao profano,
Tudo aprende a dialogar.
O aboio na caatinga,
O reisado a desfilar,
O maracatu imponente
Com seus tambores no ar,
É o ciclo cultural
Que não deixa se apagar.
Da ciranda à embolada,
O povo sabe ensinar,
Que a arte é resistência,
É jeito de eternizar,
A dor que vira beleza,
A esperança a pulsar.
E o cordel, firme e vivo,
Segue a rimar e contar,
Costura o pano do tempo
Sem jamais se desfiar.
Pois cultura é raiz forte
Que não deixa o chão secar.
🌟 ENCERRAMENTO
E assim termina o cordel
Com seus ciclos a rimar,
Do maravilhoso ao heróico,
Do sagrado a se mostrar,
Das lutas do sertanejo
À cultura a se eternizar.
O cordel é memória viva,
É voz que sabe ensinar,
É resistência e esperança
Que o tempo não pode apagar.
Entre linhas e entre versos,
O povo aprende a lutar.
Na feira, no varal,
Na escola ou na canção,
O cordel é ponte de saber,
É raiz da tradição,
E quem o lê e o preserva
Carrega em si o sertão.
🌹 EPÍLOGO POÉTICO
Agora me despeço, amigo,
Com respeito e gratidão,
Pois o cordel é memória
Que sustenta a nação.
Quem guarda a tradição
Tem no peito a canção.
Que os versos sigam vivos
Pelos sertões e cidades,
Que inspirem jovens e velhos
A cantar suas verdades,
E que a arte do cordel
Seja luz em todas idades.
E ao leitor que folheia
Este livro de coração,
Saiba que cada estrofe
É gesto de preservação.
Cordel é vida, é história,
É cultura em pulsação.
📚 NOTA DE FONTES (Referências Rimadas)
Israel da Silva Almeida,
Estudou a tradição,
Dos ciclos míticos e históricos
Fez clara explicação.
O cordel, segundo ele,
É arte, é fé e é paixão.
Luís da Câmara Cascudo
Registrou com maestria,
A literatura oral
Que vive na poesia.
O cordel como memória
Segue firme a cada dia.
Waldenir Costa trouxe
Do folheto ao didático,
Mostrando que o cordel
É instrumento didático.
No estudo da cultura,
É símbolo histórico.
Edmar Gondim ensinou
A cultura popular,
Que no cordel se revela
Com saber popular.
A voz do povo nordestino
É algo a se guardar.
Lívia Petry Jahn estudou
O cordel contemporâneo,
Novas linguagens surgem
No folheto e no urbano.
O passado se entrelaça
Com o futuro soberano.
Nelly Novaes Coelho,
Com dicionário crítico,
Mostra a literatura infantil
E seu uso didático.
O cordel se amplia
Em saber sistemático.
Marco Haurélio Silva
Contou Dom Sebastião,
E a história do cordel
No imaginário então.
Em cada folheto e verso
Há força de tradição.
Maria Alice Amorim
Mostrou o sertão a estudar,
Do folheto à sala de aula
O cordel a ensinar.
Com isso a cultura vive
E o saber a circular.
📜 FICHA TÉCNICA
Título: Simbologia da História de Cordel nos Imaginários e Folhetos
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Origem: Povo Kariri-Xocó – Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil
Gênero: Literatura de Cordel – Ciclos simbólicos e culturais
Edição: 1ª Edição – Edição de Autor
Ano: 2025
Formato: Livro-cordel em A5 vertical
Ilustração e Diagramação: ChatGPT (assistente virtual)
Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó
Produção Digital e Gráfica: Projeto Blog Cultural Kariri-Xocó
Publicação Digital: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM
Direitos Autorais: © Nhenety Kariri-Xocó – Todos os direitos reservados.
É permitida a reprodução parcial com citação da fonte e do autor.


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