quinta-feira, 25 de setembro de 2025

SIMBOLOGIA DA HISTÓRIA DE CORDEL NOS IMAGINÁRIOS E FOLHETOS






🌹 DEDICATÓRIA POÉTICA


Dedico este meu cordel

Ao povo trabalhador,

Aos mestres da cantoria,

Ao poeta cantador,

Que na feira e no terreiro

Semeiam verso e amor.


Dedico aos ancestrais

Que guardaram a memória,

À cultura nordestina

Que resiste em sua história,

E ao Brasil que no cordel

Revela a própria glória.


Dedico ainda ao futuro,

A quem virá depois de mim,

Pois no fio da poesia

Segue o tempo sem ter fim,

E no varal da esperança

Nasce o verso, brota o sim.


📑 ÍNDICE POÉTICO


Neste livro encontrará

Ciclos feitos de memória,

Onde o mito e o herói

Se entrelaçam na história,

E no canto popular

Se preserva a trajetória.


🔹 Capítulo I — Ciclo Maravilhoso

Das fadas, monstros e encantos,

Reinos mágicos do povo,

Mistérios nos velhos cantos.


🔹 Capítulo II — Ciclo Histórico

Sansão, Moisés e Hércules,

Alexandre vencedor,

César que regeu o mundo,

E virou verso e clamor.


🔹 Capítulo III — Ciclo Religioso

Abraão, Cristo e seus santos,

Padim Ciço protetor,

Francisco de Assis pregando,

Fé de luz e de amor.


🔹 Capítulo IV — Ciclo Político

Rei Artur e Dom Sebastião,

Tiradentes, Zumbi valente,

Heróis da libertação.


🔹 Capítulo V — Ciclo Regional

Lampião, Maria Bonita,

O cangaço em tradição,

Coronéis e vaqueirice,

O sertão em expressão.


🔹 Capítulo VI — Ciclo Cultural e dos Costumes

Romances apaixonados,

Costumes da vida inteira,

O cordel na era moderna,

Do folheto à ribanceira.


🔹 Encerramento e Epílogo

Reflexão e despedida,

Na “Nota de Fontes” rimada,

Segue a trilha desta vida.


🌟 ABERTURA


Neste folheto eu trago

A memória em poesia,

A história do nosso povo

Que resiste e desafia,

Pois no cordel se revela

O poder da fantasia.


Desde a velha Península,

No varal do Portugal,

Veio o folheto singelo

Com destino sem igual,

E no sertão nordestino

Achou morada imortal.


Cordel é voz do passado,

É presente e é raiz,

É bandeira de justiça

Que o tempo sempre diz,

É muralha de esperança

Para o povo ser feliz.


Cordel é canto da feira,

É bandeira do povão,

É escola sem ter muros,

É memória e é nação,

É a ponte que atravessa

Séculos de tradição.



🌾 PRÓLOGO POÉTICO


Do berço da inspiração

Nasceu o canto rimado,

O cordel é voz antiga,

Do sertão ao povoado.

É raiz de Portugal,

No Brasil eternizado.


Entre mares e memórias,

Cruzou o Atlântico inteiro,

No varal dos navegantes

Virou canto verdadeiro.

E nas feiras nordestinas

Fez-se arte e candeeiro.


O folheto é testemunha

Do tempo e do coração,

É escola, é resistência,

É bandeira e oração.

E quem lê suas palavras

Sente o chão da tradição.


Por isso esta obra nasce

Como um gesto ancestral,

Para unir o imaginário

Ao saber cultural.

Pois no verso do cordel

Todo povo é imortal.



📖 CAPÍTULO I — CICLO MARAVILHOSO


No princípio das histórias,

Nos primórdios da tradição,

O povo narrava lendas

Com encanto e devoção,

Das águas do grande Dilúvio

Surgia a imaginação.


Vieram monstros e gigantes,

Seres feitos de mistério,

Reinos mágicos erguidos

Num encantado império,

Onde o mito e a fábula

Têm poder vasto e etéreo.


As fadas com seus poderes

Habitavam o luar,

No bosque de folhas verdes

Viviam a sussurrar,

Prometendo ao povo simples

Um destino a se mudar.


A Princesa Encantada

Na montanha se escondia,

Guardada por feitiçaria,

Na esperança que surgia,

E no verso do cordel

Sua lenda renascia.


A Serpente dos Sete Olhos,

Temida no coração,

Nas feiras e nos folhetos

Ganhava a imaginação,

Era símbolo da luta,

Era espelho da opressão.


O maravilhoso ensinava

Que o impossível é viver,

Que o sonho cria caminhos

Que ajudam a compreender,

E no canto do cordel

Vive a arte de aprender.


Os contos sobrenaturais

Com heróis extraordinários,

Mostravam no verso curto

Mistérios imaginários,

Guardados na voz do povo

Nos folhetos centenários.


Assim nasceu o cordel

Com a magia a guiar,

Do mundo encantado antigo

Fez-se a força de rimar,

E no chão do Nordeste

Achou formas de cantar.



📖 CAPÍTULO II — CICLO HISTÓRICO


Na memória mais remota,

Entre guerras e nações,

Surgem heróis lendários

Com fé e revelações,

Que no cordel se transformam

Em eternas tradições.


Sansão, força desmedida,

Com coragem singular,

Derrubou colunas firmes,

Fez o templo desabar,

E na lira do poeta

Segue vivo a batalhar.


Moisés, guia do seu povo,

Com a voz de profecia,

Abriu o Mar Vermelho,

Comandou a travessia,

E no cordel se mantém

Como farol de ousadia.


Hércules, filho dos deuses,

Com tarefas sobre-humanas,

Doze provas enfrentou

Entre guerras desumanas,

E no verso popular

Ecoou em mil campanhas.


Alexandre, rei guerreiro,

Com poder monumental,

Conquistou terras distantes,

Fundou reino sem igual,

E no canto do folheto

Vira mito imortal.


Júlio César, comandante,

De destino imperial,

Comandou Roma orgulhosa

Num domínio sem rival,

Mas no fim, a própria glória

Foi seu drama fatal.


Esses nomes do passado,

Entre lenda e tradição,

Ganham vida no cordel,

Na feira e no coração,

Pois são símbolos de luta,

De coragem e paixão.


Do Oriente ao Mediterrâneo,

Das areias até o mar,

Heróis foram traduzidos

No folheto popular,

E a história foi cantada

Pra ninguém mais olvidar.



📖 CAPÍTULO III — CICLO RELIGIOSO


Na vereda da memória,

A fé vem iluminar,

É promessa que se cumpre,

É reza no caminhar,

O sagrado e o profano

Juntos sabem dialogar.


Nas festas de São João,

Com fogueira a iluminar,

O povo acende esperanças

E começa a festejar.

Entre milho, baião e fé,

O céu aprende a cantar.


O cordel fala dos santos,

Das novenas a rezar,

Da romaria em Juazeiro,

Onde o povo vai buscar,

Na figura de Padre Cícero

A bênção para lutar.


Sincretismo é herança

Que o Brasil soube criar,

Africanos, índios, brancos,

Souberam se misturar.

Na ciranda da religião,

O povo aprende a sonhar. 


Assim a fé do povo

Segue firme a caminhar,

Entre santos e profetas

Sempre prontos a ensinar,

No cordel que é oração

Se aprende a acreditar.



📖 CAPÍTULO IV — CICLO POLÍTICO


No cordel também se canta

A política da nação,

Onde reis e libertários

Foram vozes de paixão,

Símbolos de resistência

E de grande inspiração.


Rei Artur, da velha lenda,

Com cavaleiros fiéis,

Representa a justiça,

O combate aos infiéis,

Na memória popular

Ganha versos tão cruéis.


Dom Sebastião, o perdido,

Rei que o mito transformou,

Na batalha de Alcácer

Seu destino se apagou,

Mas no sonho do povo

Eterno se imortalizou.


No Brasil da resistência,

Zumbi foi libertador,

Lutou contra a escravidão,

Com coragem e fervor,

E no cordel é lembrado

Como símbolo de valor.


Na Inconfidência Mineira,

Tiradentes se elevou,

Com a luta pela pátria

Seu martírio conquistou,

E nas páginas do cordel

Como mártir se firmou.


Os heróis da liberdade

Têm poder universal,

Foram vozes de justiça,

Foram farol sem igual,

E no canto do cordel

São memória imortal.


Assim o povo conserva

Na peleja e no repente,

Reis, profetas e guerreiros

Que ecoam eternamente,

Pois o cordel é bandeira

Do passado resistente.


O poder e suas lutas,

No folheto são guardados,

Pois o povo em sua rima

Deixa símbolos cantados,

E a política se torna

Verso vivo dos passados.



📖 CAPÍTULO V — CICLO REGIONAL


No sertão de chão rachado,

De caatinga e de calor,

O cordel guardou na rima

A bravura e o clamor,

Pois no canto nordestino

Vive a luta e vive o amor.


Nas veredas da caatinga,

O cangaço floresceu,

Homem forte, destemido,

Contra a fome se ergueu,

E na memória do povo

Esse mito reviveu.


Lampião, rei do sertão,

Com Maria a seu lado,

Foi temido e foi cantado,

Um herói contraditado,

Entre crimes e justiça

Seu nome ficou marcado.


Maria Bonita, ousada,

Com coragem feminina,

Mostrou força no combate,

Na peleja nordestina,

E no cordel se mantém

Como luz cristalina.


Zé Sereno e Corisco,

Cabras duros do sertão,

Desafiavam coronéis,

Se opunham à opressão,

E na feira, em folhetos,

Viraram recordação.


Do outro lado, os senhores,

Coronéis do poderio,

Mandavam nas eleições

E controlavam o fio,

De um sertão cheio de luta

Entre seca e desafio.


Mas o povo resistia

Com bravura sem igual,

Seja em verso ou no repente,

Na viola do quintal,

Mostrava que a esperança

É mais forte que o mal.


Assim o cordel guardou

O retrato do sertão,

Entre cangaço e poder,

Entre guerra e opressão,

E na alma nordestina

Fez-se eterna tradição.


No varal da feira livre,

Pendurar o folheto é lei,

Pois no cordel regional

Se escuta o que o povo tem,

É a voz da resistência

Contra o jugo de ninguém.



📖 CAPÍTULO VI – O CICLO CULTURAL


No terreiro iluminado

Da cultura popular,

Cordel dança de mãos dadas

Com o repente no ar.

É a memória de um povo,

É raiz a se afirmar.


As festas de devoção,

Com procissões a brilhar,

Misturam fé e poesia,

Cantoria a se entoar.

Do sagrado ao profano,

Tudo aprende a dialogar.


O aboio na caatinga,

O reisado a desfilar,

O maracatu imponente

Com seus tambores no ar,

É o ciclo cultural

Que não deixa se apagar.


Da ciranda à embolada,

O povo sabe ensinar,

Que a arte é resistência,

É jeito de eternizar,

A dor que vira beleza,

A esperança a pulsar.


E o cordel, firme e vivo,

Segue a rimar e contar,

Costura o pano do tempo

Sem jamais se desfiar.

Pois cultura é raiz forte

Que não deixa o chão secar. 



🌟 ENCERRAMENTO


E assim termina o cordel

Com seus ciclos a rimar,

Do maravilhoso ao heróico,

Do sagrado a se mostrar,

Das lutas do sertanejo

À cultura a se eternizar.


O cordel é memória viva,

É voz que sabe ensinar,

É resistência e esperança

Que o tempo não pode apagar.

Entre linhas e entre versos,

O povo aprende a lutar.


Na feira, no varal,

Na escola ou na canção,

O cordel é ponte de saber,

É raiz da tradição,

E quem o lê e o preserva

Carrega em si o sertão.


🌹 EPÍLOGO POÉTICO


Agora me despeço, amigo,

Com respeito e gratidão,

Pois o cordel é memória

Que sustenta a nação.

Quem guarda a tradição

Tem no peito a canção.


Que os versos sigam vivos

Pelos sertões e cidades,

Que inspirem jovens e velhos

A cantar suas verdades,

E que a arte do cordel

Seja luz em todas idades.


E ao leitor que folheia

Este livro de coração,

Saiba que cada estrofe

É gesto de preservação.

Cordel é vida, é história,

É cultura em pulsação.


📚 NOTA DE FONTES (Referências Rimadas)


Israel da Silva Almeida,

Estudou a tradição,

Dos ciclos míticos e históricos

Fez clara explicação.

O cordel, segundo ele,

É arte, é fé e é paixão.


Luís da Câmara Cascudo

Registrou com maestria,

A literatura oral

Que vive na poesia.

O cordel como memória

Segue firme a cada dia.


Waldenir Costa trouxe

Do folheto ao didático,

Mostrando que o cordel

É instrumento didático.

No estudo da cultura,

É símbolo histórico.


Edmar Gondim ensinou

A cultura popular,

Que no cordel se revela

Com saber popular.

A voz do povo nordestino

É algo a se guardar.


Lívia Petry Jahn estudou

O cordel contemporâneo,

Novas linguagens surgem

No folheto e no urbano.

O passado se entrelaça

Com o futuro soberano.


Nelly Novaes Coelho,

Com dicionário crítico,

Mostra a literatura infantil

E seu uso didático.

O cordel se amplia

Em saber sistemático.


Marco Haurélio Silva

Contou Dom Sebastião,

E a história do cordel

No imaginário então.

Em cada folheto e verso

Há força de tradição.


Maria Alice Amorim

Mostrou o sertão a estudar,

Do folheto à sala de aula

O cordel a ensinar.

Com isso a cultura vive

E o saber a circular.



📜 FICHA TÉCNICA


Título: Simbologia da História de Cordel nos Imaginários e Folhetos

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Origem: Povo Kariri-Xocó – Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil

Gênero: Literatura de Cordel – Ciclos simbólicos e culturais

Edição: 1ª Edição – Edição de Autor

Ano: 2025

Formato: Livro-cordel em A5 vertical

Ilustração e Diagramação: ChatGPT (assistente virtual)

Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó

Produção Digital e Gráfica: Projeto Blog Cultural Kariri-Xocó 

Publicação Digital: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM 

Direitos Autorais: © Nhenety Kariri-Xocó – Todos os direitos reservados.

É permitida a reprodução parcial com citação da fonte e do autor.




🌹 EPÍLOGO FINAL

Do folheto à eternidade,
Segue o verso a caminhar,
Entre símbolos e memórias
Que o tempo vem guardar.
Pois o cordel é ponte viva
Entre o ontem e o porvir no ar.

Que o leitor leve consigo
A centelha da emoção,
E ao soprar dessas estrofes
Sinta o vento da tradição.
Pois na pena de um poeta
Mora a alma de um chão.

Assim encerro este ciclo
Com fé e gratidão,
Ao povo, aos mestres e às vozes
Que moldaram esta canção.
E ao futuro que desponta —
Entrego o meu coração.



🌻 QUARTA CAPA POÉTICA







No varal das tradições
Balança o sonho do povo,
Entre o mito e a memória
Surge o saber de novo.
Cordel é luz e caminho,
É raiz que cresce de novo.

Nas páginas deste livro
Há séculos a conversar,
Entre santos, reis e fadas
Que o tempo vem lembrar.
O cordel é chama eterna
Que não deixa o sol parar.

E quem lê estas estrofes
Vai sentir o chão tremer,
Pois nas vozes do passado
Há futuros a nascer.
O cordel é resistência,
É o dom de renascer.



🪶 SOBRE O AUTOR

Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias oral e escrita, poeta cordelista e pesquisador da tradição simbólica do povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL).
Herdeiro da palavra ancestral e guardião da cultura viva, dedica-se a unir o saber indígena, a poesia popular e a literatura de cordel como instrumentos de resistência e memória.

Seu trabalho une a oralidade dos antigos à tecnologia contemporânea, criando pontes entre mundos — o espiritual, o histórico e o simbólico — para que a arte permaneça viva no coração das gerações.


📖 SOBRE A OBRA

“Simbologia da História de Cordel nos Imaginários e Folhetos” é uma travessia poética pelos ciclos que formam a essência do cordel: o maravilhoso, o histórico, o religioso, o político, o regional e o cultural.

A obra revela como o cordel é mais do que literatura — é uma linguagem simbólica da alma do povo, um espelho das lutas e das esperanças brasileiras, e um fio condutor da memória coletiva que liga passado e presente.

Cada estrofe foi tecida como quem borda o tempo, unindo fé, imaginação e conhecimento, para que o leitor caminhe entre mitos, heróis e tradições vivas, reconhecendo no cordel o coração da identidade popular.

Esta obra foi inspirada e fundamentada no artigo publicado no blog “KXNHENETY.BLOGSPOT.COM", disponível em:  
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/simbologia-da-historia-de-cordel-no.html?m=0 , seguindo uma estrutura acadêmica nos moldes da ABNT e respaldada em referenciais históricos e culturais que unem a tradição oral ao conhecimento erudito.





Autor: Nhenety Kariri-Xocó — Povo Kariri-Xocó, Porto Real do Colégio, Alagoas, Brasil 










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