quarta-feira, 24 de setembro de 2025

A PERSONIFICAÇÃO DOS SERES







Prólogo – A Força da Palavra


No tempo dos ancestrais,

A palavra era magia,

Dava voz à natureza,

Tornava viva a poesia.

Era a força da expressão,

Que encantava noite e dia.


A figura é conhecida,

Por prosopopeia também,

Dar aos seres inanimados

A emoção que o homem tem.

Um recurso da linguagem

Que o leitor entende bem.


O vento assovia forte,

Na janela faz canção,

O sol sorri para a lua,

Com ternura e emoção.

A onda beija a areia,

No balanço do verão.


Assim objetos e bichos

Ganhavam vida e ação,

Falavam, riam, dançavam,

Com humana expressão.

Era a língua criativa

Transformando a narração.


Na mitologia antiga

Tudo tinha coração:

Montes, rios, tempestades,

Estrelas na imensidão.

Era a vida retratada

Com força da imaginação.


Nhenety Kariri-Xocó



Canto I – Dos Deuses e Titãs






Do Caos nasceu o princípio,

Na Grécia, o mito maior,

Dele vieram o Érebo,

A Noite em seu véu de cor,

E a deusa mãe Geia,

Que deu à Terra o vigor.


O Céu chamado Urano,

Com Geia veio se unir,

Dos dois surgiram os Titãs,

Que iam o mundo assumir.

Cronos tomou a coroa,

E o tempo fez dividir.


Zeus nasceu poderoso,

Senhor do raio e trovão,

Personificando a força

Da justiça e da razão.

Era o pai do Olimpo,

Comandava a criação.


Poseidon, rei dos mares,

Agitava as águas em vão,

Com o tridente nas ondas

Punha o mar em rebelião.

Era o sopro das tormentas,

Era a fúria em ação.


Atena, a deusa da mente,

Da guerra com sabedoria,

Surgia armada e justa,

Trazendo paz e harmonia.

Personificação da luz,

Do pensar que alumia.


Afrodite, bela estrela,

Do amor era guardiã,

Do mar nasceu cintilante,

Com sorriso de manhã.

O desejo e a paixão

Faziam dela irmã.


Apolo, sol radiante,

Com lira e inspiração,

Guiava os homens nos cantos,

Na cura e revelação.

Era a arte, era a música,

Era a vida em expressão.


Dioniso, deus do vinho,

Das festas e da loucura,

Mostrava que a existência

Também tem sua doçura.

Era riso, era dança,

Era a alma mais pura.


As ninfas guardavam fontes,

Florestas e cada flor,

Sussurrando em voz suave

Segredos do seu ardor.

A beleza personificada,

Era a face do amor.


Canto II – Dos Heróis


Hércules, filho de Zeus,

Ganhou fama sem igual,

Fez doze trabalhos duros,

Mostrou força colosal.

Era a coragem do homem,

Num corpo quase imortal.


Perseu, herói valente,

Com a cabeça a cortar,

Derrotou Medusa fria,

Que petrificava o olhar.

Personificou na luta

A esperança de triunfar.


Ulisses, rei de Ítaca,

Astuto no seu pensar,

Nas guerras e nas viagens

Sabia sempre enganar.

Era o gênio do humano,

Com mil formas de lutar.


Aquiles, no campo ardente,

Na guerra de Troia brilhou,

Com sua fúria tremenda

Mil guerreiros derrotou.

Mas no calcanhar ferido,

A morte nele tocou.


Jasão com seus argonautas,

Pelo mar foi navegar,

Buscando o velo dourado,

Com coragem a remar.

Personificava o sonho

De quem ousa conquistar.


Orfeu, cantor divino,

Fez até Hades chorar,

Com sua lira encantada

Fez o amor ressuscitar.

Era a música da vida,

Que o tempo não vai calar.


Canto III – Dos Monstros e Mistérios





O Minotauro terrível,

Na Creta foi aprisionado,

Num labirinto sem fim

Por Dédalo foi cercado.

Era a fúria do instinto,

Num corpo misturado.


A Medusa de olhos frios,

Seu olhar petrificava,

Era o medo personado

Que aos homens dominava.

Perseu com sua coragem

A cabeça lhe cortava.


A Esfinge misteriosa

Propunha um enigma mortal,

Quem errasse sua charada

Pagava um preço fatal.

Era a face da razão

Num desafio imortal.


As harpias gritavam alto,

Roubando todo o banquete,

Com suas asas de fera

Trazendo pranto e repente.

Eram a fome e a angústia,

No corpo de uma serpente.


O Oráculo de Delfos santo,

No templo sempre a falar,

Com a voz de Apolo vivo

Revelava o que ia chegar.

Era a personificação

Do destino a se anunciar.


Semideuses nascidos

Da união de um mortal,

Com os deuses poderosos

Ganhavam brilho imortal.

Eram pontes vivas e fortes

Do humano ao divinal.


Assim a Grécia criou

Seu universo encantado,

Onde tudo tinha alma,

Deuses, homens, cada lado.

Era a vida transformada,

Num mito eternizado.



Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




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