domingo, 9 de novembro de 2025

COSMOLOGIA E HIERARQUIA ESPIRITUAL DOS POVOS GERMÂNICOS, Literatura de Cordel, Por Nhenety Kariri-Xocó






🌿 DEDICATÓRIA POÉTICA


Dedico aos ventos do Norte,

Que sopram antigos segredos,

Aos deuses do gelo e do fogo,

Que moldam destinos e medos.

Aos povos de sangue guerreiro,

E ao mundo que gira inteiro,

Entre o caos e seus enredos.


Dedico também à palavra,

Que é chama, raiz e ponte,

Ao saber que nasce da terra

E ao Sol que no céu se aponte.

Do tronco à folha divina,

A voz da alma germina

Na luz que nunca se esconde.



📜 ÍNDICE POÉTICO


1️⃣ Abertura Poética – O Chamado da Árvore Sagrada

2️⃣ Prólogo Poético – O Canto dos Nove Mundos

3️⃣ Capítulo I – O Vazio e o Fogo: O Nascimento de Ymir

4️⃣ Capítulo II – A Árvore do Mundo e os Reinos Sagrados

5️⃣ Capítulo III – Os Deuses Aesir e o Martelo do Trovão

6️⃣ Capítulo IV – O Destino dos Homens e o Valhalla

7️⃣ Capítulo V – Loki e as Sombras do Engano

8️⃣ Capítulo VI – O Canto de Balder e o Presságio do Fim

9️⃣ Capítulo VII – Ragnarök: A Batalha do Crepúsculo

🔟 Capítulo VIII – O Novo Mundo e o Círculo da Vida

🌄 Encerramento e Epílogo Poético – O Saber Que Retorna

🔖 Nota de Fontes Rimada

📘 Ficha Técnica, Sobre o Autor e Sobre a Obra

🌟 Epílogo Final

🎨 Quarta Capa Poética



🌅 ABERTURA POÉTICA


(O Chamado da Árvore Sagrada)


Das brumas do tempo longínquo,

Surgiu a canção da memória,

Do Norte soprou o segredo

Que tece dos mundos a história.

Yggdrasil, mãe do espaço,

Ergue o tronco no compasso

Do eterno ciclo e da glória.


Em seus galhos moram os ventos,

Nos troncos o fogo e o gelo,

Nas raízes dormem os rios,

Nas folhas o brilho do selo.

Quem busca a sabedoria,

Escuta a grande harmonia

Do mundo e seu claro espelho.


O homem caminha em Midgard,

Entre honra, dor e coragem,

O deus cavalga nos céus,

E o gigante traça a aragem.

Tudo é teia do destino,

E o verso torna divino

O que o espírito encoraje.



🌄 PRÓLOGO POÉTICO


(O Canto dos Nove Mundos)


Oh, escuta, leitor da alvorada,

O som dos antigos tambores!

Eles marcam o ritmo eterno

Das forças, dos sonhos e amores.

Os deuses criaram a vida,

E a morte, também, nascida

Dos mesmos divinos fulgores.


No vácuo do nada primeiro,

Chamado de Ginnungagap,

Do gelo e do fogo em guerra

Brotou o começo do mapa.

Ymir, o gigante ancestral,

Gerou o mundo total

Do corpo que o tempo sapa.


Audhumla, a vaca sagrada,

Do leite criou a nutrição,

E dos deuses, filhos da aurora,

Surgiu a civilização.

Odin, com olhar de fogo,

Desvenda o misterioso jogo

Da runa e da criação.



⚔️ CAPÍTULO I – O VAZIO E O FOGO: O NASCIMENTO DE YMIR


1️⃣

Antes do tempo existir,

Nem céu nem mar se via,

Havia só o silêncio

E a sombra que tudo ardia.

Do frio e do fogo intenso,

O mundo, em sopro imenso,

No caos primeiro nascia.


2️⃣

Niflheim, de gelo e vento,

Muspelheim, de chamas mil,

Colidiram em grande abismo,

No centro do ser sutil.

Desse encontro poderoso

Surgiu o ser monstruoso,

Chamado o gigante Ymir.


3️⃣

Do suor de Ymir brotaram

Os Jotnar, filhos da força,

E Audhumla, a vaca branca,

Que da pedra fez a corça.

Do leite que jorrou puro,

Veio o sustento seguro

De toda a linhagem grossa.


4️⃣

Ao lamber o gelo antigo,

Audhumla, com devoção,

Revelou o deus Buri,

Que seria a fundação.

Dele nasceu Odin forte,

Senhor da vida e da morte,

Luz viva da criação.


5️⃣

Junto de Vili e de Vé,

Odin se ergueu triunfante,

Venceu o gigante Ymir

Com poder retumbante.

Do corpo do ser caído,

Surgiu o mundo tecido

Pela mão do penetrante.


6️⃣

Da carne nasceu a terra,

Do sangue formou-se o mar,

Dos ossos vieram montanhas,

Dos dentes, o pedregal.

Do crânio fez-se o céu,

E dos vermes, o troféu

Que ao homem viria ensinar.


7️⃣

As fagulhas de Muspelheim

Brilharam na abóbada fria,

Fazendo o sol e as estrelas,

Que a noite e o dia partia.

O universo se ordenava,

E a vida, sagrada e brava,

Nos ventos então nascia.


8️⃣

Assim o cosmos germano

Teve forma, som e chão,

E Odin, com olhos sábios,

Buscou no poço a visão.

Deu um olho à sabedoria,

E em runas teceu poesia,

Do destino e da criação.



⚔️ CAPÍTULO II – A ÁRVORE DO MUNDO E OS REINOS SAGRADOS


1️⃣

No centro do mundo erguida,

Está Yggdrasil, a ponte,

Raiz que toca o inferno,

Galho que abraça o horizonte.

Nos nove mundos respira

A seiva que o tempo inspira,

Do tronco ao mais alto monte.


2️⃣

Asgard, morada dos deuses,

Brilha em luz celestial,

Onde Odin reina em trono

Sobre um salão divinal.

Os Aesir guardam o norte,

Com coragem, honra e sorte,

No Valhalla imortal.


3️⃣

Vanaheim canta os campos,

Dos Vanir, senhores da paz,

De Freyja brota o amor,

De Freyr, colheita e cabaz.

Do mar vem Njord com seu vento,

Trazendo o doce alimento

Que o mundo inteiro refaz.


4️⃣

Midgard, o reino dos homens,

Fica ao centro, protegido,

Ligado à ponte Bifröst,

Arco de fogo colorido.

Ali o humano combate

O destino que o abate,

Mas vive em sonho erguido.


5️⃣

Jotunheim guarda gigantes,

Força bruta e vendaval,

Niflheim é o gelo eterno,

Muspelheim, fogo infernal.

Da guerra entre os extremos,

Nasce o ciclo dos sistemas,

O equilíbrio universal.


6️⃣

Alfheim, dos elfos de luz,

É reino de encanto e flor,

Onde a magia reluz

Com ternura e resplendor.

E os anões de Nidavellir

Forjam armas a reluzir,

Com o ferro e com o ardor.


7️⃣

Helheim, reino dos mortos,

É frio, mas sem castigo,

Lá vai quem sem honra parte,

Descansa ao fim do abrigo.

A deusa Hel, meio bela,

Guarda o véu da centelha

Do sono eterno antigo.


8️⃣

Nas raízes da árvore santa

Rói Nidhogg, o dragão,

Mas a seiva sempre vence

A treva e a corrupção.

O esquilo Ratatoskr corre,

Leva mensagens e corre

Entre o mal e a redenção.


9️⃣

Nas copas canta a águia,

Olhar de pura visão,

E sob o tronco, as Nornas

Tecem o fio da paixão.

Elas traçam o destino

Do deus e do peregrino,

Do herói e da perdição.


🔟

Assim o mundo se equilibra

Entre o alto e o subterrâneo,

Do gelo ao fogo divino,

Do eterno ao temporâneo.

E Yggdrasil, em silêncio,

Guarda o segredo imenso

Do mistério milenário.



⚔️ CAPÍTULO III – OS DEUSES AESIR E O MARTELO DO TROVÃO


1️⃣

Dos altos salões de Asgard,

Surge o trovão retumbante,

É Thor, o filho de Odin,

Com poder retinante.

Empunha o martelo sagrado,

Mjölnir, raio encantado,

Protetor do caminhar vibrante.


2️⃣

Odin, senhor das batalhas,

Da sabedoria é o pai,

Montado no corcel Sleipnir,

Por mundos inteiros vai.

Com lança Gungnir sagrada,

Traz a runa iluminada

Que o tempo jamais desfaz.


3️⃣

De um olho fez sacrifício

No poço do velho Mimir,

Bebeu do saber profundo,

Do destino quis se unir.

Na árvore ficou pendente,

Por nove dias, silente,

Para o segredo emergir.


4️⃣

Veio a luz das Runas santas,

Símbolos de força e lei,

Que guardam magia e alma

Desde o tempo em que as criei.

Cada letra, um universo,

Cada som, um verso imerso

No que o espírito contém.


5️⃣

Ao lado do Pai de Todos,

Brilham deuses de valor,

Baldur, luz e pureza,

De sereno resplendor.

E Heimdall, o guardião fiel,

Que, com a trompa de Gjallarhorn,

Anuncia o fim do labor.


6️⃣

Tyr, de coragem suprema,

Sacrificou sua mão,

Ao prender o lobo Fenrir,

Que traria a destruição.

Seu ato, em fé verdadeira,

Mostra a honra altaneira

Do pacto e da devoção.


7️⃣

Freyja, dos Vanir sagrada,

Dá à guerra dupla face:

É amor, desejo e morte,

Flor e lâmina disfarce.

Recebe os mortos honrados

Que não vão ser destinados

Ao Valhalla de enlace.


8️⃣

Njord, senhor dos mares,

E Freyr, do campo e semente,

Uniram o céu e a terra,

Com força onipotente.

Da guerra entre Aesir e Vanir,

Nasceu o pacto por vir,

E o mundo seguiu em frente.


9️⃣

Os deuses, guardiões da ordem,

Regem honra e proteção,

Mas também, em sua luta,

Conhecem a perdição.

Pois o caos espreita a glória,

E o destino, em sua história,

Não poupa nem a razão.


🔟

Assim Thor, o deus trovão,

Golpeia o mal inclemente,

Protege humanos e deuses,

Com o martelo reluzente.

Nos céus ruge a tempestade,

Mas há, por trás da verdade,

Um coração benevolente.



⚔️ CAPÍTULO IV – O DESTINO DOS HOMENS E O VALHALLA


1️⃣

Em Midgard, o mundo humano,

Tudo é prova, rito e lei,

Pois o homem é o espelho

Do divino que herdei.

Nasce, luta e morre honrado,

E no ciclo consagrado,

Retorna ao pó de onde veio.


2️⃣

A honra é chama sagrada,

Que guia o guerreiro em vida,

Mais que ouro ou poder,

É virtude merecida.

Quem morre de coração,

Em batalha ou oração,

Tem a alma redimida.


3️⃣

As Valquírias, belas filhas

Do deus Odin celestial,

Sobre os campos de guerra

Voam em luz boreal.

Escolhem os que caíram

Com coragem e que ouviram

O chamado ancestral.


4️⃣

Ao Valhalla são levados

Os heróis do peito forte,

Em salões de ouro e bruma,

Onde não existe morte.

Ali bebem o hidromel,

Cantam feitos sob o véu

Da aurora, sua consorte.


5️⃣

Cada dia é luta e treino,

Para o Ragnarök vindouro,

Pois o fim, ainda distante,

Traz renovo no tesouro.

E os guerreiros, incansáveis,

Em glórias inigualáveis,

Brilham no campo sonoro.


6️⃣

Mas nem todos seguem o vento

Que sopra à glória e à luz,

Alguns, sem honra na morte,

Tomam caminho da cruz.

Helheim é seu destino,

Frio, quieto, cristalino,

Onde o silêncio conduz.


7️⃣

Hel, filha de Loki, os guia

Com olhar de dois semblantes,

Um belo, outro sombrio,

Refletindo os caminhantes.

Guarda o limiar da calma,

Onde repousa a alma

Dos que viveram distantes.


8️⃣

Mas até lá, não há dor,

Nem castigo ou condenação,

Pois o ciclo da existência

Segue a mesma direção.

Tudo nasce, tudo morre,

E o espírito recorre

Ao mistério da criação.


9️⃣

Odin observa do alto,

Thor protege o caminhar,

As Valquírias, como estrelas,

Vêm nas almas pousar.

Midgard é o templo vivo,

Onde o esforço é o motivo

De se aprender a lutar.


🔟

Assim o homem germano,

Entre a terra e o firmamento,

Carrega o fardo e o brilho

De um eterno nascimento.

Sua vida é chama e glória,

Seu fim, parte da história,

Do divino movimento.



⚔️ CAPÍTULO V – LOKI E AS SOMBRAS DO ENGANO


1️⃣

Entre os deuses de Asgard,

Há um que é chama e ardil,

Loki, senhor do disfarce,

Tão belo quanto sutil.

Com língua de ouro e riso,

Transforma o céu em juízo,

E o certo torna-se hostil.


2️⃣

Nasceu da linhagem dos Jotnar,

Mas vive entre Aesir altivos,

Amigo e traidor dos tronos,

De encantos sempre furtivos.

Em suas tramas, o riso

É ponte para o prejuízo

Dos deuses, outrora cativos.


3️⃣

Engana os fortes e sábios,

Com arte de falar mansa,

E o que faz por desafio

Mais tarde o mundo alcança.

Pois na teia de ironia,

Cada rima e profecia

Guarda o fio da mudança.


4️⃣

Loki, o pai do infortúnio,

Gerou monstros e perigos:

Fenrir, o lobo feroz,

Que devorará seus amigos;

Jörmungandr, a serpente,

Que envolve o mar e a mente,

E Hel, que acolhe os antigos.


5️⃣

Um dia, por vaidade e riso,

Fez Thor perder seu poder,

Tomou-lhe o martelo santo

E o levou a se esconder.

Mas no fim, com esperteza,

Fez da trapaça a defesa,

E o bem tornou a vencer.


6️⃣

Porém, a sombra cresce

No rastro do seu ardor,

Pois o mesmo que traz festa

Também semeia a dor.

E o riso que se disfarça

É a semente da desgraça

Que o tempo transforma em flor.


7️⃣

Loki viu o futuro em sonhos,

Onde o fogo se alastrava,

E em seus olhos, o reflexo

Da ruína que germinava.

Riu-se então do destino,

Mas o riso, cristalino,

Na garganta lhe travava.


8️⃣

Os deuses, já desconfiados,

Prenderam-no em rocha fria,

Com serpente sobre o rosto

Que goteja noite e dia.

Sua dor é o trovão preso,

Seu grito, o fim indefeso

Que o mundo pressentia.


9️⃣

Sigyn, fiel companheira,

Recolhe o veneno e a dor,

E o amor que ela sustenta

É o oposto do rancor.

Na união de sombra e luz,

Cada lágrima conduz

Ao ciclo do novo ardor.


🔟

Assim Loki permanece,

Entre o mal e a redenção,

No abismo onde os mitos dançam

Com a sombra e a paixão.

Pois até no erro profundo,

Vive o ritmo fecundo

Da eterna transformação.



⚔️ CAPÍTULO VI – O CANTO DE BALDER E O PRESSÁGIO DO FIM


1️⃣

Balder, o deus da pureza,

Brilho do dia e da aurora,

Filho amado de Odin,

Que a todos consola e implora.

Seu olhar é chama calma,

Luz que aquece a alma,

E o mundo o adora e o chora.


2️⃣

Sonhou com a morte fria,

E Frigg, sua mãe, temeu,

Fez jurar a toda coisa

Que dele nada feriu.

Mas o visco, planta humilde,

Ficou fora — e, tão fútil,

O destino então se ergueu.


3️⃣

Loki, o senhor das tramas,

Soube da falha fatal,

Fez uma flecha de visco

Com intento desleal.

Nas mãos do cego Höðr,

Guiou o golpe traidor,

Que atingiu o deus sem igual.


4️⃣

O corpo de Balder caiu,

E o sol perdeu seu fulgor,

Os ventos cessaram o canto,

E o céu chorou sua dor.

O mundo, em luto profundo,

Sentiu no coração do mundo

O prenúncio do fim maior.


5️⃣

Frigg implorou aos deuses,

Que Hel libertasse o amado,

E Hel, em fria justiça,

Aceitou o veredicto dado:

"Se tudo chorar por Balder,

Ele há de um dia voltar,

Do contrário, ficará selado."


6️⃣

Mas Loki, em forma disfarçada,

Negou o pranto, zombando,

E por causa dessa risada,

Balder seguiu descansando.

Assim o riso de um só

Fez o mundo perder o dó,

E a aurora foi declinando.


7️⃣

Balder dorme em Helheim,

Como sol que adormece no mar,

Mas seu nome, entre os ventos,

Ainda insiste em brilhar.

Pois dos deuses é a centelha,

Que renasce como estrela

Quando o tempo for recomeçar.


8️⃣

E o presságio do crepúsculo

Espalhou-se pelo chão,

Os lobos caçam o sol,

E os rios correm em vão.

Os sinos da aurora antiga

Tocam a última cantiga

Do destino em dissolução.


9️⃣

Odin contempla em silêncio,

O que o fio do orlog traz,

Sabe que o fim se aproxima,

Mas nele há algo a mais.

Pois no ciclo da existência,

Mesmo o caos tem consciência

De que a morte é nunca-jamais.


🔟

Assim Balder, na memória,

Guarda o selo do renovo,

Sua morte é dor e promessa

Do recomeço do povo.

Pois o eterno se refaz

Do que o tempo leva e traz,

Num mundo que nasce de novo.



⚔️ CAPÍTULO VII – RAGNARÖK: A BATALHA DO CREPÚSCULO


1️⃣

Chegou o dia anunciado,

O trovão partiu o véu,

As runas do tempo gritam,

E o fogo sobe do céu.

Das sombras do Niflheim,

Ergue-se o fim e o além,

O destino cumpre o papel.


2️⃣

Os lobos devoram o sol,

E a lua em sangue se cobre,

Os ventos rugem do norte,

E o mar se enfurece e nobre.

A serpente do oceano

Ergue o corpo titânico e insano,

E o mundo geme, e descobre.


3️⃣

Do leste surge Naglfar,

Feito de unhas de mortos,

Guiado por Loki aceso,

Que rompe os antigos portos.

Hel envia seu exército,

E o caos, em tom profético,

Quebra os muros e os consórcios.


4️⃣

Os deuses vestem o ferro,

E marcham sem ilusão,

Sabem que o fio do tempo

Cumpre sua precisão.

Odin monta Sleipnir,

E com olhar a fulgir,

Busca o fim e a redenção.


5️⃣

Thor ergue o martelo santo,

Contra a serpente do mar,

O choque ecoa nos mundos,

Faz os céus desmoronar.

Mata o monstro envenenado,

Mas, logo, cai derrotado,

Sem mais força pra lutar.


6️⃣

Fenrir ruge e avança,

Com dentes de destruição,

E o Pai de Todos enfrenta

Seu destino e compaixão.

Odin cai em seu abraço,

Mas de dentro desse laço

Brota nova inspiração.


7️⃣

Víðarr, o deus do silêncio,

Ergue o passo sem temor,

Calcando o lobo com fúria,

Cumprindo o ciclo e o ardor.

Vinga o pai, sela o fado,

E do caos, purificado,

Renasce o antigo amor.


8️⃣

As chamas devoram o mundo,

Surt, o gigante, ergue o fogo,

A cinza cobre o sagrado,

E o tempo perde seu logo.

Mas no meio da destruição,

Há um canto de renovação,

Que murmura em cada rogo.


9️⃣

As pontes ruem nos abismos,

E o arco de Bifröst cai,

Os rios fervem, as estrelas

No oceano se desfazem.

Mas a essência divina

Permanece cristalina,

Naquilo que não se trai.


🔟

E assim termina o mundo,

Na noite de lava e vento,

Mas do silêncio profundo

Ergue-se o novo alento.

Pois o fim, no entendimento,

É apenas o nascimento

Do eterno movimento.



🌅 CAPÍTULO VIII – O NOVO MUNDO E O CÍRCULO DA VIDA


1️⃣

Quando o fogo enfim se apaga,

E as cinzas tocam o chão,

Uma brisa doce surge,

De pura renovação.

O céu refaz-se em cores,

E os antigos dissabores

Dormem na recordação.


2️⃣

Da terra brota o verde,

Das águas, novo cantar,

E dois seres despertados

Vêm o novo dia raiar.

Líf e Lífthrasir, os remanescentes,

Guardam no peito as sementes

Do amor que há de voltar.


3️⃣

Os deuses renascem também,

Das brumas e do luar,

Balder retorna em glória,

Com luz a iluminar.

O mal finda em lembrança,

E a esperança, em bonança,

Faz o novo mundo girar.


4️⃣

As montanhas ganham vida,

Os rios dançam no sol,

As aves anunciam o tempo,

E o homem busca o arrebol.

Não há mais medo nem guerra,

Pois o amor cobre a terra

Com o brilho do arrebol.


5️⃣

A sabedoria antiga

Ecoa em todo lugar,

Não como trono ou poder,

Mas como verbo de amar.

Odin, no vento presente,

Sussurra ao inconsciente:

"Viver é sempre recomeçar."


6️⃣

Thor, na trovoada leve,

Protege os céus renascidos,

E as runas brilham no tempo,

Em cantos adormecidos.

Cada raio é lembrança,

Do ciclo e da mudança

Dos mundos reconstruídos.


7️⃣

Loki, nas brumas distantes,

Não é ódio, é lição,

Pois até o erro e o engano

Têm raiz na criação.

Do caos nasce a harmonia,

Da noite, a sabedoria,

Do pranto, a compaixão.


8️⃣

Assim o mundo refeito

Gira em eterno girar,

E o que foi cinza e ruína

Agora volta a brilhar.

Pois na dança cósmica e pura,

Cada alma, em sua altura,

Tem missão a despertar.


9️⃣

Os deuses olham o tempo,

Com olhos de entendimento,

Sabendo que o fim é início

De todo renascimento.

E o ciclo, em sua beleza,

Revela à natureza

O divino movimento.


🔟

E o trovão se torna canto,

E a lágrima, oração,

O vento sopra o encanto

Da sagrada criação.

Pois o que viveu e morreu,

No eterno se renasceu,

Na roda da renovação.



🌄 ENCERRAMENTO E EPÍLOGO POÉTICO — “O SABER QUE RETORNA”


1️⃣

Cessou o trovão distante,

O sol sorriu do poente,

O gelo e o fogo se abraçam

Num amor resplandecente.

E a voz do velho universo

Ecoa num novo verso,

Que vive em todo vivente.


2️⃣

Do norte sopram lembranças

De mitos, cantos e glórias,

De deuses, homens e ventos

Tecendo eternas memórias.

E a palavra sagrada em fio

Volta ao tempo inicial,

Guardando o bem e o desafio.


3️⃣

Pois o saber que se cala

Não morre, apenas se esconde,

E no peito da criação

A memória responde.

Cada era, cada mito,

É reflexo do infinito

Que no silêncio se esconde.


4️⃣

Balder brilha em nova aurora,

Thor troveja em compaixão,

Odin pensa em outras formas

De guiar a criação.

E os homens, filhos da terra,

Carregam, após a guerra,

A paz em seu coração.


5️⃣

Que o leitor, nesta jornada,

Possa sentir-se chamado

A ouvir os ventos antigos

Do saber reencantado.

Pois a fé, quando desperta,

Abre portas sempre abertas

Do espírito iluminado.


6️⃣

As runas falam de novo,

Não em pedra, mas no olhar,

E o destino, em sua dança,

Volta a se revelar.

Pois quem busca o entendimento

Acha no próprio momento

O caminho pra acordar.


7️⃣

O mito é o espelho vivo

Da alma em transformação,

E o que nele é destruição

Também é renovação.

Pois cada fim é um portal,

E o que é humano e divinal

Une-se em revelação.


8️⃣

Assim termina a epopeia,

Mas não cessa o seu sentido,

Pois a verdade se espalha

Nos povos e no ouvido.

De Asgard a toda aldeia,

A sabedoria sem cadeia

É canto que não tem tido.


9️⃣

O saber que vem das eras

É raiz e é clarão,

Vem dos deuses e da terra,

Dos rios e do trovão.

E no canto do Kariri,

Esse saber redescobri

Em sonho e contemplação.


🔟

Por isso este cordel canta

O eterno recomeçar,

Onde o mito vira ponte

E o homem pode sonhar.

Pois o que é lenda e memória

É chama viva na história

Do ser que aprende a amar.



🔖 NOTA DE FONTES RIMADA


Do Norte soprei saber,

De antigos livros da aurora,

E das runas e pergaminhos

Que o tempo ainda aflora.

Fontes que o verso decanta,

Em memória que se encanta,

No eco que nunca demora.


Em rima deixo o registro,

Do estudo e da tradição,

Misturando o sagrado e o livro

Na mesma inspiração.

Pois cada fonte me guia,

Como estrela e profecia,

Na rota da criação.


Do velho Snorri Sturluson,

Ecoa a “Edda em Prosa” —

Traduzida por Faulkes Anthony,

Em runa grandiosa.

Lá no frio Reykjavík,

A sabedoria se diz,

Na língua nobre e formosa.


Da “Poetic Edda” nasceu

Outro canto iluminado,

Por Carolyne Larrington,

Em verso bem traduzado.

Na Oxford University,

Floresce o saber em si,

De 2014 datado.


De Kevin Crossley-Holland,

Vem “The Norse Myths”, canção,

Que narra os feitos dos deuses

Com magia e inspiração.

Em Londres, por Penguin Books,

Ele acende antigos fluxos

No peito da tradição.


Aron Gurevich decanta

A cultura medieval,

Em “Medieval Popular Culture” —

Um estudo universal.

Da fé, do povo e do mito,

Traz o olhar erudito,

Com toque espiritual.


E Georges Dumézil ensina

Os “Deuses do Antigo Norte”,

Da mitologia germânica,

Fala o ciclo e a sorte.

Em Berkeley, a sua mão,

Deu forma à compreensão

Do divino e de sua porte.


Das cinzas e das palavras,

Cada fonte é chama viva,

É runa, é rio, é lembrança

Que o verso novamente aviva.

Pois citar também é arte,

E quem do saber reparte

Torna a alma mais altiva.



📘 FICHA TÉCNICA


Título: A Epopeia Nórdico-Espiritual – O Saber que Retorna

Gênero: Cordel Épico Mitológico

Autor: Nhenety Kariri-Xocó

Edição Digital: 2025

Local: Porto Real do Colégio – Alagoas

Assistência Literária Virtual: Assistente Virtual ChatGPT

Estudos preliminares: Google Gemini 

Pré-projeto: ChatGPT ( OpenAI  )

Edição Literária e Diagramação: Nhenety Kariri-Xocó & ChatGPT (Assistente Virtual GPT-5) 

Produção Editorial: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM 

Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó

Formato: Cordel-livro poético com estrutura ancestral e simbólica

Estilo: Versificação rimada em sextilhas de tom sagrado e épico



🪶 SOBRE O AUTOR


Nhenety Kariri-Xocó, contador de histórias oral e escrita, pertence ao povo Kariri-Xocó de Porto Real do Colégio (AL).

Seu dom poético nasce do entrelaçar das memórias ancestrais com o eco das civilizações do mundo.

Transita entre o sagrado e o mítico, recontando, em cordel e em sabedoria viva, as epopeias dos povos — sejam elas de origem indígena, africana, europeia ou universal.

Sua pena é um rio de espiritualidade que busca unir as tradições em torno do mesmo Sol de consciência.



📜 SOBRE A OBRA


Este cordel é um encontro entre o mito nórdico e o espírito universal do conhecimento.

Aqui, os deuses do Norte e o pensamento ancestral da terra se unem em poesia, filosofia e memória.

Cada verso é ponte entre mundos: o humano, o divino e o natural.

“A Epopeia Nórdico-Espiritual” é uma oferenda poética ao tempo e ao eterno — ao fogo que purifica, à terra que renasce, à água que reflete e ao ar que leva o canto dos sábios.

Esta obra foi inspirada e fundamentada no artigo publicado no blog “KXNHENETY.BLOGSPOT.COM", disponível em:  

https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/cosmologia-e-hierarquia-espiritual-dos.html?m=0 , seguindo uma estrutura acadêmica nos moldes da ABNT e respaldada em referenciais históricos e culturais que unem a tradição oral ao conhecimento erudito.



🌟 EPÍLOGO FINAL — “A PALAVRA ETERNA”


1️⃣

Do gelo ao fogo regresso,

Do mito à recordação,

Pois tudo o que foi contado

É eco de criação.

E o verbo, quando desperta,

Abre a mente, e liberta

O ser da separação.


2️⃣

O saber dos povos antigos

É chama que nunca apaga,

É ponte, é ciclo, é destino,

É vento que nunca vaga.

E quem escuta seu som

Descobre no coração

A luz que nunca se apaga.


3️⃣

Por isso, irmão e leitor,

Guarda este canto em tua alma,

Pois nele há sabedoria,

Equilíbrio e eterna calma.

Que o mito em ti floresça,

E a palavra te enriqueça

Com o ouro que o tempo salva.



🎨 QUARTA CAPA POÉTICA (Descrição e Texto)


Descrição visual para criação da imagem digital 3D:

A arte mostra o renascimento do mundo após o Ragnarök:

— O Sol dourado surgindo entre as cinzas prateadas,

— Balder erguendo a mão em bênção sobre o novo horizonte,

— Líf e Lífthrasir de pé sob uma árvore luminosa,

— No alto, as runas flutuam como estrelas,

— O fundo exibe luz azul-dourada suave, com textura etérea,

— Atmosfera de paz cósmica e sabedoria renascida.


Texto poético da Quarta Capa:


“Das cinzas do tempo renasce o verbo,

Do trovão nasce a canção,

O mito é ponte entre mundos,

E o homem, sua extensão.

Que este cordel te recorde

Que o fim é o mesmo acorde

Da eterna renovação.”





Autor: Nhenety Kariri-Xocó 




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