quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

CONTO CUPIM DA TERRA

Cupim da Terra
Cupim das Árvores
   No princípio a vida do índio vivendo na natureza, estava em completo equilíbrio, a floresta exuberante, os animais  em harmonia, o rio de águas clara de uma pureza divina. O índio vivia em maloca, grande casa de palha coletiva, sem divisão de paredes, cada família tinha seu canto, um fogo de lado, cama de vara, os troncos servia como bancos de sentar, peneira, abano, pilão, arco e flechas, tudo a Mão Terra oferecia. Quando chegou o europeu devastou a mata, tirou a sobrevivencia do povo, trouxe móveis, guarda-roupa, mesa, armários, o índio teve que adaptar-se a essa nova realidade. Em nossa Aldeia Kariri-Xocó o índio Wirím já bastante civilizado, estudou em escola do branco, pegou diploma e conseguiu emprego, ganhou dinheiro,casou com uma índia Surinã, fez uma casa de tijolo, embelezou o lar, com móveis finos, guarda-roupa de loja, cama, mesa de primeira qualidade. Com a floresta desmatada o Cupim da Terra não tinha onde fazer sua morada natural, entrou na casa de Wirím em forma enfileirada, aos pouco foi penetrando na madeira dos móveis, sem serem notados, alastrou dentro de guarda-roupa, comeu cama, destruiu mesa, quando Wirím foi perceber já era tarde demais, todas as coisas que comprara foi destruido pela fúria do Cupim da Terra. As coisas sem utilidade foram jogadas no lixo, transformou-se em  terra novamente .Uma coisa que devemos aprender, deixar a natureza sempre em equilíbrio, conservar o ambiente para os animais, porque todos os seres vivos também merecem viver, nós dependemos deles, e eles de nós. Nhenety Kariri-Xocó.




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

CONTO DOIS IRMÃOS NO MUNDO

Nascem dois irmãos na mesma Aldeia Kariri-Xocó, nas margens do Rio São Francisco, Jurandi e Porã. Os dois crescem juntos, viviam sempre juntos, brincavam de nadar, pescar. Chegou a escola na aldeia, Jurandi logo se interesou, foi estudar muito cedo, Porã não queria estudar em escola de ensino de branco, mostrava coisas da civilização, novos costumes diferentes. Jurandi conhecendo pelos livros, paisagens de terras distantes, cidades, carros, este mundo diferente ele queria conhecer, foi embora sem dar notícias. Porã  presta atenção, em todos os acontecimentos e fatos da tradição tribal, aprendendo com a vida na mata. Jurandi andou conheceu o mundo inteiro, ficou rico, casou com uma branca e teve uma grande família. O outro irmão Porã que ficou na tribo, também casou teve uma grande família, era feliz porque ele mesmo queria era conhecer o mundo tribal. Depois de muitos anos aquele que foi embora sente saudade e retorna para a aldeia , os dois irmãos abraçaram um ao outro, Jurandi dar  muitos presentes para a familia do irmão Porã. Jurandi conheceu o mundo de fora, sabia muito pouco da cultura da tribo, então disse a se irmão: " Powou estou com um grande vazio em mim, gostaria muito de aprender as coisas de do meu povo, a cultura, as danças, as histórias que não vivi " . Porã disse também : " Jurandi também estou com um grande vazio, gostaria de saber como é o mundo lá fora, das coisas do homem branco que não conheci ". O que ficou também quer conhecer o mundo de fora; então cada um vai ensinar a outro: – Me ensina como é o mundo de fora? – Me ensina como é o mundo de dentro? Então vai ter uma grande troca de conhecimentos. Mesmo aquele que nasceu na tribo, não sabendo da tribo aprendeu coisas que a tribo vai precisar. .Todos os povos da terra foram criados e são necessários .Nhenety Kariri-Xocó .










































HISTÓRIA DE MARUANDA

   
Toré de Maruanda  
Os bandeirantes chegaram na região do Baixo São Francisco fazendo guerras contra as tribos Caeté, Romariz, Kariri, Karapotó, Aconã, Natu, Caxagó,  Xocó e muitas outras que foram extintas pelos massacres. Os Jesuítas vieram depois para evangelizar os sobreviventes do conflito, onde várias vezes fazer uma missão. A Igreja proibiu os indígenas de fazer seguir sua cultura, falar sua língua, de cantar seus rituais, impuseram um Deus Civilizado, foi um período de sofrimento. Perseguindo seus rituais , os indígenas tiveram que praticar suas tradições as escondidas, para não serem punidos pelos padres. Fugiam na floresta cantavam o Toré e guardaram segredo do Ouricuri a religião indígena. Na floresta no alto da colina, tinha um terreiro limpo, para não serem supreendidos ,enquanto dançavam, o índio Maruanda ficava vigiando a chegada dos padres. Assim foi passando anos e anos o ritual do Toré nunca tinha sido supreendido pelos religiosos, porque Maruanda estava sempre atento a grande missão que o povo lhe dera .Mas um dia aconteceu o pior, Maruanda debaixo de um pé de juazeiro sentado na pedra estava vigiando, bateu o vento frio gostoso, nesta hora ele dormiu na sombra da árvore. Os jesuítas chegaram de supresa, pegou Maruanda dormindo, todos os indígenas foram presos, desceram para o Colégio, receberam castigo por desobedecer a Igreja, praticar rituais pagãos. Os indíos tiraram isso como lição, disseram a Marauanda, por seu descuido, todos nós recebemos castigo, agora vamos fazer um Toré para relembrar esse fato. Fizeram um circulo deram as mão e cantaram : " OI TINGA LE LE, OI LELE  HEWA HÁ, OI VADIANDO MARUANDA ". Neste canto fala que Marauanda, estava vadiando dormindo, por causa disso apanharam . Todos os povos da terra tem direito de praticar sua religião, sem perseguição. Nhenety Kariri-Xocó .
















CONTO DO CAMURUPIM

   Nas margens do São Francisco, tem muitos mistérios escondidos, vou contar uma história do " Senhor do Opara " era assim que este rio era conhecido pelos nossos indígenas, habitantes primeiros. Como em cada ambiente existe um  Senhor, que domina uma vasta região, mas falando de peixe o Camurupim, mora em   canal mais profundo no perau, sua casa é a loca, um abrigo de pedra tem até cama. Aqui na Aldeia Kariri-Xocó, mora um grande Camurupim no porto das canoas, ao amanhecer ele começa a mostrar seus domínios, remexe as águas, mostrando a longa cauda com o lombo de fora, as pessoas ficam com medo nesta hora de tomar banho no rio, depois ele vai nadar em outro lugar. O índio Miraguaia pescador experiente, me falou várias vezes, um foi mergulhar no rio defronte ao pé de ingá , para arrumar umas iscas de pequenos camarões, caindo nas águas foi até o fundo chegando na loca viu aquele peixe enorme, dormindo na cama, com a cabeça cheia de objetos luminosos, olhando direito era vários anzóis brilhosos, que o Camurupim leva das linhas dos pescadores, quando estar ferrado arrebenta o fio de nylon. Os pescadores agora compram iscas de alumínio colorido que parece um peixe de verdade, isso é apenas uma armidilha com anzóis disfaçados. Camurupim não gosta dessa ação dos maus pescadores, quebra linha levando o peixinho colorido como troféu na sua coroa de senhor do rio .Miraguaia ficou com medo subiu sem demora, logo em seguida o Camurupim começou fazer movimentos nas águas com rebanadas ameaçadoras. Segundo falou o pescador, este peixe mora perto onde tem o canal da lagoa que liga ao rio, as pequenas piabas são seu alimento preferido, agora estar muito difícil ver um Camurupim, o São Francisco estar secando cada ano, os bancos de areia aterrou a loca, nunca mais vimos o " Senhor do Opara " , foi embora para outro lugar em águas profundas escuras é lá que ele pode estar, morando sua morada segura até que um dia nós façamos alguma coisa preservar a natureza, assim poderemos sonhar por um mundo melhor. Nhenety Kariri-Xocó.
















terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

HISTÓRIA DO CIPÓ CURURÚ

    A nossa terra era coberta com imensa floresta verde, o Rio São Francisco corria livre sem barragens para represar suas águas, as nascentes dos afluentes permanecia correndo para o imenso vale, alimentanto muitas aldeias, foi assim durante muitos invernos. As lagoas ao longo do rio enchia em períodos esperados pelos indígenas antigos habitantes do lugar, certo dia chegou o povo branco vindo do oceano, a cada ano mais e mais foram ocupando as duas margens, escravisando, matando, expulsando,evangelizando, muitas tribos guerrearam, outros fugiram para o Norte. Os índios que sobreviveram ficou sofrendo vendo toda as lagoas sendo represadas pelos agora proprietários, construíram comportas para aprissionar os peixes, deixando o rio mais pobre de pescado. As lagoas são viveiros naturais de crescimento dos pequenos peixes, que ali cresciam em período mais tarde retornavam ao rio para reproduzir e novamente continuar o ciclo da natureza. Na Lagoa Coité o homem branco conhecido por Machado também fez comporta,  aprissionando os peixes vindo do rio. O índio Giló acostumado com a liberdade, na lagoa foi pescar, o proprietário não gostou, deu uma surra no velho nativo, expulsando do lugar, dizendo que agora ali tinha dono, não queria ver ninguém pescando, ameacando-o . Bastante constrangido Giló retornou para a aldeia para tratar os ferimentos, depois alguns luas se passaram, ficou recuperando. Giló sabia dos segredos das plantas da floresta, conhecia do Cipó Cururú, muito venenoso que o Tinguí, esta planta afugentava os peixes das lagoas, tem um leite como aquele que o sapo tem em glandulas na cabeça, sua casca parece o couro do anfíbio. Dizia o velho Nidé que Giló fez uma rodilha do Cipó Cururú, enterrou na lama , no meio da Lagoa Coité, os peixes fugiram os que ficaram morreram. A lagoa ficou sem peixe durante sete anos, o proprietário ficou desesperado com tanta desgraça, arrependeu de ter dado a surra no índio por pescar na lagoa. O branco arrependido mandou chamar Giló, prometeu ao índio se os peixes voltar a lagoa, ele poderia pescar novamente. Assim foi feito meia noite sem ninguém ver Giló foi mergulhou e retirou a rodilha do Cipó Cururú, os peixes voltaram ao ambiente, mais Giló gostaria mesmo era a lagoa livre para o rio. Nhenety Kariri-Xocó.



































O CONTO DA FORMIGA ONCINHA

  O Vale do São Francisco ainda hoje guarda tradições dos povos indígenas, quando em tempos das grandes florestas que cobria toda esta região, com muita fartura de caça e pesca, doada pela nossa Avó Natureza e nossa Mão Terra. Diz a Tradição Kariri-Xocó quando os homens sai para caçar, muitas vezes não trazia nada, se valia da "Formiga Oncinha " , dizendo Oncinha...Oncinha, der a todos nós uma carninha. Daí a Formiga Oncinha com seu poderoso ferrão matava um veado, os indios após o pedido saim atraz do pequeno bichinho e lá estava o presente, a carne para saciar nossa fome, a carne era repartida entre o grupo que levava para a aldeia. Quando as florestas estava sendo devastadas pelos senhores de engenho e criadores de gado, os animais desapareceram ou foram extintos. A terra foi ocupada por fazendeiros, o rio passou a chamar Rio dos Currais, os indígenas passaram muita necesidade. Novamente os indíos recorriam a Formiga Oncinha... Oncinha ...Oncinha , der a todos nós uma carninha. A Ormiga não encontrando as matas, nem as caças, passou a ferroar o gado dos fazendeiros, que no principio foi morrendo, o dono do boi chamava os indígenas para aproveitar a carne. A Formiga Oncinha passou a caçar  boi, carneiro, cabra e porco, já que agora estas eram as caças que estava em abundancia nos campos de pastagens, as coisas foram melhorando, deixaram de destruir as florestas os animais ficaram em paz, repovoando o ambiente. As coisas mudará quando o homem respeitar o espaço dos animais das florestas, os bichos que lá viviam também deixará o homem viver em paz. Nhenety Kariri-Xocó













































segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

FAMÍLIA MUIRÁ

Alirio Nunes 1927-1990, filho de Julia Pires
Analbertino 1897-1971, filho de Inocencio Muirá, ancião em cima foto
Noemia filha de Rosa
Vandete Pires filha de Firmino
Bonival filho de Firmino
Edite Pires 1928-2005, filha de Julia Pires
Julia Pires 1912-1986, filha de Omina caçula de Inocencio
Firmino Pires 1901-1978, filho de Inocencio Pires
José Pires filho de Firmino
    No período do Brasil Colonial, diz os nossos antepassados que muitos indígenas foram forçados a lutar ao lado dos portugueses para acabar revoltas na Colonia , com promesas de terras e paz nas aldeias.  Os Xocós moravam em Pão de Açúcar em Alagoas no Século XVII , vivendo em aldeia nas margens do Rio São Francisco. Nesse período chegou na aldeia dos Xocó Muirá Ubi Antonio Pessoa Arco Verde ,índio que veio do sertão, ele gostou da índia Jaciara e teve uma filha Tereza Muirá . Antonio Pessoa Arco Verde comandou os Xocós em Palmares . Depois Muirá Ubi retornou para o sertão, ficando Jaciara com sua filha Tereza Muirá na aldeia, onde até os índios fizeram um Toré " Dona Tereza " .Anos depois os Xocós atravessaram o Rio São Francisco e foram morar na Ilha de São Pedro junto aos índios Aramurus, porque Pão de Açúcar estava ficando chegando muitos brancos, ficando difícil praticar os rituais próximo a civilização. Muitos indígenas mudavam de aldeias por questões de religião, perseguição ou algum motivo , saiu de Pankararu Maria Xulé, onde foi morar na Ilha de São Pedro junto aos Xocós. Depois de Alguns anos seus sobrinhos José Ribeiro, Pedro Alexandre e Manoel Alexandre também segue o roteiro de sua tia  Maria Xulé , chegaram  na Ilha de São Pedro.
Leopoldo, filho de Inocencio Muirá
José Ribeiro Sabino Pires casou com Jeturdes neta de Tereza Muirá que tive o filho Inocencio Pires Muirá. Pedro Alexandre conta os mais velhos foi morar em Serra Negra e construiu uma grande família. Inocencio Pires Muirá foi grande lider dos Xocós no Século XIX, casou com Tertalina e teve os filhos : Rosa, Joaquim, Analbertino, Ormina e Firmino. Rosa teve os filhos : Zabé, Alice, Azira, Nazaré, Ancila, Noemia, Luizinho, José, Maria. Zabé teve os filhos : Domingos, Norina, Antonio e Nelça. Alice teve os filhos : Miguel, João, e mais duas filhas. Azira teve os filhos : José e Leonidas. Nazaré teve os filhos : Ninha, Rosa, Tuninha, Zé Peixe Seco, Luiz e uma menina. Ancila não teve filhos. Noemia teve os filhos : Lúcia, Helena, Ana Rosa, Lurde, Lenivaldo e José. Luizinho teve os filhos : Leda, Bosco, José Augusto e mais cinco filhos. Amtonio Joaquim filho de Inocencio Pires Muirá casou com Cecília e teve os filhos : Odilon, Antonio Joaquim  Filho, Pedro, Raquel, Maria e Ana Bela. Odilon filho de Antonio Juaquim teve os filhos : Josias, Moisés, Manoel Messsias, Margarida, Moaci, Maria Valdenoura, José Pires, Mariana, Maria José e teve mais seis filhos. Antonio Juaquim Filho teve os filhos : Nina, Toinho e José Augusto. Pedro Pires teve o filho Roberto. Raquel teve uma filha Maria de Augusto. Maria não teve filhos. Ana Bela teve os filhos : Juracilda, Ana e Antonieta. Analbertino filho de Inocencio Pires casou com Virginia e não teve filhos biológicos, criou uma filha de sua irmã Ormina chamada Edite. Firmino Pires casou com Selé e teve os filhos : Leanou,José Pires, Bonival, Vandete e Inocencio Pires Neto.  Leanou casou com João Niceto e teve os filhos: Maria Tinga, Luiz ( Lula) e Antônio Felismino .Inocêcio Pires Muirá  teve um filho com Rosa Serafina , filha do José Serafim de Souza Ex-Capitão-Mor da Missão de São Pedro, o menino foi chamado de Leopoldo, deste nasceu a índia Maria de Curi que tem uma grande família na tribo. Ormina Pires casou com Antonio Marinho e teve uma filha Julia Pires. Ormina morreu de parto,  Júlia Pires foi criada pelo Avó Inocencio Pires e Tertalina. Julia Pires casou com manoel Nunes de Oliveira e teve os filhos : Alírio Nunes, Antonio Nunes, Edite, Ivete, Paulo, Josival e Neci. Alirio Nunes da família Muirá casou com Maria de Luordes Ferreira da familia Baca e tive os seguintes filhos : Marinalva, Lindinalva, Hélia, Antonio Carlos, Maria de Lourdes Filha, José Nunes de Oliveira, e Erílio Nunes e teve mais tres filhos que morreram.


Nhenety Kariri-Xoco