domingo, 13 de junho de 2021

O REINO DO FORRÓ 1





Literatura de Cordel


Autor : Nhenety Kariri-Xocó 


Parte 1



Nossa música junina chegou

Desde este período colonial

Os festejos do mês de junho

Celebradas com o cerimonial

Santo Antônio, São João e o

São Pedro fogueira no arraial.


A Galiza e norte de Portugal

Num elo semântico forbodó

Na dança o golpe de bumbo

Para o nordestino forrobodó

Origem da Península Ibérica

Que nesse Brasil virou xodó.


Surgiram desde século XVI

Com jesuítas na celebração

Essas escolas os indígenas

Para seguir a comemoração

Música espalhou pelo Brasil

Houve uma grande aceitação.


Na sanfona, triângulo como

Reco-reco base portuguesa

Foram trazidos para o Brasil

Mas seria a classe burguesa

As roupas caipira ou saloias 

No foguetório com luz acesa.


O ano de 1603 como falou

Segundo Frei São Salvador

Índio amigo das novidades

Que amavam no esplendor

Com foguetes estrondosos

Trazidos pelo conquistador.


Elevação Brasil a Vice-Reino

Em 1763 mudando da capital

De Salvador ao Rio de Janeiro

A nomeação Capitão-General

Conde Antônio Alves da Cunha

Término do Governador-Geral .


Portugueses trazem da Ásia

Papéis coloridos a decoração

Dos enfeites com bandeirolas

Para animar a comemoração

Belos balões subindo ao céu

Por aqui tiveram a adequação .


Um Brasil agora era um reino

Está chegando Família Real

Da Europa veio com requinte

Por no costume internacional

Passado o momento novidade

Modificando todo tradicional .


Temos a quadrilha brasileira 

Originada no salão de dança

Chegando da França o voga

Quatro os pares a confiança

De seu nome seria quadrille

Tornando-se essa festança.


A quadrilha se popularizou

Contudo danças brasileiras

Aumentou número de pares

Expostas entre duas fileiras

Nesses ritmos os franceses

Iluminadas pelas fogueiras.


Pernambuco com forrobodó

Conhecidos bailes populares

Forrobodão ou forrobodança

Chegando por todos os lares

Foi nesse final do século XIX

Dançando agarrado aos pares.


Já iniciando todo século XX

Britânicos com engenheiros

Na ferrovia do Great Western 

Promovendo bailes primeiros

Nordestinos chamam " forró "

Com zabumba e sanfoneiros.


Esta a língua inglesa for all 

Para todos num significado

Originado o seu nome forró

Esse jeitinho tão modificado

Por todo o sertão nordestino

Recebendo assim certificado .


Quando falamos em forró

Animação que lembramos

Período das festas juninas 

São João que celebramos

São Pedro reino da alegria

Apaixonados nós ficamos .


Acontece todo mês de junho

Recebendo o nome de junina

De Portugal chega ao Brasil

Inicialmente entedia joanina

Na causa festejava São João

Dançando mulher e menina .


Cultura do forró nordestino

No "pé de serra" conhecido

Das belas festas do Interior

São João fica adormecido

Assim diz a lenda do santo

Que não sabe do acontecido.


Na época propícia do milho

Da comida típica da tradição

Canjica, pamonha e munguzá

Quem tem a maior condição

Com pipoca, bolo na culinária

Até pode comer sem restrição .


Fogos artifício na celebração

Acendendo tição na fogueira

Começando na boca da noite

Traques, bombas e roqueira

Fumaça no cheiro da pólvora

Vem da mulher bacamarteira .



Continua




sexta-feira, 11 de junho de 2021

DESENVOLVIMENTO HUMANO KARIRI-XOCÓ


       Povo Kariri-Xocó localizado no município de Porto Real do Colégio, Alagoas, vivem segundo seus costumes e tradições nativas. Apesar de longo tempo de contato com colonizadores, desde o século XVII , iniciado pelos jesuítas.

      Nos ritos das tradições , apresentam o Toré conjunto de cantos e danças indígenas, com fortes evidências culturais marcantes dessa comunidade do Baixo São Francisco. O Toré tem regras iniciando por assobio forte , feito por o participante. Na composição do grupo da dança é formado três círculos, no centro as crianças, no meio os homens e fechando o círculo das mulheres.

      Na cerâmica utilitária é uma atividade tipicamente feminina, na confecção de objetos de barro, como potes , panelas e frigideiras. Os homens somente podem queimar a cerâmica em forno, mas o processo de produção é das mulheres, isso é uma regra tradicional.

       Na agricultura os homens fazem a preparação do solo, coivara, as mulheres fazem o plantio. Na limpa as pessas do sexo masculino trabalha nos tratos culturais da retirada do mato. A colheita também é feita pelas mulheres, seguindo esse costume de geração em geração.

       A tradição principal deste povo indígena, tem o Ouricuri, uma floresta de aproximadamente 100 hectares do bioma caatinga. Tem a aldeia tradicional, que fica distante da aglomeração urbana cerca de 6 Km. No passado as tradições do Ouricuri foi muito perseguida pelos jesuítas, para implementar a evangelização dos povos nativos no rio Opará ( nome como era conhecido o rio São Francisco ) pelos indígenas. Por essa razão o ritual do Ouricuri é guardado em segredo pelos Kariri-Xocó.

       No estado de Alagoas os Kariri-Xocó, foram os primeiros povos indígenas reconhecidos pelo S.P.I. ( Serviço de Proteção aos Índios ) em 1944. Atualmente tem uma população de aproximadamente 3.500 indígenas, vivendo o seu modo seguindo seus costumes e tradições, de forma livre , sob o proteção da Constituição de 1988, previstas nos artigos 231 e 232, que dispõe dos direitos indígenas, referentes as suas terras, costumes, tradições , sua organização social e suas crenças.


domingo, 30 de maio de 2021

POVO DO OPARÁ 11





Literatura de Cordel

Autor: Nhenety Kariri-Xocó 

Parte 11




DADOS BIOGRÁFICOS DO AUTOR:


 


      José Nunes de Oliveira ( Nhenety ), indígena Kariri-Xocó, nasceu dia 10 de setembro de 1963, no município de Porto Real do Colégio-AL, filho de Alírio Nunes de Oliveira e Maria de Lourdes Ferreira dos Santos. José Nunes é o nono filho do casal, é casado com Joana dos Santos Nunes, com quem tem quatro filhos, Euclides Santos Nunes, Rayane Santos Oliveira, Awbiran Santos Nunes e Layane Santos Nunes. José Nunes é escritor, mestre da cultura popular, cordelista, atua na ONG Thydewá na produção de Ebooks, blogueiro. José Nunes já percorreu o Brasil inteiro , divulgando a cultura do Povo Kariri-Xocó em fóruns, congresso, seminários, palestrante. Atualmente atua na Aldeia onde mora , mas estar sempre focado na cultura dos povos do Baixo São Francisco, em reuniões online em LIVES temáticas como Consultor.





Consultado por meio da ferramenta ChatGPT (OpenAI), inteligência artificial como apoio para elaboração da capa do cordel dia 21 de abril de 2025.







POVO DO OPARÁ 10





Literatura de Cordel


Autor: Nhenety Kariri-Xocó 


Parte 10



Mudança da Rua dos Índios

Trouxe uma certa liberdade

Em território mais reservado

Não muito distante da cidade

Os Kariri-Xocó denominados

Com essa nova etnicidade .


A Fazenda Modelo ocupada

Apresentando boa estrutura

Com as lagoas boas de peixe

Além das terras a agricultura

Um bom barro para cerâmica

Mantendo viva nossa cultura .


Com o São João e São Pedro 

Festejados na comemoração

Antônio Tinga puxando o toré

No maracá dando a marcação

O Mané Pretinho e Zé de Ouro

No rítmo simboliza unificação .


Fogueiras acesas nas portas

Toré durava ao dia amanhecer

São João e São Pedro marcou

Jamais poderemos esquecer

Praticando o canto as danças

Para a comunidade fortalecer .


Sem as moradias suficientes

O Povo mora em alojamentos

A construção das 110 casas 

Ano 1981 nos investimentos

Com a Embaixada o Canadá

Quem promove pagamentos .


Brasília bem próxima do índio

A FUNAI junto ao Congresso

Indígenas vindos dos estados

Acompanhando no progresso 

Pois sair assim do isolamento

Ganhando com seu sucesso .


Levar todas as reivindicações

Projetos de desenvolvimento

Máquinas com seus insumos

Carros, trator no equipamento

Ano 1982  já tudinho arrumado

Já em pleno o funcionamento .


Caciques de Alagoas unidos

Criaram  uma Administração

Fundação Nacional do Índio

Sede regional de integração

Cada povo o Posto Indígena

No ano 1985 sua instalação .


Comemoração de 10 anos

Da Entrada da Sementeira

Teve 1ª Olimpíada do Índio

Os jogos com a brincadeira

Até casamentos coletivos

Ano 1988 a semana inteira .


No ano 1993 luta de Karapotó

As terras estava com usineiro

O município de São Sebastião

Vindos índios do Brasil inteiro

Apoiar os parentes alagoanos

Os Kariri-Xocó foram primeiro .


Os Karapotó retribuiu depois

Ano 1994 apoio na ocupação

Cercado Grande conquistado

Da polícia contra mobilização

Terras foram tão importantes

No processo de demarcação .


A tristeza neste mesmo ano

Que morreu duas lideranças

O Francisquinho e Zé de Ouro

Trazendo velhas lembranças

Anciões na tradição Indígena

Mas renovando esperanças .


No ano 1995 os Kariri-Xocó 

Terra Indígena na Integração

Unificação Áreas Contínuas

Realizadas a 1ª Demarcação 

O pagamento dos posseiros 

Foi concluída a indenização .


A visita do Grupo Técnico

No processo demarcatório

Reestudo da Terra Indígena

Em Kariri-Xocó no Território

Colégio e São Brás em 1999

Com conclusão do relatório .


Internet Aldeia Kariri-Xocó

Os indígenas na Era Digital

GESAC Governo Eletrônico

Ano 2004 no mundo virtual

Thydewá Rede Índios Online

A ONG não governamental .


Em Gilberto Pinto Figueiredo

Esta Escola Indígena Federal

Funciona aqui no Kariri-Xocó

Para o nosso Ensino Estadual

Com Corpo Docente em 2006 

Incluindo Secretaria Municipal .


O Ponto de Cultura na Aldeia

Em 2009 Horizonte Circular

Integra Secretaria da Cultura

de Alagoas vai logo formular

Pajé Francisco Queiroz Suíra

Participar na atividade escolar .


Na Reforma da Rede Elétrica

Nossa energia com problema

Mudará Kariri-Xocó ano 2011

Eletrobrás com novo sistema

Da renovação das instalações

Que Resolveu o velho dilema .


A Inauguração do Pólo Base

Parecendo um mini-hospital

No dia 15 de maio ano 2014 

Da Saúde Indígena Especial 

Localizado nessa Kariri-Xocó 

Atendendo Unidade distrital  .


Na Minha Casa Minha Vida

Com famílias contempladas

Aldeia Kariri-Xocó ano 2016

Mais 350 casas terminadas

Da Caixa Econômica Federal

Programa as obras liberadas .


Ampliação do DNIT BR 101

Teria impactos ambientais

Reduzindo a Terra Indígena

Libera os recursos federais

Numa aquisição de veículos

Participa associações locais.


Na Pandemia da COVID 19

Indígenas foram vacinados

Chega as cidades em 2021 

Tendo pais desempregados

A crise vai completar 2 anos

Problemas não solucionados .


Como águas do rio vão seguir

Onde vivem todo Povo Opará

Que sempre viveram por aqui

Doença na fumaça dissipará

Várias pandemias já vieram

Mas quem acredita escapará .



Continua 




sábado, 29 de maio de 2021

POVO DO OPARÁ 9





Literatura de Cordel


Autor: Nhenety Kariri-Xocó 


Parte 9



Cana-de-açúcar em Alagoas

No sul estava em expansão

Ano 1974 índios colegienses

Buscar recursos a distensão

Portanto trabalhar nas usinas

Tão longínqua essa extensão .


A zona da mata alagoana

Nas mãos de empreiteiros

Índios penava no barracão

Contudo dever a usineiros

Pegava dinheiro adiantado

Dos homens embrulheiros .


Descrever a Rua dos Índios

Numa forma leve brevidade

Havia um grande pé de coité

Que os índios tem saudade

Com homens pisando arroz

Relembrando a dificuldade . 


Um Serviço Médico Volante

Ônibus de Recife do Furural

Fazendo circular nas aldeias

Por ordem o Governo Federal

Atendendo índios e brancos

Numa certa maneira no geral .


Falando da Várzea do Itiúba

A área natural de inundação

Ano 1975 logo transformada

No belo projeto da irrigação

Compreendiam 300 famílias

Na cultura arroz a plantação .


Estão as famílias indígenas

Chegando a 40 cadastrados

Para receber áreas de terras

e Lotes bastantes irrigados

Engrandecendo o município

Assim a todos cooperados .


Com renda subindo muito

Melhorou de toda maneira 

Os índios comprando a TV,

Possuir móveis e geladeira

Na luz com energia elétrica

Assim vem água de torneira .


Criado Kariri Esporte Clube

De futebol na comunidade

Com sede no Bar do Pilão

Do ano 1975 nesta cidade 

Os jogos a Rua dos Índios

Havia dança e festividade .


A praça Pelé gente pulava

As machinhas de carnaval

O povo animando no frevo

Mas parecendo o vendaval

Niraldo e Antônio com sax

No comando deste festival .


O Toca Discos animando

Nos sucessos as paradas

Os rapazes curtindo tudo

As belíssimas namoradas

Adultos tomando a pinga

Outros comendo cocadas .


Mesmo assim com alegria

Comunidade tem problema

Estava iniciando nossa luta

Da terra esse era o dilema

Rua não havia mais espaço

Com tal modelo de sistema .


Retirar barro das lagoas

Para cerâmica potencial

Considerando a atividade

Mulheres fator essencial

A sobrevivência do grupo

Equilibrar harmonia social .


Com cerâmica valorizada

Aumentando a produção

Proprietários das lagoas

Ordenando sua proibição

Impedir índios tirar barro

Como eventual extração .


Por proibição dessa argila

Sair índios da rua o crucial 

O povo reunindo na escola

Uma solução emergencial 

O Cícero Santiago ano 1977

A carta ao setor ministerial .


Neste documento relatava 

Terra e lagoas tradicionais

Ministro do Interior buscou

Entendimento intersetoriais

Entre a FUNAI e CODEVASF 

As formalidades regimentais .


O Presidente da CODEVASF

Nilo Peçanha tenta oferecer

100 hectares na Sementeira

Índios não atendem parecer

Porque tal Fazenda Modelo

Dos indígenas ela pertencer .


Dia 31 de outubro ano 1978

Na semana uma terça feira

Os índios saíram do Ouricuri

Logo entram na Sementeira

Ocuparam Fazenda Modelo

Com sua comunidade inteira .


Assim distribuídas famílias

Na escola para localização

Nesta boa Fazenda Federal

A Casa Grande acomodação

Estrada teve bloqueio geral 

Os homens atentos na ação .


Na Nova Aldeia Kariri-Xocó

Antigo Território Tradicional

O Alto do Bode a localização

Era Ouricuri da Taba Original

Mencionado pelas memórias

Noticiário divulgando jornal .


A grande enchente de 1979

Alagando aldeias e cidades

Foi no Baixo São Francisco

No estado de calamidades

Como Porto Real do Colégio

Tão visitado por autoridades .


Após de tanto sofrimento

Nesta terra o índio ganhou

O Governo Federal resolveu 

Problema que acompanhou

Esta vitória dos Kariri-Xocó

A união que desempenhou .



Continua




sexta-feira, 28 de maio de 2021

POVO DO OPARÁ 8





Literatura de Cordel


Autor: Nhenety Kariri-Xocó 


Parte 8



A original cerâmica utilitária

Durante séculos de contato

Desses indígenas de Colégio

Muito além da panela e prato

Vendem ou trocam produtos

Em larga escala bem barato .


Atrás a casa do velho Gringo

Existindo o forno de queimar

Comporta cerca 120 objetos 

Com ele e as índias arrumar

Colocava toda lenha no fogo

Após longa rodada no fumar .


Logo estava tudo pronto

Estava na hora de vender

Colocava potes na canoa

Com os brancos entender 

O Sr. Demézio e Marietinha

Junto a elas compreender .


Muitas vezes subiam no rio

Canoas passavam semanas

Vendia tudo nas povoações

Trocavam potes por bananas

Traziam as galinhas e farinha

Até mesmo feixes de canas .


No som "Canoa dos Portos "

Consiste o grito da criança

Que ficavam num barranco

Chegava trazia a esperança

Os indígenas estão voltando

Com alimento da bonança .


Das mulheres ceramistas

Lembramos de Luíza Binga

Júlia Pires , Laudilina , além

Dona Lurdes e Maria Tinga 

Com sua produção vendida 

Perto no povoado Azaninga .


Numa tradição dos barcos

As mercadorias era levada

Seria de Propriá ao Penedo

Por ser economia aprovada

A canoa Canindé foi a maior

Neste rio ela já comprovada .


Cidade na Estação o Trem

Chegava em Colégio ficava 

Havia o Armazém Carnaúba 

Que estivador alí trabalhava

A Maria Fumaça buzinando

Onde todo mundo escutava .


Bastante comum no Colégio

Vários grupos de seresteiros

O ano 1966 nas ruas a cantar

Com cavaquinho os violeiros

Junto a André e Lú de Queiroz

Zé Costa seus companheiros .


Desde 1967 as ferry-boats

Transporte de passageiros

Rede RFFSA trem de carga

Trazia minérios e mineiros

Para Porto Real do Colégio

Chegando até estrangeiros .


O Serviço de Auto-falante 

Ano 1968 pirulito da praça

Programa Domingo Jovem

Ouvimos músicas de graça

Zé Luiz que animava o povo

Com sua voz o povo abraça .


A antiga Fábrica de Arroz

Agora estava desativada 

O Sr. Ilário Veiga seu dono

Essa era Empresa Privada

Logo após a Mário Barreto

Quando ficou abandonada .


Ano 1970 chega COENG.S/A 

De Engenharia e Construção

Na sede o prédio da Fábrica

Terra planagem em produção

Para pavimentação a BR 101

Seria aos índios boa solução .


A construção de uma ponte

Rodovia passando a cidade

Balsas atravessando carros

No São Francisco a facilidade

Comércio que cresceu tanto

O povo com tanta felicidade .


Colégio o Porto de Baixo

Os caminhões chegando

Subindo naquelas balsas

Com pessoas negociando

Havendo grande palhoção

Toda hora música tocando .


Empresa Andrade Gutierrez

Índios na profissionalização

Muitos Trabalham na BR 101

Ponte enfim teve finalização

O dia 2 de dezembro de 1972

Foi uma festa a inauguração .


O acontecimento marcante

Abrangendo o nível nacional

Fervilhando carros na ponte

Tocando o nosso emocional

Ponte sobre o São Francisco

Mudou transporte tradicional .


Nas velhas canoas do rio

Transportava passageiros

Substituídas embarcações

Com motor de engenheiros

Tupã, Tupi e Tupigy nestas

Lanchas esses marinheiros .


A Nordeste e Iraci Tononé

Lanchas o índio Zé Gatinho

A canoa do Cacique Cícero

O povo tinha muito carinho

Aqui é para da certo a rima

Ficando no verso direitinho .


O período no mesmo ano

Rua dos Índios reformada

A FUNAI rebocando casas

Antigas de barro arruinada 

Chefiando o posto Ademir

Queria habitação rebocada .


O Porto Real do Colégio

Na Era da Comunicação

A TV na década de 1970

Com os jogos da seleção

No Barzinho Sr. Américo

Brasil na comemoração .


Cine Veneza de Propriá

Em Colégio tinha sessão 

Na casa Salão Paroquial 

Filme Hércules e Sansão

O povo enchendo a sala

Como séries de televisão .



Continua




quinta-feira, 27 de maio de 2021

POVO DO OPARÁ 7





Literatura de Cordel


Autor: Nhenety Kariri-Xocó 


Parte 7



Posto Padre Alfredo Damaso

Do nome dado quando criado

No dia 20 de março ano 1944

Isso Kariris ficam oficializado

Com uma escola e enfermaria

Na cidade de Colégio ao lado .


Mesmo com criação do Posto

Ainda havendo uma confusão

Contra o Cacique Otávio Nidé 

Direto para cadeia na inclusão

A polícia prendendo este índio

Pelas palavras com a difusão .


O chefe do Posto Cavalcante

foi a delegacia acompanhado

Quando índios soltaram Otávio

Depois de haver ele apanhado

Culpado seria o Prefeito local

Por ventura havia denunciado .


Esquina da Rua dos Índios

O posto mudou a situação

Pessoas muito contentes 

Com saúde e sua educação

Os indígenas reconhecidos

Po um Governo da Nação .


Dados levantados de 1945

Havendo o recenseamento

Com 67 choupanas de palha

Nesse estudo do momento

Nos registros 166 indígenas

Rua dos Índios povoamento .


O dia 4 de agosto ano 1947

Doação do Governo Federal

Foi de 54 hectares as terras

Para famílias num numeral

Área de todos índios plantar

A Colônia nesta forma geral .


Esta área doada ao posto

Desmembrada Sementeira

O Ministério da Agricultura

Seria uma terra de primeira 

Com índios fazendo casas 

Nas sua roça e a bananeira .


Morar na Colônia Indígena

Os índios fazendo mutirão

Plantam milho e mandioca

Cantando bem alto o rojão

Também entoar num canto

O verso batimento do feijão .


Faziam suas casas de taipa

Todas cobertas com palha

Com os artifícios de pesca

Teciam bem redes de malha 

Possuindo cavalo bacheiro 

No seu lado uma cangalha .


Ano de 1950 chega o trem

Nessa sua ferrovia na terra 

Atravessando pela Colônia 

Cortando o morro e a serra

O território ficando restrito

A negociação que emperra .


Acontecendo um fato triste

Que nesta Colônia ocorreu

O índio Kadête acidentado

Por seus ferimentos morreu

Foi o trem que tudo causou

Porque na atravessia correu .


Com as roças em demanda

O Posto fez casa de farinha

Numa Colônia bem assistida

Atendia produção que tinha

Os índios plantavam de tudo

Melancia, manga e até pinha .


Índios moravam no Ouricuri

A Colônia havia onde plantar

Construindo as belas casas

Vinham aos outros se juntar

Isso ocorrendo ano de 1952

Quando chegou implementar .


Retornar a Rua dos Índios

Havendo o pé de marizeiro

Nos quintais dos indígenas

Fundo a Lagoa do Cordeiro

Kariri Porto Real do Colégio

Este povo muito pesqueiro .


Numa pescaria do caniço

Existia uma grande fartura

Peixes de vários tamanhos

Do sabor da nossa cultura

Variava o bagre e crumatá

Muito gostoso sua textura .


Na Lagoa Grande do lado

Sombreada por ingazeiros

O peixe que entrava no rio

Numa força os aguaceiros

Índios trabalham no arroz

Sob o sistema de meeiros .


As histórias eram contadas

Por anciões como tradição

Otávio e Euclides já a noite

Numa viagem de expedição 

Os antepassados lembrados

Por esta tão longa descrição .


Essa N. Srª. da Conceição

Nas novenas tão animadas

O povo que rezava na igreja

Em altas vozes aclamadas 

No céu fogos de artifícios

Com suas luzes inflamadas .


Bom Jesus dos Navegantes

Sempre era o final de janeiro

Joaquim a Banda de Pífanos

Existindo reisado e guerreiro

Um foguetório na beira do rio

Quando termina em fevereiro .


As manifestações culturais

Necessário agente lembrar

Reunir índios com brancos

Nestas festas a comemorar

Numa fé destes padroeiros

Na devoção queriam adorar .



Continua