segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A NATUREZA NOSSO LAR



      Nós povo Kariri-Xocó moramos nas margens do Rio Opara( Rio São Francisco ) denominado pelos nossos antepassados, gostamos muito da nossa Mata do Ouricuri em formações  vegetais de Caatinga com mata Atlântica  onde  conhecemos muitas plantas pelos ensinamentos passados de geração em geração . As copas das árvores do angico faz uma sombra agradável, sua casca medicinal serve para gripe e um anti-inflamatório, a aroeira outra espécie tem grande dimensão, também muito útil um poderoso cicratizante. Nossa vida na natureza somente com a matéria prima da floresta . Na construção da casa troncos para as estruturas da residência, as paredes com esteios de quixabeira e amarrados com cipós  resistentes ,a cobertura com palha de Ouricuri aguentava chuvas fortes, a cama de dormi era feita de vara de marmeleiro, a mobília do índio um pilão de madeira  cana fístula no canto da casa, jereré com fibra de algodão confeccionado em arco de juá mirim pendurado na parede muitas vezes utilizado pelo pescador . O transporte das canoas feita de mulungu subia e descia o rio, no porto da aldeia muitas embarcações, cada família possuía a sua, todo mundo era feliz. As vasilhas feita do fruto do coité, pratinhos de cuias colocado no chão em forma circular formando nossa mesa do jantar, meninos, jovens e os pais da família distribuía a comida em porções, carne de ave nambu , mandioca com uvaia fruta tirada da mata. Para dor de barriga as mulheres utilizava a casca de imburana cura diária, encontrar o remédio é só pegar ali onde quiser  não custa nada, apenas devemos ter  muito respeito para preservar nossa floresta, assim vamos ter nossos produtos naturais disponível para toda a comunidade. Os cantos dos pássaros anima preenche vazio da solidão, todos os animais faz seu comunicado em suas próprias sonoridade , cada bicho tem seu lugar de morar, imagine um animal desse extinto quanta falta vai fazer para nossa tradição , ficaremos muito triste por não mais ouvi aquela harmonia sagrada de todos os seres da terra.

Nhenety Kariri-Xocó

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

MEMÓRIA DA TERRA



Sabemos como é nosso território porque nossos antepassados nos disseram, onde construímos nossas aldeias são lugares escolhidos por oferecer melhores condições de moradia. A terra que conhecemos não tinha divisão com cercas de arame farpado, nosso direito não estava limitado léguas de terras em sesmarias medida pelo colonizador, depois oficializado pelos governos posteriores do império e da república. Nossos antepassados diziam que a Terra estar ligada a toda a natureza, sol, lua, chuvas, rios, mar, floresta, dia, noite, verão, inverno.  Retiramos a argila boa para a cerâmica nas margens das lagoas, tem uma cor marrom escura, dela confeccionamos potes, moringas, pratos de barro. Na parte alta de nossa terra retiramos a argila vermelha muito resistente para fazer panelas de barro, frigideiras, cuscuzeiros. Para a pintura corporal retiramos nas fontes da terra o “ Tawá “ argila branca, onde fazemos nossos traços com desenhos na pele dos guerreiros e cantadores de Toré, as mulheres indígenas também utilizam esta substancia para pintar a cerâmica . No subsolo estar guardado muitos antepassados  em “ igaçabas “ grandes potes de barro onde enterravam os nossos mortos, tem machados de pedras, panelas, pontas de flechas de ossos, tudo isso é uma grande Memória. Cada camada de terra tem uma história registrada pelo tempo desde nossa origem primeira, preservar nosso território corresponde assegurar a Memória da Mãe Terra, defendemos nossos territórios porque nele estar os registros de nossa cultura, ao longo dos séculos construímos uma relação com o torrão natal. Ficamos muitos tristes porque a maior parte de nosso território estar nas mãos de pessoas estranhas que não respeitam os valores nativos , destroem a terra, tirando minérios, poluindo os rios, construindo cidades, acabando com nossos vestígios sagrados . O relevo terrestre  tem nomes indígenas Serra da Maraba, Serra da Apreaca, Várzea do Itiúba, Lagoa do Coité, Baixa do Paturi, Grota do Cambotá, Rio Tibirí, Margem da Maricota . Quando veio o colonizador veio mudando os nomes dos lugares do Território Indígena  língua portuguesa : Morro do São Caetano , Rio São Francisco, Morro da Viúva, Pedra do Castro. Mas nossa força cultural é tão viva que muitos das povoações criadas por eles receberam nomes nativos :  Aldeia Urubu-Mirim , Povoados Tapera, Tibirí, Tucuns, Angico, Sucupira, Girau do Itiúba e Povoado Kariri. Pela Memória da Mãe Terra sabemos os lugares para cada coisa, local de plantar as roças, caçar os tipos de animais pelos hábitos alimentares dos bichos, onde tem os tipos de peixes de acordo com o tipo de ambiente das espécies dos rios , bando de aves aquáticas das lagoas. Cada povo tem sua Memória da Mãe Terra, em cada ecossistema um acervo da sabedoria nativa sobre a relação com a natureza, na sua cultura e vivencia local atravessando os tempos históricos.  Por causa da terra muitos povos indígenas foram exterminados, os colonizadores retiraram  as riquezas de nosso território, cortaram o pau-brasil, escravizaram muitas tribos, evangelizaram os sobreviventes que eles poderiam capturar , outros indígenas fugiram para o interior das florestas distantes. Os índios que ficaram na Missão Religiosa do Colégio dos Jesuítas  miscigenaram com outras etnias europeias e africanas, dando origem ao povo brasileiro, neste país só queremos exercer nossas tradições, com nossa cultura, ser respeitado como povo indígena, exigimos nossos direitos garantidos pela Constituição Federal, Direitos Humanos por uma Terra de Paz.

Nhenety Kariri-Xocó


 

PRAGAS DO PASSADO

Infestação de Grilos
  Com a derrubada da floresta na região litorânea de Alagoas, em 1600,insetos nocivos aos seres humanos foram viver nas áreas hurbanas. Na Aldeia Kariri-Xocó, os índios que viveram entre os séculos XIX, XX e XXI,nos deram informações dessas pragas que infestavama a tribo:” Pulgas, persevejos, mucuranas, piolhos, pixilingas, baratas, barbeiro, mosquitos e barbeiro”. Considerando que essas pragas tiveram sua época, de maior ocorrência na vida dos índios. Nas casas dos índios as pulgas dos ratos,saltavam na cama, ficava nos lençóis e colchões de capim mordiam pra valer. Os persevejos sulgavam o sangue das pessoas que dormiam, deixando calombos na pele. As mucuranas piolhos listrados, ficavam na roupa da gente mordendo toda hora. Nas cabeças dos índios estavam repletos de piolhos, causando feridas pelas coceiras, um incômodo constante. Nas portas das casas viam mulheres catando piolhos nos filhos no colo, estalando léndeias na unha. Nos quintais cercados com estacas de madeira, os índios criavam galinhas caipira,as aves eram hospedeiras das pixilingas, pequeninos insetos que furvilhava os rostos, invadiam os quartos das casas. Nos esconderijos escuros das chopanas de palha, as baratas, causavam espanto na sala. Em 1980 conhecemos o perigo do barbeiro, causador do mal de chagas, os besouros ficavam nas paredes das casas sem rebouco. O Barbeiro pelo mal de chagas causou a morte dos índios : José Firlimino e José Pires em 1992. Além das pragas da agricultura lagartas, gafanhotos, ratos, gorgulhos, pulgão e bicudo, que atacavam milho, feijão e algodão. Esses fatos aconteceram em nossa aldeia entre 1890 a 2004. Atualmente o mosquito aumentou sua população no meio ambiente, á vários anos, não nos deixam sossegados. Este ano de 2013 teve grande praga de grilos na aldeia e principalmente na cidade de Porto Real do Colégio, infestando casas, ruas ficavam repletas de insetos causando mal cheiro.  
  http://www.indiosonline.net/pragas_do_passado/   .

Nhenety Kariri-Xocó.

domingo, 1 de setembro de 2013

BATIMENTO DE FEIJÃO


    Quando chega a época da colheita do feijão de arranca, no mês de julho, os agricultores Kariri-Xocó, vai para as roças fazer o terreiro, lugar onde será feito o trabalho de mutirão, arrancando feijão. O dono da roça convida os amigos de campo, agricultores vizinhos de aceiros, avisando com antecedência, que com três dias vai haver o” Batimento de Feijão”. Ele arruma comida para a panelada, feijoada, com toucinho de porco, língua de boi, tripa, bofe e passarinha, para dar força nos braços. Também leva cachaça, para animar os homens, no dia marcado do batimento, vem chegando cada um com cacete de lado, e perguntam que hora vamos começar, o dono do serviço logo responde : “ começamos já , vamos tomar café, para esquentar o bucho” . O terreiro estar com uma ruma de feijão, forma as pareias, tipo um quadrado, cada pessoa bate o cacete na palha, debulhando o feijão, o outro bate em seguida, de mo seqüenciado, de forma sem intervalo. O feijão batido é ensacado, a palha colocada de lado, entra outro quarteto de homens, para descançar o primeiro grupo, que agora vam beber água, outros fumar cachimbo de pau, com fumo de rolo. O Batimento de feijão de arranca , é um trabalho muito animado, tem cantos de batalhão, como no tapamento da casa de taipa. Após o batimento os trabalhadores vai comer a feijoada, debaixo do juazeiro verde , quando tudo termina, o dono da roça agradece a todos que trabalharam, promete também participar, do Batimento de Feijão, do agricultor que chamar, fica devendo obrigação, em retribuir o que recebeu , a energia da coletividade. Agora muitas coisas estar mudando casa vez mais os agricultores indígenas estão ficando velhos, os mais novos não querem plantar na roça porque arrumaram outras profissões : são pedreiros, carpinteiros etc... somente alguns plantam para matar a saudade de comer um feijão verde. Ainda bem que temos alguma pessoa que planta e bate feijão como antigamente, somos indígenas, nossos costumes devem continuar.   http://www.indiosonline.net/batimento_de_feijao/    .

Nhenety Kariri-Xocó.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

TRABALHO, DESEMPREGO E PROGRAMAS



Terra Planagem do local da construção das casas
Indígenas trabalhando no transporte de materiais
   O Projeto Itiúba da Várzea de Porto Real do Colégio, empregava muitas famílias indígena na mão de obra , no plantio de arroz irrigado . Com invenção de máquinas plantadeiras e colheitadeiras desempregou muita gente, as máquinas faz todo o serviço que antes era feito pelos trabalhadores. Na decadencia do arroz em nosso município a Vázea do Itiúba , planta cana-de-açúcar, financiada por usineiros, empregando temporariamente poucas pessoas, outras máquinas também faz todo o serviço. O arroz irrigado exigia muita mão-de-obra, na semeadura, arracar plantas, plantação, corte e batimento. As pessoas não tem onde trabalhar, alguns homens viajam fora da aldeia para ganhar o salário. Aqueles que são pedreiros, carpinteiros e armadores vam procurar nas empressas da construção civíl. As roças a FUNAI, dava uma tarefa de terra arada, por família, 7 Kg de milho e de feijão, esse era o Programa da Agricultura, feito pelo órgão indigenísta, para as aldeias de Alagoas. O desemprego é visível, pessoas assistindo televisão, virou rotina, por não ter o que fazer. A sorte de muitas famílias de casais, são os velhos aposentados do INSS, que ajudam os netos, na alimentação. A olaria faliu, os tijolos manuais, perdeu mercado para os blocos da cerâmica. Trimestralmente vem as feiras da CONAB, 50 Kg de alimentação. O PETI ( Programa de Erradicação do Trabalho Infantil ), atende muitos meninos e jovens, que estudam na escola da tribo em 2006 .
Indígenas no serviço de fundação da base das casas
O Bolsa Família, programa social do Governo Federal também atendem pessoas abaixo da linha da pobreza. As associações de desenvolvimento comunitário, faz um trabalho social, na implantação de projetos de subsistência, financiamento do PRONAF ( Programa Nacional da Agricultura Familiar ). Isso explica como a comunidade indígena, sobrevive na luta constante, com as mudanças da ordem econômica, políta que ocorre no mundo, chega no nível local até as aldeias. Com a Ampliação da BR 101 que corta a a Terra Indígena Kariri-Xocó, muitos indígenas trabalhou na construção da estrada em 2012 e 2013, ainda tem indígenas no serviço, mas estar terminando a obra. Agora este ano em 2013 vai ser construído na aldeia 100 novas residencias para as famílias sem habitação do Programa Minha Casa Minha Vida. Com esse impulso da cosntrução de casas trará mais trabalho para a comunidade, mais renda . Os trabalhadores indígenas e não índios já iniciaram o trabalho de construção das casas, nossa aldeia vai ficar maior, pessoas que mora em galpões a anos vai receber uma casa dígna para sua família.  Todos os dias os caminhões passam com materiais de construção para a grande obra, novos tempos vai chegar.
http://www.indiosonline.net/trabalho_desemprego_e_programas/   .

Nhenety Kariri-Xocó.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

BRINCANDO DE COZINHADA

Crianças pescando na Lagoa Comprida
  No nosso aprendizado cultural indígena observamos os adultos em suas atividades diárias, pescando caçando, pescando, fazendo ceramica, confecionando, aprender os hábitos dos bichos, dos pontos dos peixes do rio, identificar plantas comestíveis, modo de prepara-los como nossa alimentação. Ao redor da aldeia temos campos, rio, floresta, cidade, povoados e as lagoas.  As crianças da tribo tem muitas brincadeiras, mas uma delas leva ao caminho educativo social e cultural por treinar meninos e meninas na lida de Pai e Mãe de família.
Potinhos de brinquedo
Os meninos e meninas combinam para brincar de cozinhada, fazer uma comida coletiva pelos integrantes dos grupos. As meninas ficam encarregada de arrumar panelas, verduras, farinha, pratos, água, lenha, sal. Os menino mais velho leva os outros para a matagal atrás de casa, caçar passarinhos, calangos, frutas e toda a mistura, tipo uma luta pela sobrevivência. Quando todos chegam com as coisas, as menina maior fica responsável como a cozinheira, ensinando as menores a arte de cozer os alimentos. Todos participaram da cozinhada,umas foram apanhar lenha, outras água. Após cozinhar os alimentos, adquiridos, doados, caçados, agora é hora de comer. A menina mais velha coloca os pratos no chão e começa a botar a comida, com todos os ingredientes. As vezes a comida sai salgada, desgostosa, um pouco crua, mais só assim acertamos, aproximando da nossa realidade. Quando crescerem saberão a agirem na vida real. Na vida prática dos adultos passa por um processo muito parecido de arrumar o alimento, conhecer esse mundo tribal para dele tirar o sustento da família, vai um pouco além , buscar as ervas medicinais na mata quando algum filho fica doente, viajam até fora da aldeia para as cidades buscar trabalho fora.
Pescando de Rede
Brincar de cozinhada era só um básico do que tínhamos em nível local. Atualmente muito raramente brincam de cozinhada. Isso poderia ser uma forma própria educativa Espontânea de nosso povo indígena, buscando alternativa de coletividade, companheirismo. Neste lida de andar de sobrevivencia aprendir muito com outros colegas mais experientes, eles diziam que aprenderam com os outros mais velhos que passaram por essa fase de idade. Posso dizer que aprendir a subir em árvores, nadar, pescar, mergulhar no rio, fazer arapucas, arco e flecha, confeccionar petecas, enfim uma série de coisas que hoje posso repassar aqui neste momento.  http://www.indiosonline.net/brincando_de_cozinhada/   .

Nhenety Kariri-Xocó.

MANDIOCA PARA FARINHADA

Mandioca  ( Origem do oeste do Brasil (sudoeste da Amazônia) .
    Iniciamos os trabalhos agrícolas, logo no mês de fevereiro, na arrancação de tocos, vem março para preparação da terra. O termo " Mandiocada para Farinhada ", vem da atividade da roça de arrancar a mandioca, para fazer a farinha de forma tradicioanal. Mandiocada começa no arrancamento da planta até o raspamento da raíz. Da moagem , prenssagem, mexer a massa chama-se farinhada. Quando vem as chuvas no terceiro mês, plantamos milho, feijão e mandioca. Colhemos milho, feijão em junho e julho, ficando na roça só a mandioca para arranca-la em dezembro. Os índios criam porco, galinha ou bode, para comer na farinhada, no dia de arrancar a mandioca, vai muita gente participar. Na roça homens arranca mandioca a mão, outros de enxada em punho, escava o chão, os rapazes pegam as raízes, levam para as mulheres raspar. enquanto isto na casa de farinha, é rodado o caititú, espreme a massa na prensa, enxuta colocam no forno, aquele que mexe não para, fogo acesso faz torrar, a farinha estar pronta. Agora vai ensacando a farinha quentinha, no final da farinhada faz beijú, bolo ou tapioca. Quando a mandioca é muita, leva uns três dias mais ou menos, para terminar a farinhada. Alí parece festa, todos trabalhando no que mais gosta de fazer, naquilo que sempre viu, desde ao nascer. A farinhada é uma atividade muito cansativa, os homens trabalham em turnos, quem fica mexendo a massa e os que ficam no forno. Os que saíram para descansar, vai comer carne de porco, com feijão e farinha, a prova do bom gosto. Terminando a farinhada geralmente os indígenas faz um toré, comemorando a fartura, porque com farinha na mão, a fome vai embora da tribo. Em nossa aldeia tinha uma casa de farinha na Colonia Indígena construída pelo S.P.I. Serviço de Proteção ao Índio em 1960 desativada em 1993. Na Colonia o velho Zé Quirino era a pessoa que mais fazia farinha, os seus filhos e netos arracava a mandioca e transportava a produção até a casa de farinha, começava a raspar a raiz retirando a casca, logo depois era triturada no caititú, prensada e torrada no forno de lenha. Agora para fazer farinha os índios Kariri-Xocó vai até os brancos no Povoado Sampaio município de São Brás, temos que dar alguma coisa ao dono da casa para ter nosso produto tão essencial na alientação indígena . O ideal era ter uma casa de farinha na Terra Indígena para não sair á grande distancia na fazer esse trabalho de farinhada. http://www.indiosonline.net/mandiocada_para_farinhada/   .


Nhenety Kariri-Xocó.