A Fábula do Ganso e o Cisne
No interior do Brasil, onde cada família cuida de sua casa, quintal e criação, a vida pulsa em meio a galinhas, perus, patos, marrecos, gansos e até cisnes. Entre árvores, roças e tanques d’água, o amanhecer é sempre um concerto de cantos e movimentos.
Numa manhã dourada pelo sol, um Cisne recém-chegado nadava tranquilamente no lago do quintal. Seu porte elegante chamava a atenção de todos. Mas o Ganso, já dono do território, aproximou-se com ar desconfiado e, sem cerimônia, deu-lhe um beliscão.
— Ora, que é isso, seu mal-educado? — protestou o Cisne, recuando.
— É para você ficar esperto — respondeu o Ganso, inflando o peito. — Aqui não tem essa de ficar se achando gracioso.
— Gracioso é parte de quem eu sou — replicou o Cisne, erguendo o pescoço. — Somos diferentes: nós, cisnes, somos mais calmos e elegantes; vocês, gansos, mais vigorosos e protetores.
O clima estava prestes a esquentar quando apareceu Irerê, o pato-do-mato já domesticado, nadando entre os dois.
— Ora, ora, meus amigos! — disse ele. — Somos todos da mesma família. Cisnes, gansos, patos e marrecos… cada um com seu jeito, mas todos compartilhando a mesma água e o mesmo alimento. Pra que brigar?
O Ganso e o Cisne se entreolharam. Um suspiro de reconciliação se fez. A paz foi selada, e cada um voltou aos seus afazeres: nadar, comer, brincar e, principalmente, conviver.
Moral: Na vida, cada um tem seu jeito, mas o respeito mantém a harmonia.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
VERSÃO EM CORDEL:
O CISNE E O GANSO – O Pacífico e o Zangado
Cordel de Nhenety Kariri-Xocó
No sertão ou no agreste
No quintal do interior
Tem bicho de toda espécie
Criado com muito amor
Galo, pato, ganso e cisne
Vivendo com seu valor.
Era cedo, o sol nascendo
No terreiro, paz reinava
O cisne, recém-chegado
Pelo lago passeava
Mas o ganso, meio zangado
Já de longe o observava.
Num repente, sem aviso
Deu-lhe um beliscão ligeiro
O cisne se assustou
— Mas que falta de jeito inteiro!
— É pra você ficar esperto,
Disse o ganso altaneiro.
— Nós, cisnes, somos gentis
Com porte de realeza
Vocês, gansos, mais valentes
Guardam forte a fortaleza
Cada qual com seu talento
Sua força e sua beleza.
Chegou então o Irerê
Pato-do-mato sabido
— Companheiros, não se irritem
Vivam todos reunidos
No lago há paz e comida
Pra todos, sem divididos.
O ganso baixou as penas
O cisne sorriu contente
E nadaram lado a lado
Com marrecos e pato à frente
Pois a paz, quando se firma
Traz harmonia pra gente.
Moral:
Seja cisne ou seja ganso
Cada um com seu caminho
O respeito e a amizade
São a ponte e o vizinho
Que transformam a vivência
Num mundo justo e benigno.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
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