segunda-feira, 25 de agosto de 2025

TÁYBYGARAÍ E TÁÎAGÛARA’I, A Formiga-leão e a Formiga-oncinha






A Fábula das Formigas Leão e Oncinha


Na beira da mata, onde a areia é fina como pó de estrela caída, vivia Táybygaraí, o caçador da areia, conhecida como Formiga-leão. 

Silencioso, escondido em seu funil, esperava pacientemente que as formigas deslizassem para sua boca de jaguarzinho da terra.

Nada passava despercebido ao seu olhar profundo, e sua força vinha da espera, da paciência e do abrigo na areia.


Mais adiante, nas folhas secas que guardavam os segredos da floresta, caminhava Táîagûara’i, a formiga-oncinha.

Não era formiga verdadeira, mas todos assim a chamavam.

Sua pele trazia manchas que lembravam o manto da onça, e sua picada ardia como fogo de cipó queimando no peito.

Era corajosa e caminhava sozinha, sem medo de quem cruzasse seu caminho.


Um dia, os dois se encontraram.

Táîagûara’i se aproximou da armadilha de areia e, ao sentir a terra ceder, parou.

Lá embaixo, Táybygaraí preparava-se para puxá-la com suas mandíbulas.

Mas a onçinha das formigas, esperta, ergueu-se firme e disse:


— “Eu não caio, caçador da areia. Minha força não está em esconder-me, mas em mostrar que ninguém deve me tocar.”


Táybygaraí, surpreso, respondeu do fundo de sua cova:


— “E eu, irmã da floresta, aprendi que a vida é esperar o momento certo. Quem cai em minha areia, não levanta.”


As duas ficaram em silêncio, sentindo o vento que soprava sobre a mata.

Não havia ódio, apenas diferença.

Então, perceberam que cada uma tinha o seu modo de viver: uma caçava pela espera, outra pela coragem e pela dor que trazia em sua defesa.


Naquela tarde, afastaram-se sem lutar.

E a floresta aprendeu com elas que existem muitas formas de ser forte:

a força da paciência e a força da coragem.


✨ Moral da Fábula:

Na vida, alguns vencem com a espera e outros com a coragem.

Nem sempre a força é visível: às vezes está escondida na areia, às vezes estampada no manto da onça.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 





TÁYBYGARAÍ E TÁÎAGÛARA’I, A Formiga-leão e a Formiga-oncinha


( Versão em Cordel  )



Na beira da mata clara,

Táybygaraí vivia,

Na areia fazia um funil,

Armava sua vigia,

Esperava a presa incauta,

Com paciência caçava o dia.


Nas folhas secas do chão,

Táîagûara’i passava,

Com manchas de onça brava,

Que sua pele guardava,

E se alguém lhe provocava,

Com dor intensa picava.


Um dia ao se encontrarem,

Um silêncio fez-se ali,

Táybygaraí chamou,

Mas ela não caiu,

Disse a formiga-oncinha:

“Não me pegas, eu resisti.”


Respondeu o caçador:

“Minha força é esperar,

Quem cair dentro da areia,

Nunca mais pode escapar.”

Mas a onçinha retrucou:

“Minha força é me mostrar.”


E a mata então compreendeu,

Que a vida tem mais de um jeito,

Uns vencem na paciência,

Outros no peito perfeito,

Força não é só tamanho,

É viver de modo direito.


✨ Moral em cordel:

Na terra ou na coragem,

Cada um sabe caçar,

Um espera o seu momento,

Outro sabe se mostrar.

Assim ensina a floresta:

Há mil formas de lutar.




Autor: Nhenety Kariri-Xocó 





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