A Fábula das Formigas Leão e Oncinha
Na beira da mata, onde a areia é fina como pó de estrela caída, vivia Táybygaraí, o caçador da areia, conhecida como Formiga-leão.
Silencioso, escondido em seu funil, esperava pacientemente que as formigas deslizassem para sua boca de jaguarzinho da terra.
Nada passava despercebido ao seu olhar profundo, e sua força vinha da espera, da paciência e do abrigo na areia.
Mais adiante, nas folhas secas que guardavam os segredos da floresta, caminhava Táîagûara’i, a formiga-oncinha.
Não era formiga verdadeira, mas todos assim a chamavam.
Sua pele trazia manchas que lembravam o manto da onça, e sua picada ardia como fogo de cipó queimando no peito.
Era corajosa e caminhava sozinha, sem medo de quem cruzasse seu caminho.
Um dia, os dois se encontraram.
Táîagûara’i se aproximou da armadilha de areia e, ao sentir a terra ceder, parou.
Lá embaixo, Táybygaraí preparava-se para puxá-la com suas mandíbulas.
Mas a onçinha das formigas, esperta, ergueu-se firme e disse:
— “Eu não caio, caçador da areia. Minha força não está em esconder-me, mas em mostrar que ninguém deve me tocar.”
Táybygaraí, surpreso, respondeu do fundo de sua cova:
— “E eu, irmã da floresta, aprendi que a vida é esperar o momento certo. Quem cai em minha areia, não levanta.”
As duas ficaram em silêncio, sentindo o vento que soprava sobre a mata.
Não havia ódio, apenas diferença.
Então, perceberam que cada uma tinha o seu modo de viver: uma caçava pela espera, outra pela coragem e pela dor que trazia em sua defesa.
Naquela tarde, afastaram-se sem lutar.
E a floresta aprendeu com elas que existem muitas formas de ser forte:
a força da paciência e a força da coragem.
✨ Moral da Fábula:
Na vida, alguns vencem com a espera e outros com a coragem.
Nem sempre a força é visível: às vezes está escondida na areia, às vezes estampada no manto da onça.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
TÁYBYGARAÍ E TÁÎAGÛARA’I, A Formiga-leão e a Formiga-oncinha
( Versão em Cordel )
Na beira da mata clara,
Táybygaraí vivia,
Na areia fazia um funil,
Armava sua vigia,
Esperava a presa incauta,
Com paciência caçava o dia.
Nas folhas secas do chão,
Táîagûara’i passava,
Com manchas de onça brava,
Que sua pele guardava,
E se alguém lhe provocava,
Com dor intensa picava.
Um dia ao se encontrarem,
Um silêncio fez-se ali,
Táybygaraí chamou,
Mas ela não caiu,
Disse a formiga-oncinha:
“Não me pegas, eu resisti.”
Respondeu o caçador:
“Minha força é esperar,
Quem cair dentro da areia,
Nunca mais pode escapar.”
Mas a onçinha retrucou:
“Minha força é me mostrar.”
E a mata então compreendeu,
Que a vida tem mais de um jeito,
Uns vencem na paciência,
Outros no peito perfeito,
Força não é só tamanho,
É viver de modo direito.
✨ Moral em cordel:
Na terra ou na coragem,
Cada um sabe caçar,
Um espera o seu momento,
Outro sabe se mostrar.
Assim ensina a floresta:
Há mil formas de lutar.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
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