PREFÁCIO EM PROSA DA COLEÇÃO
Esta coletânea de cordéis integra o Acervo Virtual Bibliográfico Nhenety Kariri-Xocó, reunindo narrativas que expressam a continuidade da tradição oral por meio da escrita rimada.
Os textos aqui apresentados refletem a vivência cultural do povo Kariri-Xocó, construída ao longo do tempo através da memória, da ancestralidade e dos encontros com diferentes culturas. Reconhece-se que o conhecimento humano é fruto de múltiplas influências, as quais são respeitadas em suas origens, ao mesmo tempo em que se afirma uma construção autoral própria.
Assim, as contribuições culturais, científicos e literários oriundos de diferentes povos e autores, sendo compreendidos como influências legítimas no processo de formação do conhecimento, sem reivindicação de autoria sobre tais contribuições.
Este prefácio convida o leitor a adentrar um universo onde a palavra ganha ritmo e forma, mantendo viva a tradição e projetando-a para o futuro.
ESCLARECIMENTO DO AUTOR
A presente obra constitui, neste momento, um pré-projeto editorial em fase de estruturação acadêmica e organização bibliográfica.
Sua versão definitiva será futuramente submetida aos processos de revisão, diagramação, normalização segundo os padrões da ABNT, catalogação bibliográfica, classificação CDD e obtenção de ISBN oficial.
Enquanto perdurar esta etapa preparatória, parte das informações editoriais apresentadas possui caráter provisório e simbólico, destinando-se exclusivamente à identificação preliminar da obra.
O autor reafirma o compromisso com a preservação cultural, histórica e intelectual do acervo desenvolvido ao longo de suas pesquisas e produções literárias.
Nhenety Kariri-Xocó
1. DEDICATÓRIA POÉTICA
Dedico este canto sagrado
Ao povo Kariri-Xocó,
Raiz firme da minha vida,
Que o tempo nunca apagou.
Dedico à voz da floresta,
Que o vento antigo entoou.
Dedico aos antepassados
Que da terra são guardiões,
Aos mestres da tradição,
Que ensinam nas gerações,
E aos que lutam pelo direito,
Das nossas reivindicações.
Dedico à aldeia Colégio,
E à Ilha de São Pedro também,
Aos parentes de Alagoas,
E de Sergipe que vêm,
Que unem força e memória,
Como quem nasce do bem.
2. ÍNDICE POÉTICO
Prefácio em Prosa da Coleção
Esclarecimento do Autor
1. Dedicatória Poética
2. Abertura – O Canto da Origem
3. Prólogo Poético – Vozes da Terra e do Tempo
4. Capítulos I – II (Continua na próxima publicação)
Capítulo I – As Primeiras Aldeias
Capítulo II – O Morgado e a Colonização
3. ABERTURA – O Canto da Origem
Nasceu o canto na aldeia,
Entre o rio e o coração,
Um som de maracá vibrou,
Chamando a recordação.
E a memória dos ancestrais,
Fez do verso a invocação.
Da brisa que sopra o tempo,
Brota o verbo encantador,
Do barro nasceu a gente,
Da luta nasceu o amor.
E da palavra o cordel,
Se fez canto e se fez flor.
4. PRÓLOGO POÉTICO – Vozes da Terra e do Tempo
Esta história vem da terra,
Dos que o tempo não calou,
Dos passos firmes da mata,
Do sangue que germinou.
É memória e resistência,
É o grito que ecoou.
Não é lenda nem fantasia,
Mas real como o luar,
É o sopro da existência,
Que insiste em recontar,
Que o índio vive e renasce,
Sempre pronto a semear.
O passado aqui dialoga,
Com o tempo que há de vir,
Cada verso é testemunha,
Do direito de existir.
E quem lê com alma aberta,
Vai sentir o reviver.
5. CAPÍTULOS I – II
CAPÍTULO I – OS POVOS DO SÃO FRANCISCO E A CHEGADA DOS MORGADOS
No Vale do rio São Francisco
Existe indígenas localizados
Sempre mantiveram contatos
Por aqui não havia civilizados
Contatos com todas as tribos
As festas e rituais realizados.
Por seus domínios senhoriais
Brancos constroem fortalezas
Abrangendo vastíssima região
Com florestas das redondezas
Incluindo territórios as aldeias
Nativos mostravam fraquezas.
Mayorazgo Reino de Castela
As leis desse Ibérico reinado
Morgado origem castelhana
Península qual disseminado
No ano 1505 o Leyes de Toro
Região da Espanha originado.
Terras da Capitania da Bahia
Sergipe d’El-Rei ser chamada
Às margens do São Francisco
No Brasil Colônia programada
Nascendo luta àqueles povos
Entanto conquista confirmada.
A primeira missão de Sergipe
Gaspar Lourenço comandada
O padre catequizar indígenas
Companhia de Jesus agrada
Ano de 1575 ocorrido tal fato
Tribos de sua terra trasladada.
Ano 1590 Cristovão de Barros
As aldeias também conquistou
Território de um chefe Pindaíba
Serra da Tabanga ele encostou
Indo além do riacho Tamanduá
Todo mais domínio acrescentou.
Enfim conquistador de Sergipe
Cristóvão de Barros até o doou
Filho Antônio Cardoso de Barros
Região agradável Propriá povoou
Conhecida pelo “Urubu de Baixo”
Linhas de defesa ele aperfeiçoou.
Pindaíba seria o chefe indígena
Segundo história dessa tradição
A Aldeia Ilha dos índios Aramurú
Obrigado aceitar aquela rendição
Com terras Caiçara de São Pedro
Imposta pelos brancos jurisdição.
Expressão do termo morgado
Por Reino de Portugal adotada
Assim a legislação portuguesa
Arquivos Ultramarinos anotada
Trazidas ao Brasil no ano 1603
Ordenações Filipinas montada.
A colonização do ano de 1606
O território sergipano povoado
Chegando às regiões do Norte
Com o índio confuso atordoado
Pelas margens do S. Francisco
Nesse modo sendo destorroado.
CAPÍTULO II – O MORGADO DE PORTO DA FOLHA E OS ALDEAMENTOS INDÍGENAS
No Morgado de Porto da Folha
Pedro Gomes foi seu fundador
Um capitão em Sergipe Del Rey
Do Portugal Setúbal intimidador
Veio ao Brasil ano 1625 em nau
De D. Fradique de Toledo fiador.
Origem das terras do morgado
O Pedro Gomes foram doadas
Expulsão dos holandeses 1654
Por Aramurus ele comandadas
Junto foz do rio São Francisco
Nos Portugueses consolidadas.
O Morgado do Porto da Folha
Terras nativas transformadas
Pedro Gomes serviços à coroa
Recebeu as 30 léguas doadas
Aramurus na pequena parcela
Essa sesmaria desmembradas.
Capitania da Bahia ano 1656
Sertão de Sergipe o Morgado
Pedro Gomes numa sesmaria
Indígena no lado o subjugado
Servindo o civilizado na tropa
Naquele capitão encarregado.
Na Aldeia dos Kariris o Colégio
Por jesuítas iniciamos fundada
Acima 7 léguas da Vila Penedo
Terras urubumirense arrendada
O ano de 1661 em Pernambuco
A fazenda de gado consolidada.
O aldeamento São Pedro Dias
De Porto da Folha ali constava
Pelos capuchinhos franceses
Por volta do ano 1664 cogitava
Entre indígenas tribo Aramurús
Frei Anastácio Audierne estava.
Capuchinhos no São Francisco
Serão os primeiros ali a chegar
Fundou a missão dos Aramurus
No ano 1671 índios aconchegar
Vieram também de outros povos
Dos arredores na região agregar.
As matas do rio São Francisco
Nos índios Romaris recrutados
Os religiosos dos capuchinhos
Aceitam paz vivendo aldeados
Fugindo muito aos massacres
O período colonial implantados.
O cacique Gararu e sua tribo
Na Serra da Tabanga ficavam
Talvez o parente de Pindaíba
Território serrano abarcavam
Catequizadores capuchinhos
A Ilha de São Pedro focavam.
No ano 1683 pela inquisição
O Pedro Gomes é denunciado
Numa prática por um nefando
Pecado com sodomia viciado
Seu parceiro seria um escravo
De nome Luiz Gomes indiciado.
....Continuação do cordel na próxima publicação "Indígenas Versus Morgado em Cordel" ( nos capítulos III - VI ).
Autor: Nhenety Kariri-Xocó

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