📜 DEDICATÓRIA POÉTICA
Dedico este meu cordel,
À antiga Ibéria altiva,
De Roma ao cristão castelo,
Da espada que ainda cativa.
Que o tempo não apague o elo,
Da memória tão viva e ativa,
Que da história é chama viva.
Dedico ao povo irmão,
De Portugal e de Espanha,
Que ergueu com devoção,
O que a alma não se acanha.
Que dos mares fez canção,
E na pena que se entranha,
Guardou fé, amor e sanha.
📜 ÍNDICE POÉTICO
Abertura – O Canto Ibérico
Prólogo Poético – A Semente dos Povos Antigos
Capítulo I – O Império Romano e a Antiga Hispânia
Capítulo II – A Fragmentação Bárbara e o Reino Visigodo
Capítulo III – A Reconquista e os Reinos Cristãos
Capítulo IV – Condados, Capitais e a Consolidação dos Reinos
Encerramento – A Chama da Identidade Ibérica
Epílogo Poético – A Herança de Dois Povos Irmãos
Nota de Fontes Poética
Ficha Técnica, Quarta Capa Poética, Sobre o Autor e Sobre a Obra
🌅 ABERTURA
O Canto Ibérico
Na península sagrada,
De mares e montes vastos,
Brota a história entrelaçada,
De impérios, reinos e rastros.
Onde Roma foi chamada,
E o tempo selou seus lastros,
Com sangue, fé e contrastos.
Foi ali que o sol latino,
Moldou língua e pensamento,
E o gênio humano divino,
Fez do mármore fundamento.
O destino cristalino,
Nasceu do enfrentamento,
Da cruz e do juramento.
🌿 PRÓLOGO POÉTICO
A Semente dos Povos Antigos
Da Ibéria, antiga e bravia,
Antes do poder romano,
Viviam povos em harmonia,
Num canto rude e humano.
Celtas, íberos, magia,
Formaram o mesmo pano,
Do tecido lusitano.
Roma chega em luz e ferro,
Na guerra das punições,
E ao som do tambor de cerro,
Cria suas divisões.
Ergue a lei, constrói desterro,
Abre vias e nações,
Com poder e fundações.
Mas na terra conquistada,
A alma antiga resistia,
Mesmo a cruz sendo plantada,
O velho canto renascia.
Pois cultura misturada,
Faz do povo melodia,
De amor e sabedoria.
⚔️ CAPÍTULO I — O IMPÉRIO ROMANO E A ANTIGA HISPÂNIA
I
No brilhar das Guerras Púnicas,
Roma avança ao vasto chão,
Onde tribos célticas, únicas,
Viviam com devoção.
A espada, entre vozes lúcidas,
Trouxe nova dominação,
E a lei foi sua canção.
II
Pela força e disciplina,
Roma impõe seu estandarte,
Cria estrada, lei divina,
E o poder faz sua arte.
Cada província se inclina,
Ao modelo em toda parte,
Da cultura e de seu parte.
III
A Hispânia se divide,
Citerior e Tarraconense,
E o tempo que não decide,
Deixa herança imponente.
Roma ergue o que preside,
E o povo se faz crente,
No saber onipresente.
IV
Na Lusitânia, os guerreiros,
Guardam alma e rebeldia,
De Viriato, o altaneiro,
Que desafiou Roma um dia.
Mesmo o ferro sendo inteiro,
A montanha resistia,
Com bravura e poesia.
V
Bracara Augusta floresce,
Com fórum e templo erguido,
E o comércio enriquece,
Sob o signo prometido.
Emerita então aparece,
Com poder bem definido,
No império estabelecido.
VI
Os romanos, nas colinas,
Plantam uvas e oliveiras,
Erguem pontes e oficinas,
Nas cidades verdadeiras.
E nas praças peregrinas,
Escrevem nas lareiras,
As leis justas e certeiras.
VII
O latim, por toda parte,
Faz da língua novo canto,
A cultura vira arte,
E o saber gera encanto.
Cada vila toma parte,
No legado, no manto,
Do direito e do espanto.
VIII
Mas o império, tão vasto,
Começa a se fragmentar,
Pela ganância e o contraste,
Do poder a se esfarelar.
Entre tronos e embaraços,
Roma começa a sangrar,
E o caos vem se instalar.
IX
Mesmo em ruína, o legado,
Permanece em cada rua,
Nos arcos e no traçado,
Que o tempo ainda cultua.
Pois de Roma, o passado,
É raiz que continua,
E no povo se insinua.
X
Assim nasce a herança ibérica,
Do mármore ao coração,
Uma alma sempre épica,
Feita de civilização.
A lembrança, sim, numérica,
Mas viva na inspiração,
De fé e transformação.
🛡️ CAPÍTULO II — A FRAGMENTAÇÃO BÁRBARA E O REINO VISIGODO
I
Quando Roma enfraqueceu,
Veio o vento do norte frio,
E o poder que se perdeu,
Fez da Ibéria novo estio.
Povos bárbaros correu,
Sobre o chão do desafio,
E o caos se fez navio.
II
Sueves foram os primeiros,
Na Galícia se instalaram,
Guerreiros e cavaleiros,
Com seus deuses proclamaram.
Bracara, nos seus terreiros,
As cruzes se misturaram,
E novos reinos brotaram.
III
Os visigodos, em Toledo,
Firmam trono e reinado,
Com espada e com segredo,
E um código ordenado.
Trazem fé, mas sem medo,
Do passado misturado,
Em direito renovado.
IV
Da fusão romano-gótica,
Surge lei e tradição,
Com essência patriótica,
E divina inspiração.
Mas a corte, despótica,
Gerou guerra e traição,
Por trono e ambição.
V
Reis caíam em disputa,
Por poder e por vaidade,
E o reino, já em labuta,
Perdeu força e lealdade.
A riqueza ficou bruta,
E a fé, em desigualdade,
Gerou a fragilidade.
VI
No ano setecentos e onze,
Vem do sul a invasão,
Muçulmanos com seus bronze,
E a lua em procissão.
O deserto ali responde,
Com o fogo da oração,
E a cruz vê a subversão.
VII
Toledo, a cidade santa,
Caiu sob novo manto,
E a fé, que se levanta,
Fez do pranto um novo canto.
Entre o medo e a garganta,
Surgiu um sopro santo,
De coragem e encanto.
VIII
Mas nas montanhas do norte,
Um pequeno povo reza,
Pede a Deus nova sorte,
Com coragem e destreza.
E da espada faz o corte,
Que reacende a nobreza,
Da alma e da pureza.
IX
Assim nasce a esperança,
Do cristão e do guerreiro,
Que no frio faz aliança,
E na fé seu companheiro.
Pois a dor virou lembrança,
E o amor, seu travesseiro,
De destino verdadeiro.
X
Dos visigodos, ficou,
A estrutura e a memória,
Que o futuro abrigou,
No renascer da história.
A semente germinou,
Na Ibéria, que é vitória,
Da fé, da cruz e da glória.
🕊️ CAPÍTULO III — A RECONQUISTA E OS REINOS CRISTÃOS
I
Quando o Islã conquistou,
A Ibéria quase inteira,
Foi o norte que lutou,
Com coragem verdadeira.
Nas montanhas se formou,
Uma chama altaneira,
Que reacende a bandeira.
II
Nas Astúrias, o cristão,
Ergue a cruz e o pendão,
Com o grito e oração,
De fé, espada e canção.
O rei Pelágio, em ação,
Guia o povo em união,
E reacende a nação.
III
De Oviedo e Covadonga,
Brota o sopro da esperança,
E a luta nunca prolonga,
Sem fé e perseverança.
A justiça ali se tomba,
Mas renasce na lembrança,
Com bravura e confiança.
IV
Surge o Reino da Galícia,
Com os monges peregrinos,
Onde a fé é profecia,
E os santos são destinos.
De Compostela a primícia,
Brota o culto e os caminhos,
Do sagrado aos peregrinos.
V
O Reino de Leão desponta,
Com castelos e poder,
E na espada que se apronta,
Está o sonho de vencer.
Cada torre se remonta,
No desejo de renascer,
O que Roma fez valer.
VI
Em Castela, a força cresce,
De condado a grande trono,
E a coragem se enriquece,
De justiça e abandono.
Cada guerra que acontece,
Faz da terra um novo dono,
E do tempo um abandono.
VII
Portugal, ao mesmo passo,
Do Portucalense vem,
Com bravura e sem cansaço,
D. Afonso ergue o além.
O condado ganha espaço,
E a liberdade também,
Faz-se reino, e vai além.
VIII
Aragão se une à Catalunha,
Com bandeira e poder real,
E o mar já se insinua,
Com destino colonial.
O esplendor que se acentua,
Na fé e no ideal,
Da coroa magistral.
IX
Foram séculos de espada,
De conquista e resistência,
A fé sempre renovada,
Entre o sangue e a consciência.
Cada vila edificada,
Foi muralha de existência,
Contra o tempo e a ausência.
X
E no fim dessa jornada,
A Ibéria se refez,
De mistura consagrada,
De cultura e de altivez.
Cada cruz levantada,
É memória que outra vez,
Mostra o que o amor fez.
🌇 CAPÍTULO IV — CONDADOS, CAPITAIS E A CONSOLIDAÇÃO DOS REINOS
I
Antes do trono erguer-se,
Vieram os condados firmes,
De coragem e de ter-se,
Entre guerras e estirpes.
Cada um, sem esquecer-se,
Das raízes e dos brioches,
Fez dos montes seus estirpes.
II
Castela nasce condado,
Mas o rei logo o convoca,
E no campo abençoado,
Faz da fé sua rocha.
De condado transformado,
A coroa se desloca,
E o poder se revigora.
III
Aragão, também condado,
Se expande com Catalunha,
E o mar, abençoado,
Leva a cruz como cunha.
O povo, iluminado,
Faz do sol sua coluna,
E da fé, a fortuna.
IV
No condado Portucalense,
Entre o Douro e o Minho bravo,
Surgia o sonho imenso,
De um destino lusitano.
A bravura era o incenso,
E Afonso, o soberano,
Fez-se rei do povo humano.
V
Barcelona se destaca,
Na cultura e no comércio,
Com a arte que se destaca,
Em palácio e em exércio.
E o tempo, que não se apaga,
Guarda o nome no império,
Do esforço e do mistério.
VI
Lisboa torna-se estrela,
Do Atlântico em expansão,
Com muralha e sentinela,
E do Tejo a devoção.
Quem a vê logo se atrela,
Ao seu fado e inspiração,
Feito canto e oração.
VII
Toledo, antiga e santa,
Guarda o livro e o saber,
Onde a fé nunca se espanta,
Com o árabe a conviver.
Ali a ciência encanta,
E a mente faz renascer,
O que Roma quis manter.
VIII
Leão, Oviedo e Sevilha,
Cada uma, uma coroa,
Onde o trono se perfilha,
E a história ecoa e soa.
A memória se assenhoria,
E o passado sempre entoa,
A herança boa e boa.
IX
Granada, última flor,
Do Islã e do alcorão,
Se rende ao novo ardor,
Da fé e do perdão.
Mas no ouro de seu torpor,
Deixa arte e coração,
Na lenda e devoção.
X
Assim nasce o grande todo,
Da Ibéria multiforme,
De mil povos e de modo,
Que o destino conforma.
Cada língua, cada modo,
Faz da alma a norma,
Da história que transforma.
🕯️ ENCERRAMENTO – “A CHAMA DA IDENTIDADE IBÉRICA”
Nos montes da velha Hispânia ardia,
Uma chama que nunca apagou,
Do império romano ficou a harmonia,
Dos godos, o sangue que se misturou.
E entre cruzadas, vitórias e espadas,
A fé e a coragem foram moldadas,
Na alma do povo que tudo lutou.
Do Douro até o Guadalquivir,
Dos montes até o grande mar,
O sonho ibérico começou a florir,
Com línguas irmãs a se abraçar.
Castela e Leão, Portugal altaneiro,
Ergueram o pendão guerreiro,
E o sol da unidade voltou a brilhar.
E mesmo que o tempo traga ventania,
E os ventos do mundo queiram soprar,
A chama da Ibéria é poesia,
Que o espírito insiste em guardar.
Pois dos povos antigos nasceu a memória,
Que hoje reluz no altar da História,
Como facho de luz a eternizar.
🌄 EPÍLOGO POÉTICO – “A HERANÇA DE DOIS POVOS IRMÃOS”
Portugal, filho do Atlântico e da Fé,
Espanha, mãe dos campos e do sol,
Ambos erguem, firmes de pé,
O mesmo céu, o mesmo arrebol.
Da mesma semente brotou a esperança,
De Roma, dos godos, da lembrança,
E do verbo que une o arrebol.
Dois povos, dois sons, uma alma,
Duas coroas, um só coração,
Que o tempo provou com calma,
Na sina, no canto e na missão.
Pois quando o mundo se alargou,
Foi a Ibéria que dele cuidou,
Levando cultura e inspiração.
Que a herança seja ponte e abraço,
Jamais espada ou divisão,
Que cada língua siga seu passo,
Mas guarde o mesmo chão.
Iberismo é semente divina,
Que no peito do poeta germina,
E faz da palavra, oração.
📜 NOTA DE FONTES RIMADA
Nas páginas do tempo busquei,
Fontes de rara nobreza,
Que os mestres da História deixei,
Revelando a antiga grandeza.
Em livros, crônicas e canções,
Achei as eternas lições
Da Ibéria e sua fortaleza.
FERREIRA, João, com visão certeira,
Traçou da Roma à cristandade,
Na História da Península Ibérica, inteira,
Fez ver o fio da identidade.
Em São Paulo, na Contexto editada,
Sua pena, firme e bem traçada,
Guiou-me com claridade.
De GARCÍA DE CORTÁZAR e GONZÁLEZ VESGA,
Em Madrid, li o compêndio fiel,
A Breve Historia de España é peça,
Que brilha como um sol de papel.
Ali vi reis, reinos e fé,
Em versos, trouxe o que se lê
Do passado ancestral ao céu.
O sábio MENÉNDEZ PIDAL,
Na España del Cid contou,
O heroísmo medieval,
Que o povo castelhano honrou.
Com Espasa-Calpe editando,
E o Cid em versos marchando,
A alma hispânica ecoou.
SÁNCHEZ-ALBORNOZ, profundo e humano,
Chamou a Espanha de enigma mortal,
E em seu livro, tão soberano,
Revelou seu rosto total.
Em España, un Enigma Histórico,
Mostrou o destino simbólico
Da Ibéria essencial.
De TORRES, João Paulo Oliveira,
Na obra Portugal: Das Origens à Atualidade,
Bebeu-se o fado das fronteiras,
E a alma lusa em liberdade.
Na Lisboa do Círculo de Leitores,
Vi reis, condados e amores,
Da pátria à eternidade.
Dos artigos, brotam saberes,
Que brilham com luz de memória:
BARROCA, Mário Jorge, entre os seres,
Falou da Reconquista e da História.
Na Revista de História da UFRJ,
Deu à pena o poder da fé,
No rastro da glória e da vitória.
MARTÍNEZ DÍEZ, Gonzalo, doutor da expansão,
Em Hispania, revista espanhola,
Cantou o Reino de Leão,
E a força que em Castela decola.
Deu voz ao tempo medieval,
Ao espírito institucional,
Que ergueu a aurora espanhola.
E das fontes primárias sagradas,
Veio ISIDORO DE SEVILHA, o monge fiel,
Com a Historia de Regibus Gothorum, guardadas,
Palavras em ouro e papel.
Com Donini tradutor do latim,
No CSIC de Madrid, assim,
Brilhou seu verbo angelical.
Das crônicas, o eco divino,
De Afonso III e dos reis de Leão,
Que a Real Academia, em destino,
Guardou com devoção.
Ali mora o pulsar do passado,
Do godo ao rei coroado,
Num cântico de tradição.
Assim nasce este cordel ibérico,
De fontes, saber e respeito,
Misturando o humano e o etéreo,
Do livro à voz do peito.
Que a História, em verso rimado,
Seja o legado sagrado,
E o tempo, o fiel refeito.
🪶 FICHA TÉCNICA
Título: A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DA PENÍNSULA IBÉRICA
Autor: Nhenety Kariri-Xocó
Gênero: Cordel histórico-literário
Revisão e Curadoria: Nhenety Kariri-Xocó
Edição: Digital ilustrada – formato A5
Publicação Digital: KXNHENETY.BLOGSPOT.COM
Produção literária e assistente editorial: ChatGPT (Assistente Virtual)
Ano: 2025
Local: Porto Real do Colégio (AL), Brasil
🌕 QUARTA CAPA POÉTICA
Entre mares e serras douradas,
Ecoa o som de antigos clarins,
A voz da Ibéria, nascida das espadas,
E nas preces dos santos jardins.
Este cordel é ponte e memória,
Da fé, da língua e da história,
Dos povos que são dois… e são afins.
Em versos, revive o passado,
Das glórias, conquistas e chão,
Pois todo ibérico é marcado
Por uma só inspiração.
De Roma, dos deuses, dos ventos,
Brota o fogo dos sentimentos,
E o amor por sua nação.
🪶 SOBRE O AUTOR
Nhenety Kariri-Xocó é contador de histórias oral e escrita, guardião da memória ancestral de seu povo.
Indígena do povo Kariri-Xocó, de Porto Real do Colégio (AL), Nhenety dedica sua arte à valorização da sabedoria dos povos originários, à preservação da identidade cultural e à fusão poética entre história e espiritualidade.
Suas obras unem o sagrado e o humano, o tempo antigo e o presente, com uma visão que transcende fronteiras e enaltece a harmonia entre povos e tradições.
🕊️ SOBRE A OBRA
Este cordel representa a união entre História e Poesia — uma jornada que percorre séculos de formação da Península Ibérica, desde o domínio romano até a consolidação dos reinos cristãos.
Em versos rimados, o autor traduz o espírito de resistência, fé e união que moldou duas nações irmãs: Portugal e Espanha.
A obra se insere no ciclo histórico do cordel ibérico-brasileiro, sendo ao mesmo tempo canto, crônica e ponte entre continentes.
Esta obra foi inspirada e fundamentada no artigo publicado no blog “KXNHENETY.BLOGSPOT.COM", disponível em:
https://kxnhenety.blogspot.com/2025/04/a-formacao-da-identidade-da-peninsula.html?m=0 , seguindo uma estrutura acadêmica nos moldes da ABNT e respaldada em referenciais históricos e culturais que unem a tradição oral ao conhecimento erudito.
Autor: Nhenety Kariri-Xocó


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