sexta-feira, 12 de abril de 2013

COMIDAS TÍPICAS KARIRI-XOCÓ

Tapioca
Bolo Pé de Moleque

Milho Assado
Beijú
Delícias das Comidas
Peixe Traíra
Variedade das Comidas
   Atualmente fica difícil manter nossa culinária tradicional, após tantos anos de contatos com outros povos, aderindo novos produtos da alimentação diária. O povo brasileiro aprenderam muito com os indígenas, na culinária : usso da farinha de mandioca na alimentação, mingau de milho, pamonha, pipoca, paçoca, beijú, tapioca, carne moqueada. Aqui em Kariri-Xocó nossa alimentação estava baseada nos peixes do São Francisco : traíra, sarapó, pirá, cará, xira, que era cozido em moqueca, assado na brasa, bobó de caramujo, fruta do umari, genipapo. As caças do mato eram muito utilizadas na alimentação indígena, veado, teiú, capivara, jacaré, nambú, rolinha ave muito apreciada por todos em unanimidade. A farinha de mandioca é a base alimentar do índio, tendo ela a fome vai embora da tribo. Cada ano que passa nossos agricultores,  estão ficando velhos, os jovens não querem trabalhar na roça, assim vamos comprando produtos que antes produzimos. Falta uma educação compatível com nossa realidade cultural, valorizando nossos agricultores, pescadores, caçadores, atividades produtivas tradicionais com nossa identidade. Novos produtos que estamos absorvendo em nossa alimentação, com o tempo vai tornar também parte do universo cultural indígena, porque tudo muda.

Nhenety Kariri-Xocó

quinta-feira, 11 de abril de 2013

CONTO DO PIRAPOTI


   Nas águas do São Francisco antes do represamento das grandes barragens, tinha peixes de todo o tamanho, histórias com as peripércias dos pescadores do rio não faltava nas aldeias, em cidades e povoados. Faz muito tempo que ocorreu uma notícia de um grande peixe assombrava os ribeirinhos do Baixo São Francisco, atacava qualquer pessoa que fosse ao rio . Numa manhã uma índia foi de nossa tribo foi encher seu poti no rio, um peixe enorme engoliu o vasilhame, a mulher deu um grito que chamou ateção de toda a tribo. Os indígenas desceram o barranco do rio, ela contou o ocorrido, o grande peixe engoliu o poti achando que era eu, estou aqui tremendo de medo escapei por pouco. A notícia correu na aldeia, ninguém queria mais ir ao rio, com medo daquele monstro descomunal . Passou vários dias os pescadores de uma cidade distante, acharam um grande peixe morto, boiando no rio, levaram até as margens, suas escamas era do tamanho de um prato, sua barriga era enorma. Quando abriram o peixe, encontraram um poti de barro, assim como falaram, os pescadores dizeram que o peixe morreu  de fome. Pelo que contaram o poti que o peixe engoliu, ficou com a boca para a frente, a comida que ele comia ficava no vasilhame de barro. O tempo foi passando o peixe enfraquecendo sem alimentar-se, toda comida ficava retida no poti, o peixe terminou morrendo. Pirá na linguagen nativa é peixe, poti nós chamamos o vaso ceramico feito pelas mulheres Kariri-xocó. Assim ficou a história do Pirapoti o peixe vaso que engoliu o poti, nunca mais apareceu outro peixe desse não, o rio estar secando, o homem fez barragens em todo São Francisco.

Nhenety Kariri-Xocó

terça-feira, 9 de abril de 2013

CABOCLO DE CASCO


Caboclo de Casco. Desenho : Nhenety
   Nas matas de Kariri-Xocó que existiam no passado, cobria uma vasta área além do horizonte, também tinha muitos mistérios com seres sobrenaturais. O índio Juarez Itapó falou,  que seu pai Kirino esperiente caçador, estava em cima da árvore esperando porco do mato, demorou quase o dia inteiro nada chegou. Quando chegou a tarde os pássaros parou de cantar, ficou um silencio na floresta,  de repente começou ouvir uns gritos bem longe, eiii, eiii..., cada vez mais foi se aproximando, gritando cada vez mais alto, que estrondava as árvores ao redor. Parece que vinha quebrando árvores pela frente, os bichos fugiam daquele terrivel ser assustador, bateu um calafrio, foi aparecendo um grande ser da a mata, tinha um olho só natesta, com um corpo encoraçado, possuía uma perna somente, mas caminhava rápido como um veado veloz, o umbico era vervelho quando gritava abrindo e fechando. Meu pai ficou com medo, pelos que ele ouvia dos mais velhos antes dele, aquele ser pelas características era o " Caboclo de Casco " . Pelas histórias contadas o Caboclo de Casco era invulnerável a flecha e a bala, muitos caçadores do passado perderam a vida na mata, deixando mulher e filhos. O Caboclo de Casco olhava de um lado para o outro, farejando algo no ar, não encontrando nada começou a gritar, foi embora gritando pela mata novamente, assustando todos os bichos da floresta. Kirino desceu da árvore embalado na maior rapidez, chegou em casa sem nada, contou a todo mundo da aldeia o acontecido, os outros indígenas dizeram : " home voçe teve a maior sorte do mundo, escapar do Caboclo de Casco ", Kirino respondeu : escapei porque estava em cima de um pé kruirí, fiquei quietinho sem fazer barulho nenhum . Agora com a derrubada da grande mata, o Caboclo de Casco foi embora para outra região de florestas virgens.

Nhenety Kariri-Xocó

segunda-feira, 8 de abril de 2013

ROUPA DA CAMUNIDADE



Roupa da Comunidade. Desenho : Nhenety
   Minha mãe Maria de Lourdes Ferreira, contou que ainda alcançou, índios muitos pobres, morando na Rua São Vicente em condições muito precárias década de 1920 . Não tinha nem uma roupa digna para ir ao centro da cidade de Porto Real do Colégio, moravam na periferia, descriminados. Quando algum índio ia comprar mercadorias : farinha, açúcar e café, serviam de chacota pelos brancos ousados, alguns assobiavam, diziam palavrões “ lá vem os caboclos carniceiros “. As condições dos índios era bastante precárias, muitos não nem uma roupa para vestir, bermuda rasgada, encardida, remendada, camisa velha rasgada, calçados não se via um no pé. Entre os índios de Kariri-Xocó, tinha um que era rico, chamado Gabriel Gonçalves de Oliveira, fazendeiro conhecido, que as . dava assistência, aqueles pobres abandonados. O Sr., Gabriel logo disse : “ Vou Fazer a Roupa da Comunidade “, comprou pano cutim azul, uma bolsa de palha, e um par de tamanco de pau. A roupa foi costurada na mão por dona Maria Matilde sua mulher. A
roupa ficava na sala, pendurada no torno, chegava um índio e pedia, seu Gravié, vim pegar a roupa para eu ir no centro da cidade compra farinha e fumo. Gabriel respondia ao pedinte, espere aí na fila, que já tem quatro pessoas em sua frente, Sineta já foi na rua, na bodega de seu Barbino, e ainda não voltou. Esse fato aconteceu, era uma época muito sofrida, esta roupa durou muito tempo, mas ficou a história, a Roupa da Comunidade, se tornou-se a Roupa da Caridade, ussada por todos os índios que iam na cidade. Somente a partir da criação do Posto Padre Alfredo Damaso, melhorou um pouco na questão de respeito. http://www.indiosonline.net/a_roupa_da_comunidade/ 

Nhenety Kariri-Xocó.

domingo, 7 de abril de 2013

O PICA PAU EM APUROS

Pica Pau . Desenho : Nhenety
    Nós povos indígenas já estamos acostumados com nossa fauna , flora com os seres da natureza. Os cantos dos pássaros, seus hábitos alimentares, temos muitas histórias com os bichos seguindo nossa cultura. A televisão passa muito desenho animado, as crianças indígenas adoram assistir as peripercias dos personagens, até acreditam nos poderes dos super heróis da TV, salvando a humanidade. O Ouricuri a mata dos Kariri-Xocó, município de Porto Real do Colégio e São Brás em Alagoas, temos muitos bichos que  : Tatu, pica pau, gato selvagem, rato, rapousa, que muitas vezes são personagens conhecidos da garotada. Certa vez nós indígenas Kariri-Xocó estavamos na mata como de costumes, numa manhã apareceu um filhote de Pica Pau de cabeça meia vermelha, dorso preto, picando um tronco de árvore angico, bem perto das casas. Houve uma grande aglomeração de crianças, admiradas dizendo : " Olha o Pica Pau da televisão " , outros perguntavam onde estar ele ? outros respondiam olha ele ali, é ele mesmo. Começou chegar mais crianças, arrodearam o tronco da árvore, o Pica Pau ficou incomodado, como ainda o pássaro não voava direito, porque estava ainda começando a voar, sai de árvore em árvore. Então o índio Wikaí sentido que o Pica Pau estava em apuros, correu rapidamente na frente das crianças, após muito trabalho conseguiu pegar o pássaro. Todas as crianças queriam tocar no pássaro, elas estavam acreditando que era o Pica Pau da televisão. Wikaí falou com a índia  Joelma que tinha um automóvel, colocaram o Pica Pau no carro e foram soltar o pássaro bem longe, para ficar mais seguro. Para as crianças o pica Pau era um grande artista famoso da TV, todos queriam ver aquele astro .No final o Pica Pau foi embora, para o interior da mata, achamos que já estar adulto vivendo feliz. Depois nós adultos ficamos comentando, o que faz a televisão em nossa aldeia .

Nhenety Kariri-xocó






























sexta-feira, 5 de abril de 2013

JOÃO DE BARRO CONSTRUTOR

     A fauna do ecossistema da Caatinga, onde estar inserida a Terra Indígena Kariri-Xocó, municípios de Porto Real do Colégio e São Brás em Alagoas, podemos encontrar uma grande diversidade de espécies de pássaros. O João de Barro pássaro tem uma fama de ser construtor de sua casinha de argila no galho da árvore. Para construir seu abrigo o João de Barro faz uma mistura de argila com bagaço vegetal, dando uma consitencia resistente as interpéries das chuvas e do sol. Em nossa cultura João de Barro faz a casa o periquito ( pequeno papagaio ) toma conta. Também dizem os mais velho da nossa aldeia, quando o João de Barro faz a casinha com a porta virada para o Norte, o inverno vai ter muita chuva, mas quando a portinha é feita virada para o Sul é sinal de pouca chuva na região. Acreditamos sim nos sinais da natureza, as mensagens dos pássaros, principalmente pelo João de Barro, porque estes seres conhecem as mudanças do tempo das estações. O índio aprende muito com os seres da natureza, fazemos parte de um todo, devemos respeitar o espaço de cada ser vivo do planeta. Foi observando o pássaro João de Barro que nossos antepassados aprenderam a fazer as paredes da casa de taipa. Cada animal passa um ensinamento para nós, de construir, com outros bichos aprendemos a nadar, pescar, cura com remédios, enfim muitas utilidades.

Nhenety Kariri-Xocó



quinta-feira, 4 de abril de 2013

BAGRE DA FARTURA

    A pescaria do caniço era muito utilizada pelos índígenas Kariri-Xocó nas margens do Rio São Francisco. Caniço é um capim da mata ciliar dos barrancos do Velho Chico, foi numa pescaria desta que a índia Maria de Lourdes Ferreira, conhecida como Indaiá, pegou um grande bagre que mudou o destino de sua família. Naquele tempo difíceis, os índios trabalhavam de alugados como mão-de-obra para fazendeiros, no plantio das roças de algodão, pela demanda da indústria  xteis da região, que estava em expansão. O índio Alírio Nunes casado com Maria de Lourdes Ferreira, também trabalhava alugado. Com o bagre que Maria de Lourdes pegou na Pescaria do Caniço, entregou a seu esposo Alírio Nunes, que vendeu o peixe ao Grande Hotel da Ferrovia, com o dinheiro apurado voltou para a casa alegre e satisfeito. Alírio perguntou a Lourdes o que fazemos agora com este dinheiro? Ela respondeu Home pegue este dinheiro vá na Lagoa Grande, fale com Tojal e compre muito peixe para vender na cidade de Colégio. Assim Alírio fez como sua esposa orientou, comprou três balaios de peixes, dai começou sua vida de comerciante . A vida do casal indígena mudou, Alírio e Maria de Lourdes criou o seus filhos com muita fartura, não faltava nada, eles ajudava até a comunidade nos momentos mais difíceis da tribo. Alírio cansou de ser explorado como mão-de-obra barata trabalhando para fazendeiros, começou um negócio próprio, deu tudo certo, os pescadores do Baixo São Francisco, todo o peixe que pegavam vendiam a Alírio Nunes, que ficou conhecido na região. Tudo começou com um peixe o "Bagre da Fartura " que trouxe a felicidade da Família Nunes Ferreira. Para esta família não faltava nada na casa, tinha o alimento em abundancia, roupa nova para as crianças, Alírio Nunes ficou muito respeitado na cidade de Porto Real do Colégio como um homem de bem. Com a construção das hidrelétricas do Sobradinho, Xingó, Tres Marias e Paulo Afonso, a pesca entrou em decadencia, principalmente no Baixo São Francisco. As lagoas situadas ao longo das margens do rio agora não enchem como antes. Mas todos juntos devemos defender nosso Rio São Francisco, vamos plantar árvores nas nascentes dos afluentes, cada pessoa faça sua parte, não jogue lixo nas águas, não poluir,  cada pequena ação de todos termos uma grande realização. O Rio São Francisco Somos Todos Nós.

Nhenety Kariri-Xocó