domingo, 12 de novembro de 2023

SUGESTÃO DE NOVOS NUMERAIS BASEADOS EM COMPARAÇÃO COM AS LÍNGUAS MACRO-JÊ


Xokó


1 = paji < (Proto-Cerrado *pᵊji 'um')

2 = lyik, lyi < (Proto-Cerrado #rêK 'dois')

3 = ha < (ha 'inserir' do Proto-Cerrado *jə 'inserir')

4 = motu < (mo 'ir, andar' + tu 'pular' = motu 'prosseguir')

5 = akra  (a 'nominalizador' + kra 'mão')

6 = a-pa-ti (a 'nominalizador' + pa 'botar' + ti 'cabeça', no lugar de paji)

7 = a-pa-sô (a 'nominalizador' + pa 'botar' + sô 'olho', no lugar de lyík)

8 = a-pa-ha (a 'nominalizador + pa 'botar' + ha 'inserir')

9 = a-pa-lya (a 'nominalizador' + pa 'botar' + lya 'grande')

10 = kunyi (do Proto-Cerrado *kunĩ 'todos')

11 = kunyipa

12 = kunyilyik

13 = kunyiha

14 = kunyimotu

15 = kunyikra

16 = kunyipati

17 = kunyipasô

18 = kunyipaha

19 = kunyipalya

20 = lyikkunyi

30 = hakunyi

40 = motukunyi

50 = akrakunyi

60 = apatikunyi

70 = apasôkunyi

80 = apahakunyi

90 = apalyakunyi

100 = vêpaji (vê- 'prefixo de numerais grande' derivado de 

200 = vêlyik

300 = vêha

400 = vêmotu

500 = vêkra

600 = vêpati

700 = vêpasô

800 = vêpaha

900 = vêpalya

1000 = vêkóma

10000 = vêkunyi

100000 = vêsimikó




Autor da matéria: Suã Ari Llusan 


SUGESTÃO DE NOVOS NUMERAIS BASEADOS EM COMPARAÇÃO COM AS LÍNGUAS MACRO-JÊ PARTE 2


Natú


1 = paze < (Proto-Cerrado *pᵊji 'um')

2 = rik, ri < (Proto-Cerrado #rêK 'dois')

3 = sassare < (sassa 'inserir' do Proto-Cerrado *jə-jə 'inserir-inserir' + re 'grande, mais' = sa-sa-re 'adicionar, aumentar')

4 = mondo < (mon- 'prefixo de numeral' de mon 'ir, prosseguir' + to 'pular, saltar, prosseguir')

5 = mongra  (mon 'prefixo de numeral' + krá 'mão')

6 = mondi (mon 'prefixo de numeral' + ti 'cabeça', no lugar de paze)

7 = monsu (mon 'prefixo de numeral' + sú 'olho', no lugar de lyík)

8 = monsa (mon 'prefixo de numeral' + sa 'inserir')

9 = more (mon 'prefixo de numeral' + re 'grande' do Proto-Cerrado *rat 'grande')

10 = koñe (Proto-Cerrado *kunĩ 'todos')

11 = koñebba

12 = koñerik

13 = koñessa

14 = koñemondo

15 = koñemongra

16 = koñemondi

17 = koñemonsu

18 = koñemonsa

19 = koñemore

20 = rikma

30 = saremma

40 = tomma

50 = kramma

60 = timma

70 = summa

80 = samma

90 = remma

100 = wedire (we- 'prefixo de numerais grandes' do verbo we 'dizer, contar' + ti 'cabeça' + re 'grande')

200 = werik

300 = wesare

400 = weddo

500 = weggra

600 = weddi

700 = wezu

800 = weza

900 = were

1000 = wemma

10000 = wegoñe

100000 = wezimiggu (we- 'prefixo de numerais grandes' + simi 'aldeia' + ku 'grande')





Autor da matéria: Suã Ari Llusan 


quarta-feira, 8 de novembro de 2023

CORREÇÃO DA ETIMOLOGIA DO NOME KATUANDÍ


 Em Setembro de 2023, iniciei o processo de revitalização das línguas Xokó e Natú sob o nome de Xokó-Natú, após alguns dias, eu e Nhenety sugerimos o nome Katuandí, cujo na época utilizava da reinterpretação das raízes então disponíveis dos vocabulários de ambas línguas citadas anteriormente.

 

 Com o passar do tempo e o acúmulo dos estudos, foi possível associar as línguas Katuandí ao Macro-Jê através do método comparativo, assim facilitando na reconstrução de vocábulos para este ramo linguístico. Com as novas interpretações e novas palavras, uma correção dos vocábulos vistos nos primeiros textos tornou-se necessária e será aplicada agora no nome deste ramo.


 Para justificar as novas mudanças, o nome Katuandí continuará o mesmo, mas agora será etimologicamente katuã 'flor' + -dí 'sufixo epistêmico', onde katuã é composto de ká 'luz' de kapôêr 'luz' + tuã 'folha, planta', nasalização de tuá 'folha, planta', formando katuã 'planta/folha colorida', portanto 'flor'. O sufixo predicativo é um reaproveitamento do antigo sufixo nominalizador -ndí usado nos primeiros textos, etimologicamente derivado de grandilhá 'casa', com a função atual de afirmar o estado da palavra no qual se atrela, portanto katuã-dí 'é flor, é florido', fazendo referência ao renascer das línguas Xokó, Natú e Wakonã





Autor da matéria: Suã Ari Llusan 


ATUALIZAÇÃO SOBRE AS PALAVRAS DE PLANTAS MEDICINAIS DO KARIRI-XOCÓ


 Uma palavra que passou despercebida por mim foi Autussê, uma planta mágica cujo não fui capaz de extrair a função ou espécie dentro da publicação de Clarice Mota, por conta de que o livro está em modo de prévisualização, tornando impossível ver algumas páginas, cujo presumo ser onde se encontra essa palavra, que no momento só pode ser vista no Glossário.


 Com isso dito, farei uma análise nos próximos dias para providenciar uma etimologia para essa palavra. Digo no momento que suspeito da sílaba -ssê, cujo seguindo os padrões de evolução do Katuandí, pode ter vindo ou de *je ou de um *ce. Se veio de um *je, talvez seja cognato distante do Kariri dzi 'madeira, árvore'.





Autor da matéria: Suã Ari Llusan 


terça-feira, 7 de novembro de 2023

SUGESTÕES DE NEGAÇÕES DO KATUANDÍ


 Novamente seguindo o processo de distinção lexical, sugiro que as negações sejam separadas em tipos, os seguintes descritos servirão para descrever certos tipos de negação:


PRIMEIRA NEGAÇÃO

 O Natú registra uma negação, e após algumas análises, suspeito que talvez o Katuandí tivesse parcialmente preservado suas codas, nesse caso a negação é -tôk de zi-tôk 'não-indígena, estrangeiro', cujo se assemelha bastante à sua forma ancestral *tũ₁k ‘negação'. Com isso sugiro que essa seja a negação primária das línguas dessa família, batizado de piêbá tôk (primeira negação):


Xk.: -tôk

Wk.: -tôk

Nt.: -tôk



Exemplo em Wk.: amê impêrêtôk, intaprô-warí "o céu não é vermelho, é azul"


SEGUNDA NEGAÇÃO

Em casos de necessidade de rima dentro de poemas ou apenas o uso de um sinônimo, sugiro que a negação registrada no Wakonã -bí em inkrandibiçá 'preguiçoso' (lit.: sem força) seja o marcador de negação secundário, aqui batizado de lhêkbá tôk (segunda negação):


Xk.: -bí

Wk.: -bí

Nt.: -bí



Exemplo em Nt.: kêlizê liêmí akradibí "deixe de preguiça"


NEGAÇÃO IMPERATIVA

Esta negação serve para indicar o imperativo negativo de um verbo, isto é, quando se dá uma ordem para que alguma ação deixe de ser feita "não faça isso!", "não coma aquela comida!", "não escreva essa mensagem!" são exemplos deste uso, aqui será usada a palavra do Proto-Katuandí *re 'deixar, abandonar', batizado de amibêlê tôk (negação de ordem):


Xk.: liê

Wk.: lhê

Nt.: liê



Exemplo em Xk.: dsatialiê takê, dsajitiálikê inkê abá "não grite aqui, respeite este lugar"





Autor da matéria: Suã Ari Llusan 


SUGESTÕES DE PREPOSIÇÕES "POR" DO KATUANDÍ


 Baseando-se na proximidade histórica dos Kipeá com os Natú, aqui sugiro algumas distinções da preposição 'por' que foram inspiradas nas distinções feitas tanto no Kipeá quanto no Maxakalí:


MEDO, RESPEITO

Xk.: -kó/Wk.: -kú/Nt.: -kó 'por receio de, por medo de, por respeito de', ex. em Nt.: zi-pê-lí zi-kó zi-pêhêi-tôk "ele largou seu trabalho por medo de errar"


CARGA, PESO

Xk.: -pají/Wk.: -panjê/Nt.: -pêzí 'por peso, por cuidado, por cautela, por responsabilidade, por lealdade', ex. em Wk.: na-bêlêdsê-ká tanhí ji-panjê ka-têtêdsá-krí "nós falamos assim para que tu não se assuste"


EXPECTATIVA

Xk.: -taká /Wk.: -taká/Nt.: -têk 'por espera, por esperança, por expectativa', ex. em Xk.: "na-tabají-wã na-taká ka-tadahai-nhã "estamos esperando por tua vitória"





Autor da matéria: Suã Ari Llusan 


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

ESTADOS DO NORDESTE NA LÍNGUA NATÚ


Baseado no modelo da publicação anterior de tradução dos nomes dos Estados do Nordeste, que demonstro aqui novamente por motivo de comparação:


Nordeste = Assatíva (Do Tupi assa-tyb-a 'abundância de travessias')


Alagoas = Lhumanám (lhuma-nám 'lagoa-água')

Bahia = Kuanlhatô (kuam-lhatô 'baía-baía')

Ceará = Sêtiú (sêti-ú 'ave-água', do Tarairiú, etimologia abaixo)

Maranhão = Kramassám (krama-ssam 'mar-super, marzão')

Paraíba = Paradsá (pará-dsá 'rio-ruim')

Pernambuco = Tukramá (tu-kramá 'buraco-mar')

Piauí = Paràkitamá (para-akitama 'rio-piaba')

Rio Grande do Norte = Terapissimá (Do Tarairiú, etimologia abaixo)

Sergipe = Maparakanamá (da frase má pará kanamá 'no rio dos siris', tradução do Tupi siri-y-pe)


 Trago aqui a versão traduzida para a língua irmã do Wakonã, o Natú, baseado na sua visão de mundo. O Natú é levemente divergente em seu vocabulário, possuindo a estratégia de nomeação que segue um padrão B-A-B, onde se cria uma junção de dois elementos e repete-se o elemento secundário no começo da palavra (sha-ki-sha, ka-tu-ka), isso pode ser visto de forma menos óbvia no Xocó (tshat'ôkâ, cognato de katuká), os únicos exemplos de divergência demonstram uma preferência no Natú de palavras trissilábicas, mas também existem exemplos dissilábicos que seguem um padrão de descrição sem uso de afixos derivacionais e com modificadores vindo após o modificado (mên-sô 'homem-curar', não havendo um -ador atrelado a palavra para criar 'homem-cura-dor' ou gôzê 'jacaré' que é gô-zê 'lagarto-animal.grande'), seguindo todos esses padrões trago aqui uma aproximação dos significados originais dos nomes dos Estados com inspiração direta dos métodos supracitados:


Nordeste: Talinê 'Abundância de Travessias' (talí 'caminho, travessia' + -nê 'cheio, abundante, -oso')


Alagoas = Sônansô (sô 'poço, lago, lagoa' + nan 'água')

Bahia = Kitazibá (kitá 'barco' + zí 'deitar' + -bá 'local, lugar')

Ceará = Nansêdô (nán 'água' + sêdô 'ave' (sê 'animal' + tô 'voar'))

Maranhão = Unêpô (u 'água' + -nê 'cheio, abundante, -oso' + -pô 'verdadeiro, legítimo')

Paraíba = Nampú (nán 'água' + pú 'ruim, mal')

Pernambuco = Sôunê (sô 'buraco' + unê 'mar')

Piauí = Irókinán (iró 'mancha' + kí 'pele' + nán 'água')

Rio Grande do Norte = Terapíssima (do Tarairiú)

Sergipe = Maunêzênán (da frase má unêzê nán 'no rio dos siris' tradução do Tupi siri-y-pe)




Autor da matéria: Suã Ari Llusan