terça-feira, 2 de janeiro de 2024

COMO DIFERENCIAR O PRESENTE DO PASSADO E O FUTURO DO CONDICIONAL


No Natú existem duas partículas de tempo que se juntam aos pronomes de sujeito:


-za, que indica o presente e o passado simples, o realis, o que existe no mundo material

-tó, que indica o futuro e o condicional, o irrealis, o hipotético


Uma maneira muito fácil de entender esses dois é da seguinte forma, se eu tenho um pedaço de carne assada (wañu ñan zó), e eu estou comendo ou já terminei de comer esse pedaço, significa que a ação é real (realis), que ela está ou já esteve no mundo real de alguma forma. Se eu não comi, se eu irei comer, se eu desejo comer ou se eu tenho esperanças de comer, significa que eu não realizei aquela ação, ela é irreal (irrealis), está no mundo da imaginação, vou dar alguns exemplos:


ba wa-za ma Shonembo 'eu moro em Fortaleza' ou 'eu morei em Fortaleza'


Como diferenciar entre esses dois ? Normalmente quando uma frase só assim não é o suficiente para esclarecer em que tempo se passa a informação, utiliza-se de outras palavras:


ba wa-za ma Shonembo keñe 'eu morei em Fortaleza antigamente' < Indicando que a ação é antiga, portanto passado com keñe 'antigamente'


ba wa-za ma Shonembo da rodo 'eu moro em Fortaleza agora' < Indicando presente com da rodo 'agora'


ba wì wa-za ma Shonembo 'eu estou morando em Fortaleza' < Indicando uma ação em progresso com wì 'andar, ir'


O futuro (ação que será feita), condicional (caso a ação seja feita), optativo (desejo) e imperativo (dar ordens) são todos marcados com -tó, mas se diferenciam com a marcação de advérbios:


ñàhì ka-tó haìwîsire tan añi seókó kìdé ? 'vais comprar sapatos novos pro teu filho/pra tua filha ?'


no ñàhì ka-tó haìwîsire tan añi seókó kìdé ? 'e se você comprar sapatos novos para teu filho/ tua filha ?'


ñàhì ka-tó pra haìwîsire tan añi seókó 'espero que tu compre sapatos novos para teu filho/tua filha'


da ñàhì ka-tó haìwîsire tan añi seókó! 'compre sapatos novos para teu filho/tua filha!'






Autor: Suã Ari Llusan 


FRASES PARA TREINAR NATÚ


Pronomes independentes de sujeito


wa 'eu, meu, minha'

ka 'tu, teu, tua'

ta 'ele(a), dele(a)'

wazinan 'nós'

kazinan 'vós'

tazinan 'eles, elas'


Pronomes de objeto


i-my 'me, para mim'

a-my 'te, para ti'

in-my 'para ele(a)'

wa-my 'nos, para nós'

a-my-nan 'vos, para vós'

in-my-nan 'para eles(as)


Sufixos

-nan 'marca o plural'

-my 'marca o dativo (como a-my 'para ti')'

-za 'marca o presente e o passado simples'

-tó 'marca o futuro e o condicional'

-bà 'conjunção, como o e de eu E você'



kuzi waza a-my 'eu gosto de ti' ou 'eu gostei de ti'


ELEMENTOS DA FRASE

kuzi 'apreciar, gostar'

wa-za 'eu (sujeito/aquele que faz a ação no presente ou no passado simples)'

a-my 'para ti, a ti (objeto/aquele que sofre a ação)'


kran waza grogó 'eu como mandioca' ou 'eu comi mandioca'


ELEMENTOS DA FRASE

kran 'comer (verbo singular)'

wa-za (sujeito do presente ou passado simples)

grogó 'mandioca'


Ñàhì waza tingì tópàbà ma babà nen 'Comprei frutas e verduras no mercado.'


ELEMENTOS DA FRASE

ñàhì 'comprar, resgatar'

wa-za 'sujeito no presente ou passado simples'

tingì 'fruta, fruto'

tópà 'verdura'



10 mérékia imy, ñàhì wató zéda tan 'Eu tenho 10 reais, vou comprar uma camisa nova '


ELEMENTOS DA FRASE

10 (sôkra)

mérékia 'dinheiro, real'

i-my 'para mim'

ñahì 'comprar'

wa-tó 'sujeito da primeira pessoa no futuro'

zéda 'tecido, roupa, camisa'

tan 'novo, nova'


Obs.: Assim como no Kariri de Mamiani, o verbo 'ter' não é usado como no português, portanto usam-se os pronomes de objeto como i-my 'para mim' para dizer que você tem algo, como em:


grandira i-my 'eu tenho uma casa' ou literalmente 'existe uma casa para mim'



Frase de autoria de Nhenety Kariri-Xocó, traduzida por mim:


Thobatan wì wasêrêza Peagaxinan wadi. Pupuronê wì, êrêbà wì inêrêza terezi Peagashinan, yabàtan wêru, wìbà wazinañi wa wêru Peagashinan, kuzidoda êrê ma wêmytan tañi êrêza diada.


"Continuamos respirando e falando a língua do povo Natú. Nosso sonho é reconstituir o vocabulário e fazer nossa gramática Natú, Legal mesmo é o povo Natú falar no cotidiano sua língua materna.




Autor: Suã Ari Llusan 


ETIMOLOGIA DE USARUNGUWONHÉ 'DESPOSAR-SE'


 A palavra é um composto de elementos emprestados do Terejê com uma palavra Kariri, a palavra se divide da seguinte forma:


SARUNGU-WONHÉ


SARUNGU pode também ser divido, seus componentes sendo:


SARU 'sentir' ou SARU 'saltar', cognato do Xerente sarõ 'saltar' ou do Xerente saroto 'sentir', ambos os dois significados tem chance de ser o verdadeiro, veja no final.


Assim como TINGHI que veio de um antigo TIKA, NGU veio de antigo KU que foi nasalizado, a palavra que talvez tenha alguma relação com essa seja o Xerente kui, que surge dois compostos:


Xerente kuikãsi 'embrulhar, enrolar, envolver'

Xerente: kuirĩ 'rodear'


Tendo portanto alguma relação com o movimento de envolver ou cercar algo, seguindo a lógica teríamos junto com WONHÉ, que é a palavra Kipeá para 'bem, perfeito' ou o composto:


SARU-NGU-WONHÉ 'sentir envolvimento perfeito'


ou


SARU-NGU-WONHÉ 'saltar (celebrar) o envolvimento perfeito'



Como seguindo os processos fonéticos as palavras que vemos no Xerente teriam resultado no Terejê sem a coda e com possível alçamento vocálico (o, õ  > u ou û), SARU seria o resultado de ambos portanto reconstruo:


Proto-Kariri *u-saru 'saltar, celebrar'


Dz.: uharu, udharu

Kp.: usarù

Sp.: ussarú

Km.: ussarù

Kt.: usaró

KX.: usarú, uharú, udharú

Pp.: usarú

Dz-Tx.: uharu, udharu

Kb.: uharú


Terejê


Xokó: sarô

Natú: sarû

Wakonã: saróó


Proto-Kariri: u-saru 'sentir'


Dz.: uharu, udharu

Kp.: usarù

Sp.: ussarú

Km.: ussarù

Kt.: usaró

KX.: usarú, uharú, udharú

Pp.: usarú

Dz-Tx.: uharu, udharu

Kb.: uharú


Terejê


Xokó: sarô

Natú: sarû

Wakonã: saróó


Também reconstruo para o Terejê


Terejê *ku 'envolver, circular, rodear'


Xokó: ku, dsu

Natú: ku

Wakonã: kú, kô





Autor: Suã Ari Llusan 

FUNÇÃO DOS DIACRÍTICOS DO DZUBUKUÁ


 Bernardo de Nantes (Bernard de Nantes) era um capuchinho bretão que participou do processo de conversão para a fé cristã no vale do Rio São Franciso, sendo o autor de um dos dois catecismos de uma língua da família Kariri, a língua Dzubukuá, publicação esta que ele chama abreviadamente de "Katecismo Indico". Sua publicação é de valiosíssima importância para a nação Kariri, tendo auxiliado no desvendar dessa família assim como da família Terejê, mas uma coisa que nos escapou por um bom tempo fui sua ortografia, principalmente seus acentos e sua funções práticas dentro do texto.


 Queiroz em 2008 fez uma publicação discutindo sobre a fonologia Dzubukuá, mas acredito que existam alguns problemas em sua análise que precisam ser discutidos, neste texto, um dos pontos que irei discutir serão as suas vogais laringeais, ou vogais com voz trêmula. De acordo com este autor, todas as vogais que possuem o diacrítico circunflexo [^] possuem uma pronúncia onde a voz começa a tremer enquanto a pronuncia, Queiroz baseia sua teoria em comparação com a ortografia Kipeá de Mamiani, mas eu particularmente discordo nessa instância específica dessa comparação, irei providenciar as evidências que encontrei ao primeiro mostrar a seguinte tabela:


Tabela das vogais do AFI


Fonte bibliografica : https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:IPA_vowel_chart_2005.png 


Quero que os leitores prestem atenção especificamente nas vogais /æ/, /œ/ e /ɛ/, o Francês possui algumas estratégias de anotação de sua pronúncia, você pode notar isso pela presença dos diacríticos [´], [`] e [^] em suas palavras, elas não são meras "decorações", elas tem funções reais, e aqui argumento que Nantes tinha total noção delas e ativamente usou-as em sua publicação. Eu não discordo de uma comparação do Kipeá com o Dzubukuá, mas é preciso cuidado nesse quesito, peço que notem as seguintes palavras:


1) Dz.: uclèm vs Kp.: crae

2) Dz.: dehèm vs Dz.: dahandcj

3) Dz.: -loboè vs Kp.: -robae

4) Dz.: uplè vs Kp.: uprè


Como é possível perceber, existe uma transição de sons aqui, voltando para a tabela logo acima, os sons de /æ/ e /œ/ estão a apenas meio nível de diferença um do outro, meramente necessitando de um pouco de abaixamento e alçamento vocálico para que ambos transitem entre si, Nantes parecia ter noção da proximidade da pronúncia de /œ/ com o fonema /ɛ/, considerando ambos sons abertos da mesma qualidade, apenas diferindo no quesito de arredondamento dos lábios, ele tinha tanta noção disso, que o digrafo [oè] só tinha outra letra com anotação do mesmo sinal, que era [è], de acordo com as regras ortográficas estabelecidas no francês, o acento grave sobre a leta è torna-o aberto como nosso é de égua, também sendo possível que como no exemplo 1), Nantes usasse [è] para denotar o fonema /æ/ que Mamiani representa com o digrafo ae, e como visto no exemplo 2), também variava com o /a/, exatamente como acontece no Natú e Wakonã. A vogal i também surge anotada com o acento grave [ì] como em nhìnho 'Deus', aqui torna-se difícil interpretar sua função exata, já que o francês não utiliza esse acento nessa letra, portanto é possível que o fonema aqui seja /ɪ/, o mesmo visto no i átono do Kipeá como tinghi 'canafrecha'.


 Outra evidência de que Nantes tinha noção das funções antigas dos dígrafos franceses, que datam da época do grego antigo e sua ortografia politônica, é da utilização do circunflexo [^] para denotar as vogais longas, exatamente como é visto na anotação do Xokó por Loukotka séculos depois, aqui vai a maior evidência dessa utilização:


5) Katecismo Indico, pág. 3

E para quem fez o ceo ?             Idoôdè cunne Inhinho aranquè ?

R: Para nós                                  R: Kudôa.


Nantes responde a pergunta "e para quem fez o ceo" utilizando a mesma partícula que é vista no Kipeá como -dohò, aqui no entanto vemos que ela está reduzida, quem visse pela primeira vez apenas presumiria de que se trata somente da partícula dó 'a, para' sem o -hó incluso, mas não é isso que acontece no Dzubukuá, essa língua estava perdendo seu fonema /h/ aos poucos, isso é demonstrável claramente na palavra odde 'por que' em comparação ao Kipeá sodè 'por que', onde /s/ > /h/ > Ø (símbolo que representa a ausência de um fonema, ou seja, nada), portanto dô se trata da abreviação de um doo visto logo acima escrito como doô em idoôdè, a sua raridade na ortografia de Nantes também demonstra que sua função não denotava a qualidade do fonema, como vemos aqui, denota na verdade sua duração.


 O acento agudo parecia realmente ter a exata função que vemos no Kipeá, que é não é a de modificação da qualidade da vogal e sim de marcação da sílaba tônica de uma palavra, é possível ver isso em algumas palavras cujo a tonacidade muito provavelmente modificou um de seus constituíntes:


7) Dz.: hémwj 'céu' vs Kp.: yemŷ 'arriba, acima'

8) Dz.: tudénhie 'antigamente' vs Kp.: tudenhè 'nos tempos passados'

9) Dz.: andé 'quem, qual' vs Kp.: adjé 'quem, qual'


Caso mwj/mŷ realmente derivem da mesma raiz que o dativo ma que vemos no Xavante e Xerente (a partir do Terejê) em posição átona, então isso provaria que /a/ átono virava o i grosso /ɨ/ nessa posição, e provaria que o acento agudo visto no Dzubukuá realmente está demonstrando a sílaba tônica.


 Por último, vemos que existem vogais que não possuem acentuações, presume-se neste caso que sejam as vogais orais /a/, /e/, /i/, /o/ e /u/, no entanto existe o problema do [e], que possui cognatos no Kipeá que ora são pronunciados como /e/, ora como o schwa /ə/, não existe uma distinção clara entre os dois na ortografia do Katecismo Indico, podemos presumir que o acento agudo sobre o [é] seja o fonema /e/, mas sem acento, torna-se um jogo de adivinhação, isso pode indicar uma de duas coisas:


1) O fonema /e/ e o schwa /ə/ variavam livremente entre si no Dzubukuá

2) Todas as letras [e] não acentuadas são schwa /ə/

3) A letra [e] está fazendo duplo trabalho, representando tanto o fonema /e/ quanto o fonema /ə/


Eu tenho muitas dúvidas sobre a primeira e segunda teoria, creio que seja mais plausível que Nantes estivesse usando essa letra com dupla função, e como não temos uma gramática ou dicionário deste mesmo autor, não temos sua ideia exata de como pronunciar cada palavra escrita, mas podemos inserir os mesmos sons que conhecemos do Kipeá de volta no Dzubukuá, onde houver o schwa garantido na ortografia de Mamiani, podemos ter um pouco de certeza de que seria o mesmo no Dzubukuá, enquanto os outros que desconhecemos, recomendo que se pronuncia de forma neutra como /e/.


Ao todo temos os seguintes resultados:


Vogais fechadas

a, á = /a/ ou á do português

e, é = /e/ ou ê do português

i, í = /i/ ou i do português

o, ó = /o/ ou ô do português

u, ú = /u/ ou u do português


Vogais médias

e = /ə/ ou a de about do inglês

wj, ui, uj, wi = /ɨ/ ou y (i grosso) do Tupi Antigo


Vogais abertas

è = /ɛ/ ou é do português, também /æ/ ou a de bat do inglês

ò = /ɔ/ ou ó do português

oè = /œ/ ou œ do francês


Vogais longas

â = /aː/ ou áá 

ê = /eː/ ou êê

î = /iː/ ou íí

ô = /oː/ ou ôô

û = /uː/ ou uu





Autor: Suã Ari Llusan 



segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

CORREÇÃO DA ETIMOLOGIA DO NOME WAKONÃ


Ao reler o documento de Clóvis Antunes dos Wakona-Kariri-Xucuru, percebi que ele anotou algumas variantes do nome deste povo, uma delas me fez notar algo interessante:


Inakaná


Essa palavra se assemelha bastante ao formato da palavra Kipeá DZ-ACÀ 'sogro, sogra', fazendo com que este povo seja uma divisão daqueles que eram chamados de sogros e sogras. Claro, não descarto a possibilidade também dessa palavra ter relação direta com o ÓKÓ 'filho' do nome XOCÓ, fazendo nesse caso com que os Wakonã sejam uma divisão diferente dos filhos, mantendo a divisão binária entre 'filhos' e 'avós'.





Autor: Suã Ari Llusan 

ETIMOLOGIA DE MERÉ 'DINHEIRO' E A PALAVRA PARA PEDRA DO TEREJÊ


A palavra dinheiro foi registrada tanto no Xokó (mérékia) quanto no Natú (meré), percebi agora a semelhança dessas duas palavras em relação ao visto no Kipeá MERATÀ 'ferro' e no Dzubukuá MERATTA 'ferro', já que dinheiro na época da colonização era feito de metal, com isso, percebi também que o Xokó preservou a palavra KIÁ no composto, que seguindos os padrões estabelecidos na publicação MUDANÇAS SONORAS DO KATUANDÍ, seria cognata do Xavante 'ẽnẽ 'pedra' (< *kẽnẽ) e do Xerente knẽ 'pedra', portanto sendo a palavra, ou pelo menos, uma das palavras nativas do Terejê para denotar o coneito de 'pedra', portanto reconstruo como:


Terejê: *k(y)æ 'pedra, mineral'


Xokó: kia

Natú: kià

Wakonã: kiá



SUGESTÕES DE COMPOSTOS COM A NOVA PALAVRA:


1) Pedra, mineral


Xokó: kia

Natú: kià

Wakonã: kiá


2) Capacete (pedra-cabeça-cobrir)


Xokó: kiatipiadu

Natú: kiàtìpîdu

Wakonã: kiatipiêdú


3) Âncora (pedra-corda)


Xokó: kiakrara

Natú: kiàkróró

Wakonã: kiakrará


4) Enxada (pedra-roça)


Xokó: kiamal'aba

Natú: kiàmàràbà

Wakonã: kiamalhambá, kiamalhembá


5) Cristal (pedra-olho-osso)


Xokó: kiasôki

Natú: kiàsôkì

Wakonã: kiassôkê


6) Mercúrio (pedra-lua-matar)


Xokó: kiawãvimar

Natú: kiàwavemarì

Wakonã: kiababêmár



7) Prata (pedra-lua)


Xokó: kiawãvi

Natú: kiàwave

Wakonã: kiabábê


8) Cascavel (metal-pedra-cauda)


Xokó: mérékiakru

Natú: mérékiàkru

Wakonã: mérékiakrú


9) Dinheiro (metal-pedra-trocar)


Xokó: mérékianen

Natú: mérékiànen

Wakonã: mérékianém


10) Ouro (pedra-amarelo)


Xokó: kiahé

Natú: kiàhé

Wakonã: kiahé


11) Mármore (pedra-olho-borda)


Xokó: kiasôba

Natú: kiàsôbè

Wakonã: kiassôbe


12) Cobre (metal-pedra amarelo fedor)


Xokó: mérekia hé kóga

Natú: mérékia hé kógà

Wakonã: mérékiá hé kógé




Autor: Suã Ari Llusan 



CONSTRUÇÕES E DIVISÕES GEOGRÁFICAS EM NATÚ


 Tocaia = gambu, grambu (gan/gran 'casa' + bu 'armadilha')

Barraca = zìñada (zìña 'barro' + -da 'predicativo')

Armazém = kìsìbì (kìsì 'repartição' + bì 'observar, guardar')

Casa = ga, gra, gan, gran, gandira, grandira

Loja = nembà pofoza (nen-bà 'lugar de trocar' + pofo-za 'produto')

Prédio = dendéza (dendé 'construir' + -za 'nominalizador')

Apartamento = gawañupri (ga 'casa' + wañu 'repartição, camada' + pri 'alto')


Conjuntos:


Acampamento = maraza (mara 'campo' + -za 'nominalizador')

Assentamento = dadìza (dadì 'assentar' + -za 'nominalizador')

Ocupação = wîsireza (wîsire 'pé, plantar, firmar, ocupar' + -za 'nominalizador')

Aldeia/Vila = simido

Fortaleza/Fortificação = dedì (dedì 'cerca de paus')

Castelo = dedì haìkó

Palácio = ga haìkó, gra haìkó

Igreja/Templo = inga Sonsé, ingra Sonsé

Mercado = babà nen (ba-bà 'lugar plano' + nen 'trocar')

Cidade = krasimido, simido haìkra, simido akóma

Estado = natisêrê krasimido (n-atisêrê 'REL-terra' + krasimido 'cidade')

Região = tinan (ti 'terra' + nan 'dividir, divisão')

País = dadìzì (dadì 'assentar' + zì 'barro, gente, povo, nação)

Ilha = tipoñu (ti 'terra' + poñu 'nadar')

Arquipélago = tipoñuyó (tipoñu 'ilha' + yó 'muito')

Subcontinente = inkra atisêrêkó (in-kra 'filho dele/dela' + atisêrê-kó 'terra grande, continente')

Continente = atisêrêkó

Planeta = intho (in-tho 'ele é redondo')




Autor: Suã Ari Llusan