quarta-feira, 11 de setembro de 2024

CURANARI, NOSSA LÍNGUA


A língua Kariri das proximidades da capital do Ceará deixou-nos pouquíssimos traços, as única palavras que temos certeza são Dequeamamene e suas variantes (Awamamune, Aguamamune, Aquamamune, Acamamune, Camamune), Gemame e Ariama, cujo teorizo serem pontos diferentes das Serras de Maranguape, pois:


1) Dequeamamene (Teceamamene, na ortografia que sugiro) significa 'aquele/aquilo que funciona como (lugar de) guerra', portanto 'campo de batalha', que foi traduzido pelos Tupis como Marangûab 'campo de batalha', derivado de ty- 'terceira pessoa reflexiva' + (o)wòma 'guerrear, batalhar' + -me 'com função de' + -ne 'sufixo agentivo'.  As variantes: awama, aguama, aquama, acama, cama, queama, colocadas nessa ordem, explicam a evolução dessa palavra até sua variante mais recente (1655, em comparação com as outras que surgem mais ou menos +40 anos antes).


2) Gemame (Syemame) significa 'funciona como caminho', derivado de uma palavra antiga das línguas Caribe osema 'caminho' + -me 'com função de'.


3) Ariama (Ariyama) significa 'fronteira', derivado do Caribe erije 'fronteira' + -my 'sufixo nominalizador'


Essas palavras representam um estágio anterior da língua Kariri, a prova dessa relação está na palavra para Maranguape: Dequeamamene, que usa da mesma estrutura de-...-X que o Kariri usa, que no caso do Dzubukuá é di-...-li




Autor da matéria: Suã Ari Llusan 



ETIMOLOGIA DE SONGÀ 'PENAS NOVAS'


A palavra Kipeá songà 'penas novas' refere-se às penas recem surgidas de pássaros, deriva de um verbo do Natú Antigo *tsõka (no que resultaria em côk /soːk/ no Natú do século 20), cognato do Xavante tsõ'a 'apresentar, elevar, revelar' e do Xerente sõkawi 'abertamente', o verbo em sua forma base significa 'abrir, revelar'.




Autor da matéria: Suã Ari Llusan 



CORREÇÃO DA ETIMOLOGIA DE SEPRUN 'OVELHA'


A palavra seprun é derivada de um verbo cognato do Xerente saprõ 'conduzir', devido ao modo que um pastor conduz suas ovelhas.



Autor da matéria: Suã Ari Llusan 



CORREÇÃO DA ETIMOLOGIA DE ZITÓK 'ESTRANGEIRO'


A palavra é na verdade cognata direta do Xavante nhitob'ru/tsitob'ru 'inimigo' e parcialmente do Xerente sikru 'inimigo'. 


tsito(b) significa 'fechado' e kru significa 'raiva, zangado', portanto a palavra original do Natú era *zitokru, que acabou virando *zitokr e depois zitók 'inimigo, estrangeiro'.


Esse processo também é visto no Xukuru, na sua palavra para 'casa' (sekri > xekl ~ xekh > sek, sok), possivelmente refletindo aspectos de uma Área de convergência linguística.




Autor da matéria: Suã Ari Llusan 



domingo, 8 de setembro de 2024

ETIMOLOGIA DE SOPOÑU


 A palavra é cognata do Pankararú shupuñum, ambas derivadas de um antigo *supu(-ka) 'remexer ao redor em' + *-numy 'sufixo verbalizador intransitivo', formando *supu-num(y). A palavra não é nativa do Dzubukuá e foi pega emprestada de uma língua das proximidades, vista a preservação do /s/, o esperando sendo *hopoñu.


Fonte: COURTZ, Hendrik, 2008, p. 373




Autor da matéria: Suã Ari Llusan 



quarta-feira, 4 de setembro de 2024

A POSSÍVEL LÍNGUA DOS WOYANA DE WARACAPASSU


 Sabe-se graças aos documentos dos holandeses que o povo Woyana foi liderado em algum momento por um cacique chamado Waracapassu (escudo grande), também é possível perceber sua presença na toponímia do Ceará, visto que alguns topônimos não tem explicação etimológica derivada do Tupi Antigo, como no caso do nome antigo do rio Jaguaribe, que era Suaguarine (Suawari-ne), com um sufixo agentivo -ne derivado das línguas Caribes, além da pronúncia de uma palavra Tupi (îaguar-a) com um s- e um -i no final (suawari 'jaguar, onça'), isso indica que os habitantes originários do Jaguaribe eram migrantes Caribes, e afilio-os diretamente aos Woyana, pois de acordo com Loukotka (1968) a palavra registrada no Wayana para onça foi yaweri (yaweri > sawari (fricativização y- > s-) > suawari (labialização s- > sʷ-)).


 A língua Woyana pode ser associada diretamente à confederação Wayana ao norte, no Escudo das Guianas, sendo língua prima da Kaliña descrita previamente e comparada com a família Kariri, parte do grupo central do tronco Caribe, grupo esse que eu suspeito ser o ancestral das famílias linguísticas Kariri, Tremembé e Woyana no nordeste. Os Woyana foram pouco mencionados, mas a relação da palavra Suawarine indica que sua presença ocorria no atual rio Jaguaribe, compartilhando tais terras com os Payakú da nação Tarairiú. Também suspeito que alguns devam ter migrado mais ao leste, para o rio Açu, onde viviam os Janduí, deixando-nos evidência disso no nome que os Janduís usavam para si próprios, Otschuca-YANA.


 Com essa associação, é possível também estudar tal língua, visto que duas gramáticas estão disponíveis de graça na internet (GRIMES, 1972; TAVARES, 2006). Darei atenção para essa língua ao lado do Tremembé no estudo que estou fazendo para tecer a relação linguística do Kariri com os troncos da América do Sul.




Autor da matéria: Suã Ari Llusan 



ESTUDANDO A ORIGEM DO NOME WANYE/WOYÊN 'TAPUIA' DAS LÍNGUAS KARIRI


Estou me perguntando aqui o quão desconexo ou conexo é esse termo da nação Kariri, pois Nantes usa aqui pagão, uma palavra que é normalmente usada pelos cristãos para definir uma pessoa de religião não-abraâmica.


 Pensemos assim, se Nantes estava na ilha de Aracapá, nas proximidades de Cabrobó e etc, ele estaria chamando as pessoas de dentro das aldeias Dzubukuá que não aceitaram o cristianismo de "pagão" especificamente ? Ou ele estaria falando de um povo a parte nas proximidades do Rio São Francisco ? Venho estudando aqui os documentos holandeses e vi menção de um povo Woyana, cujo bate perfeitamente o nome:


Woyana: woyana

Dzubukuá: wãye

Kipeá: woyên


 Também vi em uma publicação de 2003, de Jacionira Coêlho Silva, a sugestão de uma relação com os povos Umã, que, após eu checar a língua, percebi que tem forte afinidade com o Pankararú.


Também vejo que os Tremembé chamavam os Woyana de 'estrangeiro, bárbaro, tapuia', como no nome de um riacho aqui do Ceará, chamado Tapuiú em Tupi, mas chamado de Guasapuina em Tremembé < *waja(na) apyin-a 'multitude de tapuias' (Courtz, 2008, p. 236).





Autor da matéria: Suã Ari Llusan