sexta-feira, 20 de maio de 2022

RECONSTRUÇÃO SABUYÁ KAMURÚ


 Lista de reconstrução Sabuyá-Kamurú (Letra B - Parte II)


1) 'montanha, outeiro', Dz.: boedo  Kp.: bendo, reconstruído como *bədo:


Sb: pöto

Km: bonto (registrado por Martius)


2) 'estar escondido' Dz.: boedo  Kp.: bendo, reconstruído como *bədo:


Sb: pöto

Km: bonto 


3) 'jardim, roça' Dz.: boete  Kp.: bechen, reconstruído como *bəce:


Sb: böce

Km: bace


4) 'ou, e' Dz e Kp.: boho, reconstruído como *boɣo:


Sb: pocho

Km: pocho


5) 'varíola' Dz.: bororu ~ buroru, reconstruído como *bVɾoɾu:


Sb: pororu ~ puroru

Km: pororu ~ puroru


6) 'machado' Dz e Kp.: bodzo, reconstruído como *bVdzV:


Sb.: potzo

Km.: potzo


7) 'classificador para casas, flechas, contêineres, espigas de milho, e criaturas vivas com exceção de pássaros" Dz e Kp.: bu-, possivelmente múltiplas raízes homófonas, todas reconstruídas como *bu:


Sb: pu-

Km: pu-


8) 'malvado, ruim, pecado' Dz.: buanga  Kp.: buange, reconstruído como *bu-(w)əŋə:


Sb: puwöngö

Km: puwanga


9) 'urucum', Dz.: bukleke  Kp.: bukrenke, reconstruído como *bu-kɾe ke:


Sb: pukleke

Km: pukreke 


10) 'sepultura' Dz e Kp.: budewo, reconstruído como *budewo:


Sb: putewo

Km: putewo


11) 'logo, sem demora', Dz.: budiro  Kp.: býdiro, reconstruído como *bɨdiɾo:


Sb: putiro

Km: putiro


12) 'fartar-se, sustento' Dz.: buo  Kp.: buho, reconstruído como *buɣo:


Sb: pucho

Km: pucho


13) 'corpo', Dz.: buyewoho  Kp.: buyenwoho, reconstruído como *bujə(w/ɣ)oɣo:


Sb: buyöwago (Registrado por Martius)

Km: boyingniho (Registrado por Martius)


14) 'pé, ir, correr' Dz.: bui  Kp.: bý, reconstruído como *bɨ:


Sb: puy (Registrado por Martius)

Km: boui (Registrado por Martius)


15) 'açoitar' Dz.: buidapri  Kp.: býsapri, reconstruído como *bɨcapɾi:


Sb: pusapri ~ pucapri

Km: pusapri ~ pucapri


16) 'quebrar' Dz.: buidha  Kp.: býsa, reconstruído como *bɨca:


Sb: pusa ~ puca

Km: pusa ~ puca


17) 'parente' Dz.: buiho  Kp.: buyo, reconstruído como *buiɣo


Sb: puicho

Km: puicho


18) 'irmã mais nova' Dz.: buike  Kp.: býke, reconstruído como *bɨcə


Sb: puküe (Registrado por Martius)

Km: puka (Registrado por Martius)


19) 'irmão mais novo'  Dz.: buiran  Kp.: býrae, reconstruído como *bɨɾə


Sb: bule (Registrado por Martius)

Km: buran (Registrado por Martius)


20) 'fornicar', Dz.: buito  Kp.: býto, reconstruído como *bɨto:


Sb: puto

Km: puto


21) 'belo, bonito', Dz.: bukie, bukeke, reconstruído como *ce:


Sb: ce, puce

Km.: ce, puce



Autor da matéria: Ari Loussant


quarta-feira, 18 de maio de 2022

HIPÓTESE 1ª SÍLABA DE SOMBÝ E SONGA


( As palavras SOMBÝ 'pendão do milho' e SONGA 'penas novas' )


         Ari Loussant sempre com muitas dúvidas sobre o morfema /sə̃/ que surge em SONGA, além de seu significado 'penas novas' ser estranho, para ter certeza de que não era algum aspecto da cultura Kariri, Ari dedicou a procurar por todos os lados qualquer cognato dessa palavra. Lembando da existência da palavra SOMBÝ, que significa 'pendão do milho', cujo a segunda raiz BÝ será um tópico que ele irá falar sobre essa semana, mas o mais importante é a primeira sílaba de ambas as palavras.


       Como vocês viram lá em cima, Ari Loussant já tinha uma reconstrução fonológica dessa sílaba, e agora ele  explicando o porquê do schwa. Primeiro de

dizendo que o cognato externo dessa palavra ainda não é uma absoluta certeza, além dessa busca ter jogado uma pilha de hipóteses que derrubam algumas das suas hipóteses antigas no lixo, principalmente quando se refere à palavra para 'cabelo' e como ele irá reconstruir ela, tudo será explicado logo quando ele resumir e simplificar o tópico, voltemos então para os cognatos.


Existem duas proto-línguas cujo possivelmente carregam seu cognato distante, pois na sua reconstrução para essa palavra é *cə 'cabelo, pelo, pena', cognato distante ou do:


Proto-Macro-Jê

*ke 'cabelo, pelo' (esse é o mais duvidoso pois as vogais não, mas não pode descartar a possibilidade da evolução de e > ə)

*jar° 'asa, pena, axila'

*cô 'folha, pelo'


ou


Proto-Tupi

*jaP 'cabelo, pelo, pena'


A evolução é como Ari Loussant já explicou antes, os sons *k e *j do Pré-Proto-Kariri se fundiram em certos casos e se tornaram uma oclusiva palatal surda *c ou uma oclusiva palatal sonora *ɟ, então *ke assim como *jar° e *jaP são candidatos para ser o cognato distante da raiz *cə. Lembrando que só uma raiz aqui é cognata da raiz Kariri, o fato de Ari não ter certeza se deve porque não teria conhecimento ainda da evolução dos sons da língua ancestral das línguas do Brasil (para facilitar, Ari vai chamar de Proto-Brasílico) para a língua Kariri, voltando para esse tópico quando ele tiver mais certeza sobre qual raiz é o cognato verdadeiro de *cə.


SOMBÝ seria o reflexo do Proto-Kariri *cə-pɨ 'cabelo-milho', sabe-se que BÝ significa milho graças as palavras BUCU(PÝ) 'flecha de milho' e NHU(PÝ) 'vinho de milho'


SONGA seria provavelmente reflexo ou do Proto-Kariri *cə-ga ou *cə-ŋa, ambos significam 'pena-pena'.



Autor da matéria: Ari Loussant



sexta-feira, 13 de maio de 2022

MORFEMA PARTES DO CORPO BU

 

( Grupo de Estudos Kariri )


O significado do morfema para partes do corpo *bu* e *umbu*


 Ari Loussant andou pesquisando para descobrir o significado desse morfema desde que descobriu crendo ele que finalmente chegou a uma conclusão sobre o *bü*. Ao checar o Estudo do Proto-Macro-Jê de Andrey Nikulin, lembrou da forma completa da palavra para 'pele, casca' que surge no Kipeá: *buro*.  


 Antigamente Ari não sabia sua função dentro dessa palavra, mas hoje em dia como já havia sido mencionado, o Kariri utilizou de sinônimos ou palavras-chave para distinguir suas raízes monossilábicas, peguemos por exemplo:


kra 'seco

e

kra 'peito'


 Como línguas dessa família não tem tons como o Chinês, é impossível distinguir essas duas palavras monossilábicas sem algo para auxiliar no significado, portanto a estratégia dos Kariri foi usar uma palavra que diferenciasse uma das raízes, nesse caso temos o sufixo -bu 'pele, casca':


kra 'seco'

e

kra-bu 'peito'


 Vemos também no vocabulário deixado por Mamiani que os Kipeá também distinguiam o kra de seco, como vemos na variante crocrà (kro-kra) 'seco' .


Suinamy ( Beth ) outra estudiosa que estar fazendo o Doutorado afirmou:

Excelente,Ari! Então, cró 'pedra' deriva dessa palavra,nesse sentido?


Adriana Korã Viu sobre umbu que significa dádiva?

Umbu, palavra Karirí?


Notas de leitura » Umbu, palavra Karirí?


por Eduardo R. Ribeiro


Nantes, Bernardo de. 1709. Katecismo Indico da lingua Kariris. Lisboa: Officina de Valentim da Costa Deslandes.


Embora as poucas fontes existentes sobre as línguas da família Karirí geralmente careçam de informações lexicais sobre a fauna e a flora, é possível ainda 'garimpar' alguns exemplos interessantes. Um deles é a palavra para 'umbu', que ocorre pelo menos duas vezes no catecismo Dzubukuá de Bernardo de Nantes (1709), grafada sob as formas obbo e obo.

A semelhança com a palavra usada no nosso português é óbvia. Na internet, uma informação bastante repetida é que a palavra brasileira provenha do Tupi Antigo; no artigo da Wikipédia dão, inclusive, uma etimologia (que me soa meio à la Teodoro Sampaio): "y-mb-u, que significava 'árvore-que-dá-de-beber'".

Embora haja vários empréstimos Tupí nas línguas Karirí (Ribeiro 2009), eu duvido que este seja o caso. É mais provável que, por razões ecológicas evidentes, o empréstimo tivesse percorrido a direção inversa. Povo sertanejo, os Karirí é que teriam familiaridade com a planta, emprestando a palavra para os falantes de Tupi; daí, então, a palavra teria chegado ao português. Se for este o caso, seria um exemplo raro de palavra Macro-Jê no léxico nacional.

Publicado originalmente na lista Etnolingüística (http://lista.etnolinguistica.org/3087)


dzubukuá


Eu que na época postei esse texto. Ele se encontra na biblioteca Curt Nimuendajú


Suinamy continua *"Todas as palavra na língua nomeia um ser que está diretamente ligado ao espiritual"* lembrei da sua fala, no sábado!


Ari Loussant Eu lembro de ter visto essa publicação, foi ela quem me fez iniciar a pesquisa sobre a palavra para 'semente, fruto', cujo creio que surge perante a palavra *o*-bo e *a*-ya, ainda estou tentando reconstruir essa raiz, estou procurando por mais exemplos antes de reconstruir como *ə 'semente, fruto', pois semente é sempre a vogal *a* sozinha no Tupi e no Caribe.



Grupo de Estudos Kariri, autores desta matéria: Ari Loussant, Adriana Korã e Beth ( Suinamy ).


segunda-feira, 9 de maio de 2022

ORIGEM DA PALAVRA SABUYÁ


 Adriana Korã Boa noite. Qual origem da palavra Sabuyá? Pq ora aparece Sabuyá ora Sapuyá ?


Ari Loussant respondendo. Sabuyá deriva do Tupí e se refere a um rato silvestre, tem a mesma origem que a palavra cobaia que é uma latinização dessa mesma palavra Tupí.


Adriana Korã . Mas se a língua é diferente.  Os autores descrevem que era uma língua muito diferente das outras que estavam habituados .


Valdhivino diz: Em virtude da influência da língua geral na escrita .


No tupi é identificado essa troca do P pelo B . Vale lembrar que vai se encontra a ligação de Sapuya  com Caranguejo e Kamuru com Pedra Branca . Já cheguei a encontrar a escrita Sabuja .


Cheguei a ler uma vez que Sapuya e Kamuru só se diferenciava na fala .


Adriana Korã continua. Kanghy kayapri! "complexas de von Martius, entre outros. . . ·


Eis o pronunciamnto do dr. Carlos von den Steinen:


"Nelll: , urna tribo me deu mais trabalho que a dos Kiriri, Sabuyas. Apresentam um enigma altamente singular que entretanto não consegui resolver".


Essa preciosa contribuic;ao foi ampliada coro as palavras de Paul Ehrenreich: "os Cariris constituem grupo sem classificacáo".


Enunciada a teoria de que os Kariri não deveriam ser classificados em nenhum dos dois troncos linguísticos.  Eles alegam que não sabem a origem dos Sabujá e que eles apesar do contato com o homem branco,  ainda preservaram parte de sua cultura e costumes que ao meu ver se assemelham aos costumes Pataxó como uso da Patioba e do Cauim, exceto pelo ritual da Jurema descrito por Nimuendajú em 1938.


Os livros mais antigos trazem isso. Eles ( Sabuyá ) não seriam Kamuru , mas pela proximidade acabaram por "apropriar" parte da cultura o que tornou-se um desafio a separação entre os povos.



Autores da matéria: Adriana Korã , Valdivino Kariú e Ari Loussant do Grupo Estudos Kariri



PALAVRA VENTO NO KARIRI

 

*A palavra para vento*



 A palavra vento é uma palavra rara nos registros das línguas Kariri, ela surge no mínimo 2 vezes no Katecismo Indico de Nantes, nenhuma vez no Catecismo de Mamiani (até onde eu vi) e 1 vez no Kamurú registrado por Martius. Hoje decidi trazer minhas hipóteses para reviver essas palavras em cada um dos dialetos.


 Dentro do Dzubukuá a palavra que presumo ser vento é HEWI, surgindo na página 280:


Katecismo Indico:


(...) potthuidzeaba idhu clili, iddeho tidzèboè ; Ibulèba *héwj*


(...) os trovões, rayos, & relampagos seraõ terriveis, os *ventos* vehementissimos


 Esta palavra como podemos ver, surge como um composto de duas palavras he + wi, ambas cujo creio que significam vento, pois essa língua tem um costume de criar compostos de sinônimos para diferenciar raízes monossilábicas umas das outras. 


 1ª) A primeira raíz HE é cognato de SUO do Kamurú, e devido a correspondência de H no Dzubukuá vs S em outro dialeto, foi reconstruído como *cə, essa reconstrução bate diretamente com a palavra do Proto-Jê *kə̂₁k, já que o Kariri tem a tendência de palatalizar o *k para *kʲ e posteriormente *c.


2ª) A raíz WI surge no composto Dzubukuá e ressurge em uma palavra com temática de 'vento' que é WIMA 'abano' no Kipeá, sendo reconstruída como *wi 'vento', já o MA é difícil dizer, porém é possivel que seja cognato distante do Kuikuro amo 'bater' e o Proto-Jê *mbok 'bater'.



Conclusão


 Com essas reconstruções e o conhecimento das peculiaridades de cada dialeto, é fácil reconstruir essas palavras de volta para seus dialetos:


Proto-Kariri *cə, *wi, *cə wi 'vento'


Kipeá: sae, wi, saewi


Sabuyá: sö, wi, söwi 


Kamurú: suo/sa, wi, suowi/sawi (ə > a é resultado mais comum nesse dialeto, por isso existem duas versões: a registrada e a reconstruída)


Dzubukuá: hoe, wi, hoewi (e > oe para representar a vogal corretamente)



Autor da matéria: Ari Loussant



ALFABETO PRÓPRIO KARIRI


A proposta de um alfabeto próprio*





Como sabemos, o alfabeto latino é bem limitado para línguas cujo possuem sons diferentes da língua dos romanos, levando-

nos a ter que criar inúmeras táticas para representar certos sons, eu particularmente utilizei o máximo do alfabeto para criar as ortografias regularizadas para cada dialeto. Com isso dito, eu me dediquei a produzir um alfabeto próprio para as línguas Kariri cujo representam mais fielmente os sons que cada dialeto produz. Graças a ajuda de meu amigo Gabriel, o trabalho que eu previa demorar no mínimo 1 mês foi concluído de maneira muito mais rápida. 
Algumas das letras são derivadas da arte indígena das nações Kariri e Marajoara, enquanto outras foram inspiradas por letras de outros alfabetos já existentes como o latim, grego, armênio e georgiano, sem copiar deles, para trazer um senso maior de identidade para os povos da nação Kariri, aqui está o alfabeto e sua aplicação no artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:


A = /a/



B = /b/



Sb.: C / Kp.: CH = /t͡ʃ/ ou /c/



D = /d/



DH = /ð/



E = /e/



Sb: Ä / Kp.: É / Dz.: AE = /ɛ/



F = /f/ ou /ɸ/



G = /g/



Sb.: CH / Kp.: GH / Dz.: G = /ɣ/



H = /h/



I = /i/



J = /ɟ/



K = /k/



L = /l/



M = /m/



N = /n/



O = /o/



Sb.: Ö / Kp.: AE / Dz.: OE = /ə/



P = /p/



R = /ɾ/



S = /s/



T = /t/



TS = /t͡s/



U = /u/



Sb.: Ü / Kp.: Ý / Dz.: UI = /ɨ/



W = /w/



SS / SH = /ʃ/ (letra para som estrangeiro, já que o som x não existe nativamente no Kariri)



Y = /j/



DZ = /d͡z/





Nota: Esse alfabeto representa a ortografia Sabuyá e Kamurú, exceto pelo DH que é do Dzubukuá e o DZ que só existe nos dialetos do norte.



 O C tem o mesmo som que tch em tchau



 O DH representa o mesmo som que o th de that no inglês, jamais o th de thought 



 O CH tem o som do g holandês ou o R de rato ou RR de carro nos dialetos nordestinos.



 Ä / É / AE representam o é aberto na ortografia de seus respectivos dialetos.



 Ö / OE / AE representam o schwa na ortografia de seus respectivos dialetos.


Ü / Ý / UI representam o i grosso do Tupi na ortografia de seus respectivos dialetos.



 O SS representa o som x de xícara, para sons estrangeiros de empréstimos.


Existem dois diacríticos nesse alfabeto.

1º) O diacrítico batizado de *name* 'falar nasal, lit.: nariz-dizer' é o símbolo que representa o som nasal nas vogais dessa língua, equivalente do til do português



2º) O diacrítico batizado de *e* 'carga' é o símbolo que representa a sílaba tônica, sua função é similar ao do acento agudo, porém ele não altera a qualidade da vogal como o acento agudo no português, apenas é usado para saber onde está a sílaba tônica.






Texto em Sabuyá 



I sa a tzöcho pa ceti wotzö pö mu wicho watea pö. Iwa a töchen nene nepu pö, ye a pö ta wi püni taicho a.



Texto em Português



Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.




¹ = wo 'como, semelhante' + dze/dzã/tzöh 'verdadeiramente' = 'verdadeiramente semelhante, igual'



² = wi 'ser' + cho 'reflexivo' = 'auto-estima, dignidade'



³ = wa 'haver (possuir)' + te 'nominalizador' + a 'plural' = 'haveres, no sentido de direitos'



⁴ = ne 'claro' + ne 'ver' = 'clara visão, razão'



⁵ = ne 'claro' + pu 'cabaça no sentido de cabeça' = 'clara cabeça, consciência'



⁶ = pü 'irmão (mais novo)' + ni 'espírito, alma' = 'espírito de fraternidade'



Essa é a tradução literal dos neologismos marcados com números .





Autor da matéria: Ari Loussant


A PALAVRA AMIGO NO KARIRI


 ( Grupo de Estudos Kariri )


Adriana Korã nos estudos viu divergência com relação ao termo "Camarada" entre autores. No livro "Através da Bahia" o autor diz que os Karirí-Sapujá não tinham uma palavra para amigo, todavia Baptista e Siqueira (1978) relata que essa palavra significa alguém que não se pode confiar. 


Ari Loussant : Informando não entender  como esses autores chegaram a essas conclusões, mas o termo para 'amigo, camarada' dentro das línguas Kariri é facilmente reconstruído como *dε, aparece no Kamurú como landaeh (homem-amigo, camarada homem) e rendé e dzidé (camarada homem e mulher respectivamente) no Kipeá.


Ari Loussant achou essa hipótese numa visão bem limitada sobre como palavras funcionam, particularmente não conseguindo ver uma diferença semântica tão grande entre essas duas palavras. É totalmente possível que a palavra dé tivesse múltiplas funções, nada impede dela também significar amigo .


Com as demais línguas indígenas, a dos Cariris Sabujás tambem não possuem uma expressão para palavra amigo; em logar desta, apenas podem usar "camarada". Como é isto significativo para o carácter desses homens em geral!


Vejamos o equivalente Dzubukuá *rande* que foi traduzido como amigo, a tradução dependeu mais do autor do que o indígena, o que poderia causar esse tipo de interpretação de que não havia uma palavra para amigo.


Adriana Korã : "A seguir critica a índole do Cariri dizendo que no seu


falar nao existe o termo· amigo. Ora amigo é palavra portuguesa


e nao Cariri. Herendi termo da língua é que pode ser


traduzido como camarada ou "amigo". Destaque-se que


Kamdra significa canto, música.


Von Martius encontrou as tribos de Pedra Branca e Caranguejo


(Sabujá), em plena fase de assimila~ao. Havia; pois,


mais que simples aculturac;óes. O número de caboclos era


considerável, já nesse inicio do século XIX.


Mas basta recorrer ao Katecismo índico da Lingua Kariris


de frei Bernardo de Nantes (pág 152) para verificar que


a palavra Canto tem tradu~áo correta por Kamara.Por outro lado cliziam os indigenas que as mulheres sem


compromisso eram chamadas carnarada-mulher, que se trc


duz por Dzidé como fez o padre Mamiani. Lago o sentido de


"Camarada" nao é o de amigo como nós o entendemos."  (SIQUEIRA, 1978, p.75).


Ari Loussant: No caso da palavra camarada, ela deriva do espanhol e significa "companheiro de câmara" .


Valdhivino Kariú: Tem uma palavra Kariri para companheiro .


Ari Loussant: Kamara como ele disse significa canto, no sentido de cantar, é um composto entre ka e mara, ambos com o mesmo significado de 'canto, cantar' .



Bibliografia:



- Silva da Pirajá e Wolf Paulo ( VON SPIX E VON MARTIUS ): Através da Bahia, Terceira edição, COMPANHIA EDITORA NACIONAL - São Paulo - Rio - Recife - Porto Aleirre . 1938.



- SIQUEIRA, Baptista. Os Cariris do Nordeste. Livraria Editora Cátedra, 351, p. Rio de Janeiro 1978.



Autorias da matéria: Grupo de Estudos Kariri.