A romanização da Península Ibérica foi um processo que durou séculos, influenciando profundamente a identidade e a formação das sociedades ibéricas. O domínio romano na região começou com a conquista durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C.) e consolidou-se ao longo dos séculos seguintes. Durante esse período, a Península foi organizada em diferentes províncias romanas, cuja divisão mudou com o tempo.
Províncias Romanas da Península Ibérica
Período Republicano (a.C.)
Inicialmente, Roma dividiu a Península Ibérica em duas províncias:
1. Hispânia Citerior (parte oriental e nordeste)
Capital: Tarraco (atual Tarragona, Espanha)
Principais cidades: Tarraco, Saguntum (Sagunto), Ilerda (Lleida)
2. Hispânia Ulterior (parte sul e oeste)
Capital: Corduba (atual Córdoba, Espanha)
Principais cidades: Corduba, Gades (Cádiz), Hispalis (Sevilha), Italica (Santiponce, perto de Sevilha)
Período Imperial (d.C.)
Com a reorganização feita pelo imperador Augusto no final do século I a.C., a Península foi dividida em três províncias:
1. Hispânia Tarraconense (norte e centro)
Capital: Tarraco
Principais cidades: Caesaraugusta (Zaragoza), Clunia (Burgos), Emerita Augusta (Mérida), Asturica Augusta (Astorga)
2. Hispânia Bética (sul)
Capital: Corduba
Principais cidades: Hispalis, Gades, Italica, Malaca (Málaga), Astigi (Écija)
3. Lusitânia (oeste, atual Portugal e parte da Espanha)
Capital: Emerita Augusta (atual Mérida, Espanha)
Principais cidades: Olissipo (Lisboa), Bracara Augusta (Braga), Norba Caesarina (Cáceres), Conimbriga (perto de Coimbra)
Mais tarde, no século III d.C., sob a reforma de Diocleciano, a Península ganhou uma quarta província: 4. Hispânia Cartaginense (separada da Tarraconense)
Capital: Carthago Nova (Cartagena)
Principais cidades: Toletum (Toledo), Segobriga, Complutum (Alcalá de Henares)
Principais cidades fundadas e sua importância
Os romanos fundaram e desenvolveram várias cidades que se tornaram centros administrativos, comerciais e culturais. Algumas delas cresceram e se tornaram cidades modernas importantes, como:
Emerita Augusta (Mérida) → Centro administrativo da Lusitânia, ainda preserva um dos mais impressionantes conjuntos arqueológicos romanos da Espanha.
Bracara Augusta (Braga) → Importante centro urbano na Lusitânia e futuro centro cristão.
Caesaraugusta (Zaragoza) → Homenagem a Augusto e um dos maiores centros comerciais da Tarraconense.
Olissipo (Lisboa) → Porto comercial estratégico na costa atlântica.
Carthago Nova (Cartagena) → Grande porto do Mediterrâneo e centro naval.
Contribuições da Romanização para a Identidade Ibérica
4. A Província Romana da Galécia foi criada oficialmente em cerca de 285 d.C., durante as reformas administrativas do imperador Diocleciano. Antes disso, fazia parte da Província Tarraconense, uma das províncias romanas na Península Ibérica.
Término da Galécia
A província terminou oficialmente em 585 d.C., quando foi conquistada pelos visigodos sob o rei Leovigildo, tornando-se parte do Reino Visigótico.
Capital da Galécia
A capital da província era Bracara Augusta (atual Braga, em Portugal).
Principais cidades da Galécia na Península Ibérica
Além de Bracara Augusta, algumas das cidades importantes incluíam:
Lucus Augusti (atual Lugo, na Galiza, Espanha)
Asturica Augusta (atual Astorga, na Espanha)
Aquae Flaviae (atual Chaves, em Portugal)
Iria Flavia (atual Padrón, na Galiza)
Tude (atual Tui, na Galiza)
Conimbriga (próxima da atual Coimbra, Portugal)
Região de Abrangência
A Galécia abrangia a região noroeste da Península Ibérica, incluindo:
Galiza (Espanha)
Norte de Portugal (até aproximadamente o rio Douro)
Parte do Reino de Leão (Astúrias e parte de Castela e Leão)
Era habitada principalmente por galaicos, astures e lusitanos, povos celtas que foram romanizados ao longo do tempo.
A influência romana foi profunda e ajudou a moldar a identidade da Península Ibérica em vários aspectos:
1. Língua: O latim tornou-se predominante e deu origem às línguas ibero-românicas (espanhol, português, catalão, galego).
2. Infraestrutura: Construção de estradas, pontes, aquedutos e cidades bem organizadas, muitas das quais ainda formam a base de cidades modernas.
3. Direito Romano: Serviu de base para os sistemas jurídicos de Portugal e Espanha.
4. Cultura e Religião: A Península adotou o modelo urbano romano, a arquitetura monumental e, mais tarde, o cristianismo como religião oficial.
5. Economia: A exploração de minérios, a agricultura e o comércio com outras partes do Império Romano fortaleceram a economia local.
A romanização criou um legado duradouro, consolidando uma identidade comum na Península Ibérica, que permaneceu mesmo após a queda do Império Romano e influenciou as futuras nações de Portugal e Espanha.
As províncias romanas na Península Ibérica passaram por diversas reorganizações desde a sua conquista até a queda do Império Romano. Aqui estão os períodos aproximados de sua existência:
Período Republicano (a.C.)
1. Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior (criação: 197 a.C.)
Criadas após a conquista romana durante a Segunda Guerra Púnica (218–201 a.C.).
Permaneceram com essa divisão até o início do Império.
Período Imperial (d.C.)
2. Hispânia Tarraconense, Bética e Lusitânia (reorganização por Augusto: 27 a.C.)
Divisão feita durante o governo do imperador Augusto.
Duraram até a reforma administrativa de Diocleciano no final do século III d.C.
3. Nova reorganização por Diocleciano (por volta de 293 d.C.)
Criou a Hispânia Cartaginense, separando-a da Tarraconense.
Essas províncias permaneceram até o colapso do domínio romano na Península Ibérica.
Fim do domínio romano nas províncias ibéricas
Maior parte da Península caiu sob domínio dos Visigodos entre 409 e 476 d.C.
4. A Província Romana da Galécia foi criada oficialmente em cerca de 285 d.C., terminou em 585 d.C., quando foi conquistada pelos visigodos sob o rei Leovigildo.
Capital da Galécia
A capital da província era Bracara Augusta (atual Braga, em Portugal).
A última província sob domínio romano foi a Tarraconense, tomada pelos Visigodos em aproximadamente 476 d.C., marcando o fim do Império Romano do Ocidente.
Portanto, o período das províncias romanas na Península Ibérica se estendeu de 197 a.C. a 476 d.C., com mudanças administrativas ao longo dos séculos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Livros
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Artigos e capítulos de livro
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Referências online e institucionais
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