quinta-feira, 3 de abril de 2025

A ETIMOLOGIA DA PALAVRA ESQUILO/CAXINGUELÊ DAS LÍNGUAS KARIRI



Comparem os dois com o Sapuyá e o Kamurú


Sapuyá: bueni kra bubu

Kamurú: bo-in krabubu, bone cro püpü


Boróro: kodokodo (comparem com kra/kro)

Umutina (Boróro): mamu (comparem com bubu/püpü)

Otuke (Boróro): apoha (comparem com bo-in/bueni/bone)


Puri-Coroado: po-hé (comparem com bo-in/bueni/bone)


Todos aqui significam, separadamente, esquilo, mas quando a língua estava sendo falada na época (século 19), optou-se por fundir as palavras para designar a forma genérica de 'esquilo', assim:


Sugestão de reconstrução:

Dz.: boèm kla/klo bubu 'esquilo' (lit.: esquilo esquilo esquilo)

Kp.: boẽ crà/crò bubù 'esquilo'


Qual é a vantagem nesse caso de ter três palavras separadas para esquilo ? Várias, além de poderem ser livremente designadas para as diferentes espécies de esquilo, podem ser usadas livrevemente para nomear pessoas com sinônimos, como Kra Buhé 'esquilo vermelho' ou Boem Do Bui-iho 'esquilo que corre muito', sendo dependente somente da criatividade de quem batiza a pessoa com o nome.




Autor da matéria: Ari Suã Kariri 




terça-feira, 1 de abril de 2025

NOMENCLATURA E SIGNIFICADO: QUIPÁ


 Vem do tupi guarani e o significado ainda não foi descoberto. Todas as espécies aqui apresentadas recebem desses outros nomes populares: palmatória, palminha, almofada de espinho, orelha-de-mikey-brasileira e gogóia.

Origem: Ambas as espécies aqui apresentadas ocorrem em cerrados, catingas e montanas rochosas presentes nos estados de Minas Gerais, Bahia e praticamente em toda a região nordeste do Brasil. Mais informações nos links:  http://servicos.jbrj.gov.br/flora/search/Tacinga_inamoena e


http://servicos.jbrj.gov.br/flora/search/Tacinga_subcylindrica.




Autor da matéria: Ari Llusan Kariri 



QUAL A ORIGEM DA PALAVRA JAQUINICÓ



Eu vejo que a gente compartilha o uso do sufixo -kó com os Pankararú, não sei dizer se há uma relação genética das línguas ou se é fruto de intenso contato.

Se essa palavra for nossa, usando o Boróro de comparação, creio que signique 'lugar de grande abertura (grande buraco), cognato do Boróro iakuri 'grande abertura' (ia 'boca, abertura', cognato do nosso -dza/-dze de wari-dza/woli-dze + kuri 'abundante, grande, muito')

No entanto, se for Pankararú, e se eles tiverem relação linguística conosco, é possível que esse já inicial seja 'água', visto que essa palavra foi documentada como já e jái 'água'. Sobre o kini, ainda estou fazendo algumas comparações do vocabulário Pankararú para ver o que encontro em termos de porcentagem, por enquanto, se for dessa língua, só traduzo como:


já kini kó 'lugar de água que é [kini]'




Autor da matéria: Ari Llusan Kariri 



ALDEIAS E MISSÕES DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO SÉCULOS XVI - XVII


A Capitania de Pernambuco teve um papel fundamental na colonização do Nordeste brasileiro e contou com diversas aldeias indígenas e missões jesuíticas que visavam à catequização e controle das populações nativas. Abaixo estão algumas das principais aldeias e missões organizadas por estado, abrangendo os séculos XVI a XVII.


Pernambuco


Missão de Nossa Senhora da Assunção de Caeté (fundada pelos jesuítas no século XVI, no atual município de Goiana)

Aldeia de Santo Antão (próxima ao Cabo de Santo Agostinho, uma das primeiras aldeias indígenas do Brasil)

Aldeia de São Lourenço (nos arredores de Olinda, importante centro de catequese jesuítica)

Aldeia de Tracunhaém (famosa pelo artesanato indígena e fundada no século XVII)

Aldeia de São Miguel (próxima a Igarassu, uma das mais antigas missões jesuíticas)


Paraíba


Missão de Nossa Senhora da Conceição de Itabaiana (fundada no século XVII, sendo um dos principais núcleos de catequese)

Missão de São Miguel (situada na região de Baía da Traição, foi uma importante missão para os índios Potiguaras)

Aldeia de Jacoca (atual Conde, uma das aldeias indígenas mais importantes da época)

Aldeia de Taquara (hoje município de Rio Tinto, um centro de resistência indígena)


Rio Grande do Norte


Missão de Nossa Senhora dos Mártires de Cunhaú (fundada pelos jesuítas e palco do massacre de Cunhaú em 1645)

Missão de Uruaçu (outra aldeia ligada aos mártires do Rio Grande do Norte, também atacada em 1645)

Aldeia dos Guarapes (importante povoação indígena do século XVII)


Ceará


Missão de Nossa Senhora da Assunção (fundada por jesuítas no local onde hoje é Fortaleza)

Aldeia de Caucaia (fundada pelos jesuítas para catequizar os índios Tapuias e Potiguaras)

Missão de Soure (atual Acaraú, estabelecida no século XVII)

Missão de Ibiapaba (no sertão do Ceará, teve forte presença dos jesuítas)


Alagoas


Missão de São Miguel dos Campos (uma das mais importantes missões jesuíticas em Alagoas)

Aldeia de Porto Calvo (centro de catequese no século XVII)

Missão de Penedo (fundada para evangelizar os povos indígenas da região do Rio São Francisco)

Aldeia de Santa Maria Madalena (na região da Serra da Barriga, onde estavam os remanescentes do Quilombo dos Palmares)


Bahia (Oeste da Capitania de Pernambuco)


Missão de São Francisco Xavier do Gentio do Sertão (fundada no século XVII, localizada na região oeste da Bahia)

Missão de Bom Jesus da Lapa (fundada pelos franciscanos no final do século XVII)

Missão de São João Batista dos Gentios (voltada para a catequese dos índios Tapuias)

As aldeias e missões eram fundamentais para a organização colonial, promovendo tanto a catequização indígena quanto a expansão da ocupação portuguesa na região. Muitas dessas missões foram afetadas pelas invasões holandesas, pela resistência indígena e pelas mudanças na política indigenista ao longo dos séculos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros


ALMEIDA, Rita de Cássia Amaral de. Jesuítas e indígenas na Capitania de Pernambuco (séculos XVI-XVII). Recife: Editora Universitária da UFPE, 2010.

CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

MELLO, Evaldo Cabral de. O negócio do Brasil: Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669. São Paulo: Editora Senac, 1998.


Artigos e Teses


ALMEIDA, Rita de Cássia Amaral de. “As Missões Jesuíticas na Capitania de Pernambuco: estratégias de ocupação e resistência indígena (séculos XVI-XVII).” Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 29, n. 57, p. 61-85, 2009.

LIMA, Tereza Cristina de Novaes. A geopolítica missionária na Capitania de Pernambuco: aldeamentos indígenas e resistência (séculos XVII-XVIII). 2015. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2015.

SILVA, Maria de Fátima. “A catequese indígena na Capitania de Pernambuco: as aldeias missionárias e suas dinâmicas socioculturais.” Anais do XXVII Simpósio Nacional de História, Natal, 2013.



AS CAPITANIAS DO NORDESTE ORIENTAL 1534 a 1822


A Capitania de Pernambuco, criada em 1534, abrangia originalmente os atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e o Oeste da Bahia. Com o passar do tempo, algumas dessas áreas foram desmembradas e se tornaram capitanias independentes. Veja as datas de criação das capitanias que se tornaram independentes entre 1535 e 1822:

1. Capitania da Paraíba – Criada em 1574 e efetivamente implantada em 1585.

2. Capitania do Rio Grande (atual Rio Grande do Norte) – Criada em 1597 e estabelecida em 1633.

3. Capitania do Ceará – Criada em 1680, mas efetivamente implantada em 1799.

4. Capitania de Alagoas – Criada em 1817, separando-se de Pernambuco.

O Oeste da Bahia permaneceu parte da Capitania da Bahia, e Pernambuco permaneceu como unidade principal até a independência do Brasil, em 1822.

Esses estados que fizeram parte da Capitania de Pernambuco compartilham diversas semelhanças culturais devido ao passado comum. Esse vínculo histórico influenciou tradições, expressões artísticas, culinária, festas populares e até mesmo aspectos do modo de falar. Algumas dessas influências incluem:

1. Língua e Expressões – O sotaque nordestino tem traços em comum, especialmente entre Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas. Muitas expressões típicas foram preservadas e adaptadas regionalmente.

2. Culinária – Pratos como a carne de sol, o bolo de rolo, a tapioca, o cuscuz e a feijoada nordestina são consumidos em todas essas regiões, com variações locais.

3. Festas Populares – O São João é um dos exemplos mais fortes dessa herança compartilhada, sendo celebrado com intensidade nesses estados. O maracatu, o frevo e o forró são manifestações culturais que, apesar de mais fortes em algumas áreas, têm raízes comuns.

4. Influência Indígena, Africana e Europeia – A miscigenação desses povos na época colonial moldou a cultura local. A presença de quilombos, a musicalidade e até mesmo as crenças populares refletem essa mistura.

5. Economia e Agricultura – O cultivo da cana-de-açúcar foi uma atividade central na Capitania de Pernambuco e influenciou a economia dos territórios que dela se desmembraram.

6. Aspectos Históricos e Políticos – Movimentos como a Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador de 1824 refletiram ideais que se espalharam por esses estados, mostrando que o sentimento de unidade persistiu por muito tempo.

Mesmo com o passar dos séculos e o desenvolvimento de identidades regionais mais específicas, essas conexões históricas ainda são perceptíveis na cultura popular e na identidade nordestina como um todo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros


1. ANDRADE, Manuel Correia de. A Terra e o Homem no Nordeste. São Paulo: Editora Atlas, 1986. – Aborda a formação geográfica e histórica da região, incluindo a influência das capitanias.

2. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Capítulos de História Colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. – Explora o período colonial, incluindo a organização das capitanias hereditárias.

3. GILBERTO FREYRE. Casa-Grande & Senzala. 48ª edição. São Paulo: Global, 2006. – Analisa a influência da cultura indígena, africana e europeia na formação social e cultural do Nordeste.

4. MELLO, Evaldo Cabral de. O Norte Agrário e o Império (1871-1889). São Paulo: Editora 34, 2003. – Discute a organização econômica e política do Nordeste após o período colonial.


Artigos e Teses


5. FERNANDES, Fábio. A Capitania de Pernambuco e seus desmembramentos: aspectos históricos e administrativos. Revista Brasileira de História, v. 35, n. 69, 2015. – Analisa a evolução administrativa das capitanias.

6. SANTOS, Maria Izabel. As Capitanias do Nordeste e o Processo de Independência do Brasil. História e Cultura, v. 10, n. 2, 2018. – Explora as ligações entre os estados nordestinos no contexto da independência.



GRUPOS ÉTNICOS AFRICANOS DO BRASIL COLONIAL


Durante o período colonial, o Brasil recebeu um grande número de africanos trazidos à força pelo tráfico transatlântico de escravizados. Esses grupos eram diversos e pertenciam a diferentes regiões da África, cada um com sua cultura, língua e tradições próprias. Na Capitania de Pernambuco, uma das principais regiões econômicas do Brasil colonial devido à produção açucareira, o tráfico de escravizados foi intenso, trazendo grupos específicos.

Principais grupos étnicos africanos no Brasil Colonial

Os povos africanos escravizados vieram principalmente de três grandes regiões:

1. Região da Costa da Mina (África Ocidental - Golfo da Guiné)

Jejes (Ewes e Fons) – provenientes do atual Benim e Togo, trouxeram influências religiosas importantes para o Candomblé (nação Jeje).

Akan (Ashanti, Fanti, Akwamu, etc.) – vieram da atual Gana e Costa do Marfim, com influência cultural forte em práticas religiosas e resistência.

2. Região da Costa dos Escravos e Nigéria (África Ocidental)

Iorubás (Nago, Ketu, Oyo, Ifé, etc.) – da atual Nigéria e Benim, formaram uma base cultural forte no Candomblé (nação Nagô) e em tradições musicais e linguísticas.

Hauçás e Malês – muçulmanos vindos da região do Sudão Ocidental (atual Nigéria e Níger), participaram de revoltas escravas como a Revolta dos Malês (1835).

3. Região da África Central (Congo e Angola)

Bantos (Congos, Ambundos, Ovimbundos, Quicongos, etc.) – da atual Angola, República do Congo e Moçambique, foram a maioria dos africanos escravizados em Pernambuco e no Brasil. Eram agricultores e especialistas em metalurgia, e sua cultura influenciou fortemente a língua, a música e as religiões afro-brasileiras (Umbanda e Candomblé Bantu).

Grupos africanos na Capitania de Pernambuco

Pernambuco foi um dos maiores receptores de africanos escravizados no Brasil devido à sua economia açucareira. Os principais grupos que chegaram à região foram:

Bantos (Angolas, Congos e Moçambiques) – vieram em grande número e influenciaram práticas religiosas (Jurema, Candomblé Bantu), o vocabulário do português falado no Brasil e ritmos como o maracatu e a capoeira.

Nagôs (Iorubás e Jejes) – responsáveis pela forte tradição do Candomblé na região, especialmente em Recife e no interior.

Hauçás e Malês – muçulmanos africanos que, mesmo em menor número, participaram de revoltas e influenciaram ritos e costumes.

Influências culturais dos africanos em Pernambuco

A presença desses grupos moldou profundamente a cultura pernambucana e brasileira. Entre as principais contribuições estão:

A música (maracatu, coco, capoeira, afoxé).

A religião (Candomblé, Jurema, cultos afro-indígenas).

O vocabulário (palavras de origem banto e iorubá no português).

A gastronomia (uso do dendê, acarajé, mungunzá).

A diversidade africana no Brasil Colonial mostra que a escravidão não apagou as identidades desses povos, mas sim contribuiu para a formação da cultura afro-brasileira.



REFERÊNCIAS:


Livros e artigos acadêmicos:


ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: Formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

REIS, João José. Ganhadores: A Greve Negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

VERGER, Pierre. Fluxo e Refluxo: O tráfico de escravos entre o Golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX. São Paulo: Corrupio, 1987.

SOUZA, Marina de Mello e. Os Negros na História do Brasil. São Paulo: Contexto, 2007.

CARVALHO, Marcus J. M. A Formação das Classes Trabalhadoras e o Escravismo no Nordeste do Brasil: Século XIX. Recife: Editora Universitária UFPE, 2003.




POVOS INDÍGENAS E A FORMAÇÃO DO POVO BRASILEIRO


A diversidade étnica dos povos indígenas no Brasil é um dos pilares fundamentais da formação da identidade nacional. Desde o período colonial, os diferentes grupos indígenas foram distribuídos de maneira regionalizada, conforme as características geográficas e os desafios impostos pelo contato com os colonizadores. Esse contato resultou em diversos desdobramentos históricos que marcaram profundamente a trajetória dessas populações.

No período colonial, a ocupação indígena já era ampla e diversificada. No litoral, predominavam povos Tupis-Guaranis, como os Tupinambás e os Tupiniquins, que foram os primeiros a interagir com os portugueses. No interior, na região amazônica e no cerrado, viviam grupos Macro-Jês, como os Kaingangs e os Xavantes, além de povos Aruaques e Caribes. No Sul, os Guaranis se espalhavam pelas matas e planaltos, enquanto no Nordeste existiam os Potiguaras, Tabajaras, Kariris, Carnijós, Pankararu e outros. No Pantanal e no Centro-Oeste, havia os Bororos e os Terena, entre muitos outros.

Com o avanço do Brasil Império e da República, muitos desses povos foram empurrados para territórios cada vez menores, vítimas da ocupação agrícola, dos projetos de desenvolvimento e das missões religiosas que buscavam convertê-los ao cristianismo.

O contato com os europeus teve consequências devastadoras para muitos povos indígenas. A introdução de doenças, a escravidão e os conflitos armados levaram à extinção de diversos grupos. Alguns foram escravizados para trabalhar na lavoura e na extração do pau-brasil, enquanto outros fugiram para o Norte, adentrando a Amazônia em busca de refúgio. Os que resistiram ou foram evangelizados acabaram inseridos nas estruturas coloniais, muitas vezes perdendo parte de sua identidade cultural.

A resistência indígena, no entanto, se manifestou de diversas formas. Muitas tribos migraram, reorganizaram suas comunidades e mantiveram vivas suas línguas e tradições, apesar das tentativas de apagamento cultural.

A matriz indígena foi fundamental na formação do povo brasileiro, especialmente através da miscigenação com portugueses e africanos. Essa fusão de culturas gerou um povo mestiço, com características únicas que se refletiram na língua, na culinária, nas crenças e nos costumes. O próprio idioma português falado no Brasil foi influenciado por palavras de origem tupi, especialmente em nomes de animais, plantas e locais.

Durante o período colonial, os jesuítas criaram aldeamentos e missões religiosas, que foram a base para a formação de diversas cidades brasileiras. Esses aldeamentos tinham o objetivo de converter os indígenas ao cristianismo, mas também serviam como uma estratégia de controle da população nativa. Algumas cidades importantes, como São Paulo, surgiram a partir desses núcleos missionários.

O legado dos povos indígenas para o Brasil é vasto e inegável. Além da influência linguística, os conhecimentos indígenas sobre o uso de plantas medicinais, a agricultura sustentável e a convivência harmônica com a natureza são ensinamentos valiosos para a sociedade contemporânea. A cultura indígena também está presente nas artes, na música, na dança e nos rituais que foram incorporados às manifestações populares brasileiras.

Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da história, os povos indígenas seguem resistindo e lutando por seus direitos, reafirmando sua identidade e contribuindo para a riqueza cultural do Brasil. A valorização dessa herança é essencial para a construção de um país que reconhece e respeita suas origens.



REFERÊNCIAS:


Livros:


MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. Companhia das Letras, 1994.

FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Global Editora, 2006.

PRADO, Maria Emília de Castro. História dos Índios no Brasil. Companhia das Letras, 1996.

CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.). Os Índios no Brasil: história, direitos e cidadania. Claro Enigma, 2019.


Artigos e Documentos Acadêmicos:


FUNARI, Pedro Paulo; NOELLI, Francisco Silva. Pré-história do Brasil (2002). Disponível em periódicos acadêmicos e sites institucionais.

IBGE. Os indígenas no Brasil: estatísticas e territorialidade. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010.





SELEÇÃO DE ALGUNS SOBRENOMES DE ORIGEM IBÉRICA


Aqui estão as informações sobre os sobrenomes Ferreira, Nunes, Oliveira, Ribeiro e Santos, analisando seus significados, origens e registros históricos na Península Ibérica e no Brasil. Sabemos que tem centenas de nomes, mas quiz aque demonstrar apenas aqueles nomes vinculados aos meus antepassados ibéricos. 


1. Ferreira


a) Significado:

Ferreira vem do latim ferraria, que significa "ferraria" ou "forja", indicando um local onde se trabalhava com ferro. O sobrenome pode ter sido inicialmente relacionado a uma profissão (ferreiro) ou a um local com minas de ferro.

b) Origem:

O nome tem origem ibérica (portuguesa e espanhola), mas sua raiz vem do latim, indicando influência romana.

Possui registros entre cristãos-novos e cristãos-velhos, mas também foi adotado por judeus sefarditas como um nome cristianizado.

c) Registros históricos:

Aparece em Portugal e na Espanha desde a Baixa Idade Média (séculos XII-XIV).

Tornou-se comum no Brasil com os colonizadores portugueses a partir do século XVI.


2. Nunes


a) Significado:

Nunes significa "filho de Nuno". Nuno é um nome de origem incerta, podendo vir do latim Nonnus ("monge, ancião") ou ter raiz pré-romana, de origem celta ou ibérica.

b) Origem:

Nome de origem ibérica, possivelmente de influência celta ou romana.

Associado a cristãos-velhos, mas também usado por famílias sefarditas como sobrenome após a conversão forçada.

c) Registros históricos:

Aparece em Portugal e Espanha já na Idade Média (séculos XI-XIII).

No Brasil, chega com os primeiros colonizadores portugueses no século XVI.


3. Oliveira


a) Significado:

Sobrenome toponímico derivado da árvore oliveira (Olea europaea), associada ao cultivo da azeitona e ao azeite, muito valorizados na cultura mediterrânea.

b) Origem:

Origem ibérica, possivelmente com forte influência romana, devido à importância da cultura da oliveira na Hispânia romana.

Frequentemente adotado por cristãos-novos judeus, pois evitava referências diretas à ancestralidade judaica.

c) Registros históricos:

Surge como sobrenome na Idade Média (século XII ou XIII).

No Brasil, foi levado pelos portugueses no século XVI.


4. Ribeiro


a) Significado:

Sobrenome toponímico derivado do latim rivarius, que significa "curso de água" ou "rio pequeno".

b) Origem:

De origem ibérica, com influência romana.

Presente entre cristãos-velhos, mas também foi adotado por cristãos-novos.

c) Registros históricos:

Registros na Península Ibérica desde a Baixa Idade Média (século XII).

No Brasil, o nome aparece com os portugueses no século XVI.


5. Santos


a) Significado:

Significa "dos santos" e era frequentemente usado em referência a pessoas nascidas no Dia de Todos os Santos (1º de novembro) ou adotado por cristãos-novos para evitar referências judaicas.

b) Origem:

De origem ibérica, fortemente ligada à tradição cristã.

Nome comum entre cristãos-velhos e adotado por conversos.

c) Registros históricos:

Registros desde a Idade Média (século XIII).

Tornou-se um dos sobrenomes mais comuns no Brasil desde o século XVI.


Conclusão:


Esses sobrenomes têm origens variadas, mas todos eram comuns na Península Ibérica desde a Idade Média. Alguns foram originalmente cristãos-velhos, enquanto outros foram adotados por cristãos-novos para disfarçar sua origem judaica. No Brasil, sua disseminação começou no século XVI com a colonização portuguesa.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros e Artigos sobre Onomástica e Sobrenomes Ibéricos

1. COELHO, José Pedro Machado. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa. Lisboa: Livros Horizonte, 1989.

2. ALMEIDA, Manuel de Sousa. Genealogia e História de Portugal. Lisboa: Edições Colibri, 2002.

3. MATTOSO, José. Nomes e Família na Idade Média: Formação da Sociedade Medieval Portuguesa. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985.

4. MENDONÇA, Marcos de Castro. Sobrenomes Judeus em Portugal e no Brasil. Rio de Janeiro: Imago, 2001.

5. GONÇALVES, Iraci del Nero. Antroponímia e História Social. São Paulo: Hucitec, 1997.

Estudos sobre a Influência Judaica nos Sobrenomes Ibéricos

6. NOVINSKY, Anita. Cristãos-Novos na Bahia. São Paulo: Perspectiva, 2005.

7. SALGADO, Graça. Judeus e Cristãos-Novos na Bahia: 1624-1654. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

8. SARAIVA, António José. A Inquisição Portuguesa. Lisboa: Gradiva, 1985.

9. DUTRA, Francisca Nogueira. Os Judeus na Formação do Brasil. São Paulo: Editora da Unesp, 2009.

Referências sobre Herança Romana, Visigótica e Celta nos Sobrenomes

10. BARRETO, Alexandre. Os Povos da Hispânia: Celtas, Romanos e Visigodos. Coimbra: Minerva, 2003.

11. RODRÍGUEZ, Juan Gil. Los Visigodos y la Formación de España. Madrid: Alianza Editorial, 1992.

12. FERNÁNDEZ, Armando. A Influência Romana nos Nomes e Costumes da Península Ibérica. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2010.


Essas referências cobrem aspectos históricos, genealógicos e etimológicos dos sobrenomes citados, bem como sua relação com a história da Península Ibérica e a colonização do Brasil.



AS RAÍZES DOS COLONIZADORES DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO


A colonização da Capitania de Pernambuco, assim como de outras partes do Brasil, foi marcada pela vinda de portugueses cujas origens remontam a uma longa trajetória histórica e cultural na Península Ibérica. A maior parte desses colonizadores provinha do Norte de Portugal, especialmente das regiões de Trás-os-Montes, Minho e Beira. Para entender suas raízes, é essencial considerar os povos que moldaram a identidade portuguesa ao longo dos séculos.

Os Callaeci, também chamados de Galaicos, foram um dos povos celtas ou celtizados que habitaram o noroeste da Península Ibérica, abrangendo a atual Galiza, o norte de Portugal e parte das Astúrias e Leão. Esse grupo deixou marcas profundas na cultura da região, desde a língua até a organização social. Com a chegada dos romanos, a região passou por um intenso processo de romanização, adquirindo estruturas urbanas, costumes e um forte enraizamento do latim vulgar, que daria origem à língua portuguesa.

A cidade do Porto, que surgiu a partir de um povoado celta pré-romano, foi um dos grandes centros de influência romana na Lusitânia e na Gallaecia. O nome "Portus Cale" acabou por se tornar a raiz do nome "Portugal", reforçando a importância dessa região na identidade do país.

Após a queda do Império Romano, os visigodos assumiram o controle da Península Ibérica e estabeleceram um reino que durou quase três séculos. Durante esse período, desenvolveram um código jurídico (o Liber Iudiciorum) que teve grande impacto no direito medieval ibérico. Além disso, consolidaram a estrutura religiosa cristã, fortalecendo a Igreja e suas influências sobre a sociedade.

Mesmo após a invasão muçulmana em 711, o norte de Portugal manteve sua identidade cristã visigótica, pois essa região foi menos influenciada pelos árabes e berberes em comparação ao sul da Península. Isso reforçou a continuidade das tradições culturais que seriam levadas para o Brasil pelos colonizadores do Norte.

Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco, foi um dos responsáveis por trazer colonos portugueses para o Brasil. Ao nomear a região de "Nova Lusitânia", ele não apenas reforçava o vínculo com Portugal, mas também refletia a herança histórica de um povo que já havia passado por processos de ocupação, resistência e adaptação cultural ao longo dos séculos.

Os colonos que vieram para Pernambuco incluíam agricultores, militares e artesãos, muitos deles originários do Norte de Portugal. Além dos homens livres, havia também degredados – condenados enviados pela Coroa para povoar o território –, que contribuíram para a formação inicial da sociedade colonial.

Outro elemento fundamental foi a presença de cristãos-novos, ou seja, judeus sefarditas convertidos ao cristianismo devido à Inquisição. Muitos deles possuíam experiência no comércio, na navegação e em atividades financeiras, o que foi essencial para o desenvolvimento econômico da colônia. Pernambuco, em particular, tornou-se um dos polos da presença judaica no Brasil, sendo o Recife um importante centro de comércio e atividade mercantil.


Conclusão


Os portugueses que vieram colonizar a Capitania de Pernambuco carregavam em sua identidade elementos célticos, romanos, visigóticos e cristãos, além da forte presença da tradição judaica. Vindos majoritariamente do Norte de Portugal, trouxeram consigo valores, crenças e conhecimentos que ajudaram a moldar a sociedade colonial. Dessa forma, a formação de Pernambuco e do Brasil se deu como uma extensão desse passado ibérico, adaptado às novas condições do Novo Mundo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


LIVROS


FERNANDES, Isabel Cristina. Os povos da Hispânia romana: identidade e cultura. São Paulo: Editora Unesp, 2012.

MATTOSO, José. História de Portugal: a monarquia feudal (1096-1480). Lisboa: Editorial Estampa, 1993.

NOVO, Teresa. A presença judaica em Portugal: história e legado. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015.


ARTIGOS ACADÊMICOS


RODRIGUES, Ana Maria. A Lusitânia e a Gallaecia no contexto da romanização. Revista de História Ibérica, v. 12, n. 2, p. 45-67, 2018.

SILVA, Ricardo da. A influência dos cristãos-novos na economia colonial brasileira. História Econômica & Sociedade, v. 5, n. 1, p. 89-110, 2020.


Books


Fernandes, I. C. (2012). Os povos da Hispânia romana: identidade e cultura. Editora Unesp.

Mattoso, J. (1993). História de Portugal: a monarquia feudal (1096-1480). Editorial Estampa.

Novo, T. (2015). A presença judaica em Portugal: história e legado. Imprensa da Universidade de Coimbra.


Journal Articles


Rodrigues, A. M. (2018). A Lusitânia e a Gallaecia no contexto da romanização. Revista de História Ibérica, 12(2), 45-67.

Silva, R. (2020). A influência dos cristãos-novos na economia colonial brasileira. História Econômica & Sociedade, 5(1), 89-110.





PORTUGAL E O BRASIL NAS RAIZES IBÉRICAS


Para compreender melhor as conexões entre Portugal e Brasil dentro dessas raízes ibéricas, podemos organizar as informações em cinco grandes períodos que mostram a continuidade histórica e cultural entre os dois países:

1. Origens Pré-Romanas (antes de 218 a.C.)

A Península Ibérica era habitada por vários povos celtas e ibéricos, como Lusitanos, Celtiberos e Galaicos, que viviam em castros (aldeias fortificadas).

A cidade do Porto tem origem num povoado celta, chamado Cale, que posteriormente deu origem ao nome Portugal (Portus Cale).

2. Romanização e Influência Cultural (218 a.C. – 409 d.C.)

Os romanos conquistaram a Península Ibérica após quase 200 anos de guerras contra os povos locais.

Criaram províncias, incluindo Lusitânia (parte do atual Portugal) e Galécia (Noroeste da Península, incluindo Porto).

A cultura romana deixou marcas profundas na língua (latim vulgar, origem do português), direito romano, infraestrutura (estradas, cidades) e religião (cristianismo).

3. Povos Germânicos e a Formação dos Reinos Medievais (409 – 1139)

Com a decadência de Roma, povos germânicos invadiram e criaram reinos, como o Reino Suevo (na Galécia) e o Reino Visigodo.

Após a invasão islâmica (711), começou a Reconquista Cristã, com reinos cristãos expandindo-se contra os mouros:

Reino das Astúrias, Galícia e Leão deram origem ao Condado Portucalense (868), que mais tarde se tornou o Reino de Portugal (1139).

4. Portugal e a Expansão Ultramarina – Conexão com o Brasil (1500 – 1822)

Portugal consolidou-se como reino independente e, nos séculos XV-XVI, liderou as grandes navegações.

1500: Descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral.

Portugal colonizou o Brasil, impondo sua língua, cultura, religião (catolicismo) e estruturas administrativas.

O Brasil tornou-se parte essencial do Império Português, sendo sua principal colônia.

5. Reino Unido e Independência do Brasil (1808 – 1889)

Em 1808, com a invasão napoleônica a Portugal, a Família Real Portuguesa fugiu para o Brasil, transformando o Rio de Janeiro na capital do Império Português.

Em 1815, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

1822: Independência do Brasil e formação do Império do Brasil sob D. Pedro I.

1889: Proclamação da República dos Estados Unidos do Brasil, encerrando a monarquia.


Conclusão: As Conexões Portugal-Brasil


Étnicas e culturais: Portugal herdou sua identidade de povos celtas, lusitanos e galaicos, depois romanizados e cristianizados. Esse legado foi levado ao Brasil.

Língua e costumes: O português, com influências latinas, germânicas e mouriscas, tornou-se a língua do Brasil.

Políticas: O Brasil começou como colônia, tornou-se parte do Reino Unido com Portugal e depois se tornou um império independente.

Religiosas: O catolicismo, herdado da romanização e consolidado pela Igreja medieval, estruturou a fé no Brasil.

Essa organização facilita a compreensão das ligações históricas entre os povos da Península Ibérica, Portugal e o Brasil.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 



História da Península Ibérica e Formação de Portugal

MATTOSO, José. História de Portugal: A formação do território. Lisboa: Editorial Presença, 1992.

SARAIVA, José Hermano. História concisa de Portugal. Lisboa: Publicações Europa-América, 1993.

FONSECA, Luís Adão da. A formação de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 1998.

Conquista Romana e Influências Culturais

ALARCÃO, Jorge. O domínio romano em Portugal. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1988.

PINA, Manuela. A Lusitânia romana e a cultura clássica. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.

Idade Média e a Reconquista Cristã

FERREIRA, Joaquim. A Reconquista e a formação dos reinos ibéricos. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015.

LOURENÇO, Vitor. O Condado Portucalense e a formação do Reino de Portugal. Porto: Porto Editora, 2018.

Expansão Marítima Portuguesa e a Colonização do Brasil

BOXER, Charles. O império marítimo português, 1415-1825. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936.

Independência do Brasil e Relações Políticas com Portugal

PRADO JUNIOR, Caio. História econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1945.

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.




A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DA PENÍNSULA IBÉRICA


A Formação da Identidade da Península Ibérica e as Instituições Políticas


1. Introdução


A Península Ibérica passou por um longo processo de transformação política, cultural e étnica ao longo dos séculos. Desde a presença dos povos nativos e a dominação romana, passando pela fragmentação com os reinos bárbaros e a Reconquista cristã, até a consolidação dos reinos de Portugal e Espanha, a história ibérica moldou as identidades nacionais modernas.

2. As Províncias Romanas e a Estrutura Administrativa

A presença romana na Península Ibérica teve início em 218 a.C. durante as Guerras Púnicas. A dominação romana trouxe a romanização da região, estabelecendo infraestruturas, a língua latina e um modelo administrativo baseado em províncias:

Hispânia Citerior (197 a.C. - 27 a.C.): Abrangia o leste e o centro da península.

Hispânia Tarraconense (27 a.C. - 472 d.C.): Com capital em Tarraco (atual Tarragona), era a maior província romana da Península Ibérica.

Lusitânia (16 a.C. - 411 d.C.): Correspondia ao território do atual Portugal central e sul e parte da Espanha ocidental, com capital em Emerita Augusta (Mérida).

Galécia (284 - 409 d.C.): Situada no noroeste, com capital em Bracara Augusta (Braga), foi uma província tardia de Roma.

3. Os Reinos Bárbaros e a Fragmentação Pós-Romana

Com a decadência do Império Romano, povos germânicos se estabeleceram na Península:

Reino Suevo (409 - 585 d.C.): Ocupou a região da Galícia e norte de Portugal, com capital em Bracara Augusta.

Reino Visigodo (507 - 711 d.C.): Formado após a queda do Reino Visigodo de Tolosa, unificou a maior parte da península, com capital em Toledo.

Os visigodos estabeleceram um sistema jurídico próprio, fundindo elementos do direito romano com as tradições germânicas. Entretanto, a instabilidade política e disputas sucessórias enfraqueceram o reino, permitindo a invasão muçulmana em 711.

4. A Reconquista Cristã e a Formação dos Reinos Medievais

Após a conquista islâmica, os cristãos iniciaram a Reconquista, um processo de retomada do território que durou séculos e resultou na formação de diversos reinos cristãos:

Reino das Astúrias (718 - 924 d.C.): Primeiro núcleo da resistência cristã, com capital em Oviedo.

Reino da Galícia (750 - 1833 d.C.): Evoluiu a partir das Astúrias e teve importância no cristianismo ibérico.

Reino de Leão (910 - 1230 d.C.): Sucessor das Astúrias, com capital em Leão, tornou-se um dos mais influentes reinos cristãos.

Reino de Castela (1065 - 1230 d.C.): Inicialmente um condado, tornou-se um dos principais reinos da península.

Reino de Portugal (1139 - 1910 d.C.): Surgiu a partir do Condado Portucalense, consolidando sua independência em 1139.

Reino de Aragão (1035 - 1716 d.C.): Expandiu-se e uniu-se à Catalunha, formando a Coroa de Aragão.

5. A Importância dos Condados e a Formação de Novos Reinos

Antes da consolidação de grandes reinos, diversos condados tiveram papel fundamental na estrutura política:

Condado de Castela (850–1065): Tornou-se o Reino de Castela.

Condado de Aragão (c. 802–1035): Evoluiu para o Reino de Aragão.

Condado de Barcelona (801–1137): Unido à Coroa de Aragão.

Condado Portucalense (868–1139): Evoluiu para o Reino de Portugal.

6. Cidades e Capitais de Destaque

Ao longo da história ibérica, algumas cidades tiveram grande importância:

Tarraco (Tarragona): Capital da Hispânia Tarraconense romana.

Bracara Augusta (Braga): Centro da Galécia e do Reino Suevo.

Toledo: Capital do Reino Visigodo.

Oviedo: Primeira capital do Reino das Astúrias.

Leão: Capital do Reino de Leão.

Lisboa: Tornou-se a capital do Reino de Portugal.

Barcelona: Centro do Condado de Barcelona e da Coroa de Aragão.

Sevilha e Granada: Importantes cidades durante a ocupação muçulmana e a Reconquista.


7. Conclusão


O processo de formação da identidade ibérica foi marcado por diversas influências culturais e políticas. A fusão entre heranças romanas, germânicas e cristãs moldou as instituições políticas que levaram ao surgimento de Portugal e Espanha. A Reconquista consolidou a identidade cristã, mas manteve traços das civilizações anteriores, refletindo a complexidade histórica da região.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros:


FERREIRA, João. História da Península Ibérica: De Roma aos Reinos Cristãos. São Paulo: Editora Contexto, 2018.

GARCÍA DE CORTÁZAR, José Ángel; GONZÁLEZ VESGA, José Manuel. Breve Historia de España. Madrid: Alianza Editorial, 2016.

MENÉNDEZ PIDAL, Ramón. La España del Cid. Madrid: Espasa-Calpe, 1987.

SÁNCHEZ-ALBORNOZ, Claudio. España, un Enigma Histórico. Madrid: Ediciones Rialp, 2003.

TORRES, João Paulo Oliveira e. Portugal: Das Origens à Atualidade. Lisboa: Círculo de Leitores, 1991.


Artigos e Periódicos:


BARROCA, Mário Jorge. “A Reconquista Cristã na Península Ibérica e a Formação dos Reinos Medievais.” Revista de História da UFRJ, v. 10, n. 2, p. 45-67, 2015.

MARTÍNEZ DÍEZ, Gonzalo. “La Expansión del Reino de León y la Formación de Castilla.” Hispania. Revista Española de Historia, v. 63, p. 217-250, 2003.


Fontes Primárias:


ISIDORO DE SEVILHA. Historia de Regibus Gothorum, Vandalorum et Suevorum. Tradução de G. Donini. Madrid: CSIC, 2006.

CRÔNICAS MEDIEVAIS: Crónica de Afonso III e Crónica dos Reis de Leão. Edições críticas disponíveis na Real Academia de la Historia, Madrid.





OS REINOS CRISTÃOS DA PENÍNSULA IBÉRICA


Durante a Reconquista (711–1492), vários reinos cristãos surgiram na Península Ibérica, alguns originados de condados, outros absorvidos por reinos maiores. Aqui está uma visão geral:


Principais Reinos Cristãos e suas Datas


1. Reino das Astúrias (718–924) → Tornou-se Reino de Leão.

2. Reino de Pamplona (824–1162) → Tornou-se Reino de Navarra.

3. Reino de Leão (910–1230) → Fundiu-se com Castela.

4. Reino de Castela (1065–1230) → Unido a Leão e formou a Coroa de Castela.

5. Reino de Navarra (1162–1620) → Parcialmente incorporado por Castela em 1512.

6. Condado de Barcelona → Reino de Aragão (1137–1716) → Tornou-se parte da Espanha.

7. Reino de Portugal (1139–1910) → Tornou-se independente da Galiza e Leão.

8. Reino de Aragão (1035–1716) → Formou a Coroa de Aragão.

9. Coroa de Castela (1230–1715) → Uniu-se a Aragão para formar a Espanha.

Condados Transformados em Reinos

Condado de Castela (850–1065) → Tornou-se Reino de Castela.

Condado de Aragão (c. 802–1035) → Tornou-se Reino de Aragão.

Condado de Barcelona (801–1137) → Tornou-se parte da Coroa de Aragão.

Condado Portucalense ( 868 - 1139 ) ) → 

Tornou-se Reino de Portugal. 

Relação com a Identidade Ibérica e os Visigodos

Os reinos cristãos da Reconquista se viam como herdeiros do Reino Visigótico (507–711), justificando sua luta contra os muçulmanos como uma restauração da antiga Hispânia cristã. A identidade ibérica foi marcada por essa herança visigótica, que influenciou leis, cultura e a organização da nobreza.

Os Judeus na Reconquista

Os judeus tiveram um papel essencial na sociedade ibérica medieval, atuando como intelectuais, médicos, comerciantes e conselheiros dos reis cristãos. No entanto, com o avanço cristão, a situação dos judeus variou:

Em alguns períodos, reinos como Leão e Aragão garantiram proteção.

No século XIV, começaram perseguições e massacres, como os de 1391.

Em 1492, os Reis Católicos decretaram a expulsão dos judeus da Espanha (Edicto de Granada).

O Condado Portucalense foi criado pela primeira vez em 868, durante o Reino das Astúrias, por Vímara Peres, um nobre galego a serviço do rei Afonso III. Esse condado foi estabelecido para reforçar a defesa contra os muçulmanos e consolidar a Reconquista na região entre os rios Minho e Douro.

Com a fragmentação do Reino das Astúrias no início do século X, o Condado Portucalense tornou-se parte do Reino de Leão. Durante os séculos seguintes, sua autonomia variou, sendo frequentemente governado por condes que tinham laços estreitos com a nobreza leonesa e galega.

A forma mais conhecida do Condado Portucalense surgiu em 1096, quando o rei Afonso VI de Leão e Castela concedeu o território a Henrique de Borgonha. Esse novo condado manteve vassalagem ao Reino de Leão até que Afonso Henriques, filho de Henrique, rompeu essa relação e proclamou o Reino de Portugal em 1139, consolidando a independência com o Tratado de Zamora em 1143.

Portanto, o Condado Portucalense teve duas fases principais:

a) 868–1071: Criado no Reino das Astúrias e depois vassalo de Leão. Foi temporariamente absorvido por Leão em 1071.

b) 1096–1139: Reconcedido por Afonso VI a Henrique de Borgonha, tornando-se a base para a independência de Portugal.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


FERNÁNDEZ, Luis Suárez. Historia de la Reconquista. Madrid: Ediciones Rialp, 1986.

LIMA, António. A história de Portugal: dos primórdios à formação do Reino. 4. ed. Lisboa: Edições 70, 2015.

PEREIRA, Manuel. "O Condado Portucalense: Da Criação à Independência". In: OLIVEIRA, Maria (org.). Estudos sobre a Idade Média Ibérica. Porto: Livraria Universidade, 2008. p. 87-112.

SÁNCHEZ-ALBORNOZ, Claudio. A formação dos reinos cristãos na Península Ibérica. Revista Hispânica de História Medieval, v. 8, n. 2, p. 123-145, 1992.

SILVA, João da. "O Condado Portucalense: Formação e Autonomia". Revista Portuguesa de História Medieval, v. 12, n. 2, p. 123-145, 2009.




DOMÍNIO MUÇULMANO NA PENÍNSULA IBÉRICA


O domínio muçulmano na Península Ibérica começou em 711 com a invasão dos exércitos islâmicos liderados por Táriq ibn Ziyad e terminou oficialmente em 1492, com a tomada de Granada pelos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Esse período foi marcado por profundas transformações políticas, culturais e sociais.

Reinos Criados e Desenvolvimento Político

1. Emirado de Córdoba (756-929) – Inicialmente, a Península estava sob controle do Califado Omíada de Damasco, mas em 756, Abd ar-Rahman I estabeleceu um emirado independente em Córdoba.

2. Califado de Córdoba (929-1031) – Em 929, Abd ar-Rahman III proclamou-se califa, tornando Córdoba um dos mais avançados centros culturais e políticos da Europa.

3. Reinos de Taifas (1031-1090 e 1145-1212) – Após a fragmentação do califado, surgiram pequenos reinos independentes chamados "taifas", que frequentemente guerreavam entre si.

4. Domínio Almorávida (1090-1147) e Almóada (1147-1212) – Dinastias do Norte da África intervieram para tentar restaurar a unidade islâmica na Península.

5. Reino Nacérida de Granada (1238-1492) – Último bastião muçulmano na Península, caiu para os cristãos em 1492.

Mudanças Culturais e Políticas

Influência Islâmica na Cultura: A Península tornou-se um dos grandes centros de conhecimento da Idade Média. Os muçulmanos trouxeram avanços em matemática, astronomia, medicina e filosofia, preservando e traduzindo textos clássicos gregos e romanos.

Arquitetura: Surgiram estilos marcantes como o mudéjar e o islâmico-andaluz. Exemplos notáveis incluem:

Mesquita-Catedral de Córdoba

Alhambra de Granada

Alcázar de Sevilha

Administração e Sociedade: A sociedade era dividida entre muçulmanos, cristãos e judeus, com um sistema de impostos para não-muçulmanos (jizya). Os judeus e cristãos, chamados "dhimmis", podiam praticar sua religião, mas tinham status inferior aos muçulmanos.

Relação com a População, Inclusive Judeus

Os judeus tiveram um período de grande florescimento cultural sob domínio muçulmano, especialmente em Córdoba, com figuras como Maimônides.

Durante os reinos cristãos, após a Reconquista, houve perseguições, culminando com a Expulsão dos Judeus de 1492 e a Inquisição Espanhola.

Cristãos que permaneceram sob domínio islâmico eram chamados "moçárabes" e mantinham sua fé, embora muitos adotassem costumes islâmicos.


O período islâmico na Península Ibérica deixou um legado duradouro, influenciando a língua, a arquitetura, a ciência e a cultura da região.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Aqui estão algumas referências nos moldes da ABNT para citar em trabalhos acadêmicos sobre o domínio muçulmano na Península Ibérica:


Livros


FERNÁNDEZ-MORERA, Darío. O mito do paraíso andaluz: Muçulmanos, cristãos e judeus na Espanha medieval. São Paulo: É Realizações, 2018.

GARCÍA FITZ, Francisco. La conquista de al-Ándalus y la expansión feudal (siglos XI-XIII). Madrid: Sílex, 2021.

MENOCAL, Maria Rosa. O ornamento do mundo: Como muçulmanos, judeus e cristãos criaram uma cultura de tolerância na Espanha medieval. Rio de Janeiro: Record, 2004.


Artigos acadêmicos


CAMPOS, André Luiz. A influência islâmica na arquitetura da Península Ibérica. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 30, n. 60, p. 125-145, 2010.

LOPEZ, María del Mar. A comunidade judaica sob domínio islâmico na Península Ibérica. Hispanic Studies Journal, Madri, v. 25, n. 2, p. 45-67, 2019.


Capítulos de livros


BOSWORTH, Clifford Edmund. A fragmentação do califado de Córdoba e as Taifas. In: HOLT, P. M.; LAMBTON, Ann; LEWIS, Bernard. História do Islã medieval. Lisboa: Editorial Presença, 2007. p. 205-230.



A PRESENÇA JUDAICA EM GERUNDA


A cidade de Gerunda (atual Girona, na Catalunha, Espanha) realmente teve uma presença judaica significativa e duradoura, sendo uma das comunidades mais antigas e influentes da Península Ibérica. Os judeus viveram também em outras comunidades judaicas importantes, como Toledo, Córdoba e outras cidades do Mediterrâneo.

Organização Histórica da Presença Judaica em Gerona

A história dos judeus em Girona pode ser dividida nos seguintes períodos, alinhando com os diferentes impérios e reinos que governaram a região:

1. Período Romano (218 a.C. – 476 d.C.)

A cidade de Gerunda foi fundada no século I a.C. pelos romanos.

Os judeus começaram a chegar à Península Ibérica após a destruição do Segundo Templo de Jerusalém (70 d.C.), possivelmente se estabelecendo em várias cidades, incluindo Gerunda.

Não há registros diretos da presença judaica nesse período em Gerona, mas há evidências de comunidades judaicas na Hispânia romana.

2. Período Visigótico (476 – 711 d.C.)

A partir do século V, a Península Ibérica ficou sob domínio visigótico.

Inicialmente, os judeus tiveram alguma liberdade, mas a partir do século VII começaram a sofrer perseguições sob os reis visigodos, especialmente com o rei Sisebuto (610-621), que impôs conversões forçadas.

A presença judaica em Gerona nesse período teria sido reduzida, mas persistente.

3. Período Muçulmano (711 – 785 d.C. em Girona, até 1492 na Península)

Com a conquista muçulmana, os judeus ganharam mais liberdade e prosperaram em várias cidades ibéricas.

Gerona foi reconquistada pelos cristãos relativamente cedo, em 785, e a presença muçulmana foi breve.

Durante esse curto período, os judeus continuaram a viver na cidade, mas com menos influência do que em centros como Córdoba e Toledo.

4. Período Carolíngio e Condados Catalães (785 – século XII)

Girona foi integrada ao Império Carolíngio e depois ao Reino de Aragão e Condado de Barcelona.

A comunidade judaica de Gerona começou a se fortalecer nesse período, especialmente no século XI.

5. Período do Reino de Aragão (século XII – 1492)

Este foi o auge da comunidade judaica de Gerona.

No século XIII, destacou-se o rabino Moisés ben Nahmân (Nahmânides), uma das figuras mais importantes do judaísmo medieval.

Os judeus de Gerona desenvolveram um grande centro de estudos cabalísticos.

O bairro judeu (Call) floresceu e é um dos mais bem preservados da Europa.

6. Período da Perseguição e Declínio (século XIV – 1492)

Em 1391, a comunidade judaica sofreu um pogrom devastador e muitos judeus foram forçados a se converter ou fugir.

No século XV, as conversões forçadas e o aumento da pressão cristã levaram à decadência da comunidade.

Em 1492, com o decreto de expulsão dos Reis Católicos, os últimos judeus foram forçados a partir.


Conclusão


A comunidade judaica de Gerona teve uma longa permanência, especialmente durante o período medieval, mas outras cidades, como Toledo e Córdoba, também tiveram comunidades judaicas que prosperaram por séculos. Além disso, fora de Israel, comunidades judaicas em cidades como Bagdá, Alexandria, Istambul e Salônica tiveram uma presença igualmente duradoura.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros e artigos sobre a presença judaica na Península Ibérica


1. BAER, Yitzhak. A History of the Jews in Christian Spain. Philadelphia: Jewish Publication Society, 1971.

Obra clássica sobre a história dos judeus na Espanha cristã, abordando desde o período visigótico até a expulsão em 1492.

2. GERBER, Jane S. Jews of Spain: A History of the Sephardic Experience. New York: Free Press, 1992.

Analisa a história dos judeus sefarditas desde os primeiros registros até a diáspora após a expulsão.

3. NETANYAHU, Benzion. The Origins of the Inquisition in Fifteenth Century Spain. New York: Random House, 1995.

Detalha o contexto histórico das perseguições contra os judeus na Península Ibérica.

4. KATZ, Solomon. The Jews in the Visigothic and Frankish Kingdoms of Spain and Gaul. Cambridge: Harvard University Press, 1937.

Examina a vida dos judeus na Hispânia visigótica e seu impacto na cultura local.

5. TARDA, Josep Maria. Els Calls de Catalunya: Història i vida de les comunitats jueves medievals. Barcelona: Rafael Dalmau Editor, 2002.

Estudo detalhado sobre os bairros judeus (Calls) da Catalunha, incluindo Gerona.


Fontes primárias e documentos históricos


6. NAHMÂNIDES (Moisés ben Nahmân). Sefer Ha-Vikuach (O Debate de Barcelona). Século XIII.

Relato do famoso debate entre Nahmânides e o dominicano Pablo Christiani, que reflete a situação dos judeus no Reino de Aragão.

7. DOCUMENTOS medievais da Coroa de Aragão. Arquivos históricos da Catalunha e Espanha.

Registros oficiais sobre a presença judaica e as perseguições sofridas.

Estudos sobre a arqueologia e cultura judaica em Gerona

8. BATLLE, Carme. Els jueus de Girona en els segles XIII i XIV. Girona: Diputació de Girona, 1985.

Pesquisa aprofundada sobre a comunidade judaica de Gerona nos séculos XIII e XIV.

9. GARCÍA-ANTÓN, José Luis. La Girona judía: historia y patrimonio. Girona: Ajuntament de Girona, 2010.

Estudo arqueológico e patrimonial sobre os vestígios judaicos na cidade.

10. VINYALS, Dolors. Girona i els jueus. Història i patrimoni d’una comunitat mil·lenària. Girona: Ajuntament de Girona, 2009.

Apresenta a história dos judeus de Gerona com base em fontes documentais e descobertas arqueológicas.




REINOS DA GALÉCIA E REINO DA GALÍCIA DA PENÍNSULA IBÉRICA


1. Reino da Galécia (409–585) – Foi um reino germânico fundado pelos suevos na região noroeste da Península Ibérica, correspondente ao que hoje é a Galícia (na Espanha) e o norte de Portugal. Os suevos foram um dos povos germânicos que invadiram o Império Romano e estabeleceram um dos primeiros reinos independentes na Europa Ocidental após a queda de Roma. Em 585, o Reino da Galécia foi conquistado pelos visigodos e incorporado ao Reino Visigótico.

2. Reino da Galícia (séculos VIII–XIX) – Foi um reino cristão medieval que surgiu após a reconquista cristã contra os muçulmanos. Ao longo de sua história, a Galícia foi parte do Reino de Leão, do Reino de Castela e, por vezes, foi um reino autônomo dentro desses domínios. O título de "Rei da Galícia" foi usado por monarcas cristãos ibéricos, especialmente durante o período da Idade Média.

Embora tenham ocupado uma região semelhante, a Galécia foi um reino germânico de origem sueva, enquanto a Galícia foi um reino cristão medieval ligado à monarquia hispânica.


Reino da Galécia (409–585) – Formação e Importância


Formação e Capital

O Reino da Galécia foi formado em 409 d.C., quando os suevos, um povo germânico, cruzaram o Reno e chegaram à Península Ibérica junto com outros grupos bárbaros, como vândalos e alanos. A região foi concedida aos suevos pelo Império Romano em uma partilha territorial. Em 411, eles se estabeleceram de forma definitiva na parte noroeste da península, na província romana da Galécia.

A capital do reino foi Braga, uma cidade de grande importância cultural e religiosa, que antes era um centro administrativo romano.

Abrangência Territorial

O Reino da Galécia abrangia o território correspondente à atual Galícia (Espanha), norte de Portugal, parte do Reino de Leão e Astúrias. Seu domínio se estendia até regiões do Douro e até o rio Minho.

Importância para os Reinos Cristãos

O Reino da Galécia teve um papel essencial na transição entre o período romano e a formação da cristandade medieval. Foi o primeiro reino medieval a se converter oficialmente ao cristianismo, antes mesmo dos visigodos. Em 585, foi conquistado pelos visigodos e incorporado ao Reino Visigótico, mas sua influência permaneceu. A tradição cristã e a organização política desse reino serviram de base para a formação dos reinos cristãos que mais tarde lideraram a Reconquista contra os mouros.


Reino da Galícia (Séc. VIII–1833) – Formação e Extensão


Formação e Capital

O Reino Cristão da Galícia começou a tomar forma por volta de 750 d.C., quando os cristãos das Astúrias e da antiga Galécia resistiram à ocupação muçulmana iniciada em 711. O reino foi consolidado quando Afonso I das Astúrias (739–757) expandiu seus domínios, incorporando a Galícia ao Reino das Astúrias. A partir do século IX, a Galícia se tornou um reino cristão formalmente reconhecido dentro da monarquia asturiana.

A capital variou ao longo do tempo, mas cidades importantes incluíram Santiago de Compostela (um grande centro religioso devido ao culto a São Tiago) e Leão, quando o Reino da Galícia foi incorporado ao Reino de Leão.

Abrangência e Término

O Reino da Galícia abrangeu a atual Galícia espanhola, norte de Portugal e partes do Reino de Leão. Muitas vezes foi governado em conjunto com outros reinos ibéricos. Ele existiu oficialmente até 1833, quando a reorganização administrativa da Espanha aboliu o título de "Reino da Galícia".

Importância

O Reino da Galícia teve um papel central na Reconquista, pois fazia parte da linha de frente da resistência cristã contra os muçulmanos. Santiago de Compostela se tornou um símbolo de identidade cristã e um dos principais centros de peregrinação da Idade Média, fortalecendo o cristianismo na região.


Em resumo:


Reino da Galécia (409–585) → Reino suevo, capital Braga, primeiro reino cristão medieval na Península Ibérica.

Reino da Galícia (750–1833) → Reino cristão medieval, parte dos reinos das Astúrias, Leão e Castela, com grande papel na Reconquista.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros


FERNÁNDEZ, Luís Suárez. Historia de España: Edad Media. Madrid: Ediciones Rialp, 1985.

FLETCHER, Richard A. The Barbarians and the Fall of Rome. London: Routledge, 1989.

ROGERO, Iván. Os Reinos da Cristandade Ibérica na Idade Média. Lisboa: Edições 70, 2005.


Artigos e Fontes Acadêmicas


TORRES, Henrique. "O Reino Suevo da Galécia e sua organização política". Revista de História Medieval Ibérica, v. 12, n. 1, p. 55-78, 2010.

GARCÍA, Jesús. "Santiago de Compostela e a formação do Reino da Galícia". Estudos Medievais, v. 25, p. 211-234, 2015.


Fontes Primárias e Documentais


ISIDORO DE SEVILHA. História dos Godos, Vândalos e Suevos. Tradução de João da Silva, 1998.



REINOS BÁRBAROS DA PENÍNSULA IBÉRICA


A Península Ibérica passou por várias fases de dominação e reinos bárbaros entre o declínio do Império Romano e a invasão muçulmana de 711. O processo começou com os feudos romanos atribuídos a povos federados (foederati), que posteriormente se tornaram reinos independentes.

1. Os Reinos Bárbaros na Península Ibérica

Os principais povos bárbaros que formaram reinos na Península Ibérica foram:

1.1. Reino dos Vândalos (409–429)

Divididos entre Hasdingos (norte) e Silingos (sul).

Inicialmente receberam terras como foederati de Roma, mas foram expulsos pelos visigodos e depois migraram para o norte da África.

1.2. Reino dos Alanos (409–426)

Um povo iraniano que se estabeleceu na Lusitânia e Cartaginense.

Foram derrotados pelos visigodos a mando dos romanos, e os sobreviventes se uniram aos vândalos.

1.3. Reino dos Suevos (409–585)

Fundado na Galécia (noroeste da Península, atual Portugal e Galícia).

Inicialmente federados de Roma, depois um reino independente.

Foram absorvidos pelo Reino Visigodo em 585.

1.4. Reino Visigodo (507–711)

Inicialmente aliados de Roma, foram usados para derrotar outros bárbaros.

Expandiram-se na Península após perderem o sul da Gália na batalha de Vouillé (507) contra os francos.

Tornaram-se o principal reino ibérico até a conquista muçulmana.

2. Relação dos Visigodos com Romanos e Judeus

Os visigodos, apesar de dominarem a Península, eram inicialmente uma minoria guerreira, convivendo com uma população majoritariamente hispano-romana.

2.1. Com os Hispano-Romanos

No início, havia distinção legal entre visigodos e romanos.

Apenas visigodos podiam portar armas e exercer cargos militares.

Em 654, com o Código de Recesvinto, houve uma unificação das leis, dando direitos mais iguais.

2.2. Com os Judeus

Durante o domínio romano, os judeus tinham certa liberdade.

Com a conversão dos visigodos ao catolicismo niceno (586), começou a perseguição contra os judeus.

Foram obrigados a se converter ao cristianismo ou enfrentar o exílio.

No final do Reino Visigodo, muitos judeus apoiaram a invasão muçulmana como libertação.


Conclusão


A Península Ibérica teve quatro grandes reinos bárbaros antes da chegada dos muçulmanos. Os visigodos consolidaram seu poder e tentaram unificar a sociedade, mas perseguições religiosas e instabilidades internas enfraqueceram o reino, facilitando a invasão islâmica em 711.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros


HEATHER, Peter. A Queda do Império Romano: Uma Nova História da Roma Antiga. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

THOMPSON, Edward Arthur. The Goths in Spain. Oxford: Clarendon Press, 1969.

WICKHAM, Chris. O Legado de Roma: Uma Nova História da Europa Medieval. São Paulo: Estação Liberdade, 2019.


Artigos e Capítulos de Livros


BARCELÓ, Pedro. Los visigodos y su integración en Hispania. In: GARCÍA MORENO, Luis A. (Org.). Sociedad y economía en la Hispania visigoda. Madrid: Cátedra, 1976, p. 35-58.

GARCÍA MORENO, Luis A. Las Invasiones y la Época Visigoda. In: PÉREZ, Juan B. (Org.). Historia de España Antigua. Madrid: Ediciones Cátedra, 2012, p. 249-290.


Artigos em Periódicos Acadêmicos


FERNÁNDEZ, Luis A. La comunidad judía en la Hispania visigoda: represión y resistencia. Hispania Sacra, v. 51, n. 104, p. 387-414, 1999.

MARTÍNEZ, Ángel. El reino visigodo y la romanización tardía en la Península Ibérica. Revista de Historia Antigua, v. 28, p. 77-95, 2015.





ROMANIZAÇÃO DA PENÍNSULA IBÉRICA


A romanização da Península Ibérica foi um processo que durou séculos, influenciando profundamente a identidade e a formação das sociedades ibéricas. O domínio romano na região começou com a conquista durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C.) e consolidou-se ao longo dos séculos seguintes. Durante esse período, a Península foi organizada em diferentes províncias romanas, cuja divisão mudou com o tempo.

Províncias Romanas da Península Ibérica

Período Republicano (a.C.)

Inicialmente, Roma dividiu a Península Ibérica em duas províncias:

1. Hispânia Citerior (parte oriental e nordeste)

Capital: Tarraco (atual Tarragona, Espanha)

Principais cidades: Tarraco, Saguntum (Sagunto), Ilerda (Lleida)

2. Hispânia Ulterior (parte sul e oeste)

Capital: Corduba (atual Córdoba, Espanha)

Principais cidades: Corduba, Gades (Cádiz), Hispalis (Sevilha), Italica (Santiponce, perto de Sevilha)

Período Imperial (d.C.)

Com a reorganização feita pelo imperador Augusto no final do século I a.C., a Península foi dividida em três províncias:

1. Hispânia Tarraconense (norte e centro)

Capital: Tarraco

Principais cidades: Caesaraugusta (Zaragoza), Clunia (Burgos), Emerita Augusta (Mérida), Asturica Augusta (Astorga)

2. Hispânia Bética (sul)

Capital: Corduba

Principais cidades: Hispalis, Gades, Italica, Malaca (Málaga), Astigi (Écija)

3. Lusitânia (oeste, atual Portugal e parte da Espanha)

Capital: Emerita Augusta (atual Mérida, Espanha)

Principais cidades: Olissipo (Lisboa), Bracara Augusta (Braga), Norba Caesarina (Cáceres), Conimbriga (perto de Coimbra)

Mais tarde, no século III d.C., sob a reforma de Diocleciano, a Península ganhou uma quarta província: 4. Hispânia Cartaginense (separada da Tarraconense)

Capital: Carthago Nova (Cartagena)

Principais cidades: Toletum (Toledo), Segobriga, Complutum (Alcalá de Henares)

Principais cidades fundadas e sua importância

Os romanos fundaram e desenvolveram várias cidades que se tornaram centros administrativos, comerciais e culturais. Algumas delas cresceram e se tornaram cidades modernas importantes, como:

Emerita Augusta (Mérida) → Centro administrativo da Lusitânia, ainda preserva um dos mais impressionantes conjuntos arqueológicos romanos da Espanha.

Bracara Augusta (Braga) → Importante centro urbano na Lusitânia e futuro centro cristão.

Caesaraugusta (Zaragoza) → Homenagem a Augusto e um dos maiores centros comerciais da Tarraconense.

Olissipo (Lisboa) → Porto comercial estratégico na costa atlântica.

Carthago Nova (Cartagena) → Grande porto do Mediterrâneo e centro naval.

Contribuições da Romanização para a Identidade Ibérica

4. A Província Romana da Galécia foi criada oficialmente em cerca de 285 d.C., durante as reformas administrativas do imperador Diocleciano. Antes disso, fazia parte da Província Tarraconense, uma das províncias romanas na Península Ibérica.

Término da Galécia

A província terminou oficialmente em 585 d.C., quando foi conquistada pelos visigodos sob o rei Leovigildo, tornando-se parte do Reino Visigótico.

Capital da Galécia

A capital da província era Bracara Augusta (atual Braga, em Portugal).

Principais cidades da Galécia na Península Ibérica

Além de Bracara Augusta, algumas das cidades importantes incluíam:

Lucus Augusti (atual Lugo, na Galiza, Espanha)

Asturica Augusta (atual Astorga, na Espanha)

Aquae Flaviae (atual Chaves, em Portugal)

Iria Flavia (atual Padrón, na Galiza)

Tude (atual Tui, na Galiza)

Conimbriga (próxima da atual Coimbra, Portugal)

Região de Abrangência

A Galécia abrangia a região noroeste da Península Ibérica, incluindo:

Galiza (Espanha)

Norte de Portugal (até aproximadamente o rio Douro)

Parte do Reino de Leão (Astúrias e parte de Castela e Leão)

Era habitada principalmente por galaicos, astures e lusitanos, povos celtas que foram romanizados ao longo do tempo.

A influência romana foi profunda e ajudou a moldar a identidade da Península Ibérica em vários aspectos:

1. Língua: O latim tornou-se predominante e deu origem às línguas ibero-românicas (espanhol, português, catalão, galego).

2. Infraestrutura: Construção de estradas, pontes, aquedutos e cidades bem organizadas, muitas das quais ainda formam a base de cidades modernas.

3. Direito Romano: Serviu de base para os sistemas jurídicos de Portugal e Espanha.

4. Cultura e Religião: A Península adotou o modelo urbano romano, a arquitetura monumental e, mais tarde, o cristianismo como religião oficial.

5. Economia: A exploração de minérios, a agricultura e o comércio com outras partes do Império Romano fortaleceram a economia local.

A romanização criou um legado duradouro, consolidando uma identidade comum na Península Ibérica, que permaneceu mesmo após a queda do Império Romano e influenciou as futuras nações de Portugal e Espanha.

As províncias romanas na Península Ibérica passaram por diversas reorganizações desde a sua conquista até a queda do Império Romano. Aqui estão os períodos aproximados de sua existência:

Período Republicano (a.C.)

1. Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior (criação: 197 a.C.)

Criadas após a conquista romana durante a Segunda Guerra Púnica (218–201 a.C.).

Permaneceram com essa divisão até o início do Império.

Período Imperial (d.C.)

2. Hispânia Tarraconense, Bética e Lusitânia (reorganização por Augusto: 27 a.C.)

Divisão feita durante o governo do imperador Augusto.

Duraram até a reforma administrativa de Diocleciano no final do século III d.C.

3. Nova reorganização por Diocleciano (por volta de 293 d.C.)

Criou a Hispânia Cartaginense, separando-a da Tarraconense.

Essas províncias permaneceram até o colapso do domínio romano na Península Ibérica.

Fim do domínio romano nas províncias ibéricas

Maior parte da Península caiu sob domínio dos Visigodos entre 409 e 476 d.C.

4. A Província Romana da Galécia foi criada oficialmente em cerca de 285 d.C.,  terminou em 585 d.C., quando foi conquistada pelos visigodos sob o rei Leovigildo.

Capital da Galécia

A capital da província era Bracara Augusta (atual Braga, em Portugal).

A última província sob domínio romano foi a Tarraconense, tomada pelos Visigodos em aproximadamente 476 d.C., marcando o fim do Império Romano do Ocidente.

Portanto, o período das províncias romanas na Península Ibérica se estendeu de 197 a.C. a 476 d.C., com mudanças administrativas ao longo dos séculos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 



Livros


ALFÖLDY, Géza. Historia social de Roma. Madrid: Cátedra, 1992.

FLEMING, Maria Isabel D’Agostino. "A questão celta do noroeste da Península Ibérica: entre história e arqueologia." Brathair - Revista de Estudos Celtas e Germânicos, v. 19, n. 1, 2019. Disponível em: https://ppg.revistas.uema.br/index.php/brathair/article/view/2075. Acesso em: [ 30 de mar. 2025 ].

LE ROUX, Patrick. Roma e o nascimento da Espanha: cultura, política e sociedade. Lisboa: Edições 70, 2007.

MARTINS, Manuela. A romanização do noroeste da Península Ibérica: cidade e território. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1990.

ROLDÁN HERVÁS, José Manuel. Historia de España: Hispania Romana. Madrid: Cátedra, 1998.

SCHULTEN, Adolf. Los cántabros y astures y su guerra con Roma. Madrid: Biblioteca Nueva, 2000.

SILVA, Bruno dos Santos. Estrabão e as Províncias da Gália e da Ibéria: um estudo sobre A Geografia e o Império Romano. 2013. Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-29072013-100434/. Acesso em: [ 30 de mar. 2025 ].


Artigos e capítulos de livro


GARCÍA Y BELLIDO, Antonio. "La romanización de Hispania". Archivo Español de Arqueología, v. 31, n. 1, p. 1-36, 1958.

MORILLO, Ángel. "El proceso de romanización de Hispania". In: FUNARI, Pedro Paulo; PELOSO, Jeanne Marie. Roma e o Ocidente: cultura e poder. São Paulo: Annablume, 2004. p. 101-128.

MARTÍN, José Luis. "Hispania Romana: La estructuración del espacio peninsular". Studia Historica. Historia Antigua, v. 8, p. 13-42, 1990.


Referências online e institucionais


UNIVERSIDADE DE SALAMANCA. Romanización de Hispania. Disponível em: https://www.usal.es/. Acesso em: 30 mar. 2025.

REAL ACADEMIA DE LA HISTORIA. Hispania romana. Disponível em: https://www.rah.es/. Acesso em: 30 mar. 2025.



RELAÇÃO DO IMPÉRIO ROMANO COM A PENÍNSULA IBÉRICA 70 d.C. - 476 d.C.


A relação do Império Romano com a Península Ibérica entre 70 d.C. e 476 d.C. envolve a presença de romanos, cristãos e judeus sob diferentes políticas imperiais, incluindo éditos e concílios que moldaram a convivência e os conflitos entre esses grupos.

1. O Império Romano e a Península Ibérica (70-476 d.C.)

A Península Ibérica estava sob domínio romano desde as Guerras Púnicas (218-201 a.C.), e no período de 70 d.C. a 476 d.C., ela permaneceu uma parte essencial do império. Durante esse tempo, a população era formada por romanos, povos locais romanizados (celtiberos, lusitanos) e minorias religiosas, como judeus e, posteriormente, cristãos.

1.1. Judeus na Península Ibérica

Já havia comunidades judaicas na Península desde o período republicano de Roma.

Após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém (70 d.C.), um número maior de judeus chegou à Península como prisioneiros ou refugiados.

A princípio, os judeus tinham relativa liberdade religiosa, mas isso mudou com o crescimento do cristianismo e a legislação imperial.

1.2. Cristãos na Península Ibérica

O cristianismo começou a se expandir na Península ainda no século I e II d.C., mas sofreu perseguições esporádicas, como durante o reinado de Décio (249-251) e Diocleciano (303-311).

Com a conversão de Constantino e o Édito de Milão (313), o cristianismo foi legalizado, e a Igreja começou a se organizar mais formalmente na Península.

2. Leis e Políticas Imperiais Importantes

2.1. Antes de Constantino (70-312 d.C.)

Durante esse período, o cristianismo era uma religião minoritária e ilegal, enquanto os judeus tinham certa autonomia, mas eram vistos com desconfiança.

Édito de César Augusto (20 a.C.) – Permitira que judeus praticassem sua fé, sem serem forçados a adorar deuses romanos.

Perseguições aos cristãos:

Sob Nero (64 d.C.), Domiciano (81-96), Trajano (98-117), Décio (249-251) e Diocleciano (303-311).

Judeus também sofreram restrições após as revoltas judaicas (66-73 e 132-135).

Édito de Caracala (212 d.C.) – Concedeu cidadania romana a todos os habitantes livres do Império, incluindo judeus e cristãos.

2.2. Após a Conversão de Constantino (312-476 d.C.)

Com a ascensão do cristianismo ao poder imperial, a relação com os judeus e outras religiões começou a mudar.

Édito de Milão (313) – Legalizou o cristianismo e garantiu liberdade religiosa no império.

Concílio de Nicéia (325) – Organizou a doutrina cristã e condenou heresias.

Édito de Tessalônica (380) – O imperador Teodósio I declarou o cristianismo niceno a religião oficial do Império.

Concílio de Toledo (400, 447, 589, etc.) – Na Península Ibérica, os concílios começaram a impor restrições aos judeus e fortaleceram a relação entre Igreja e Estado.

2.3. Restrição aos Judeus

Leis Teodosianas (393-438) – Restringiram direitos judaicos, proibindo conversões ao judaísmo e impedindo casamentos entre judeus e cristãos.

Concílios de Toledo – Impuseram mais restrições aos judeus, culminando em conversões forçadas no século VII.

3. A Queda do Império Romano e a Península Ibérica

Em 476 d.C., o Império Romano do Ocidente caiu, mas a Península Ibérica já estava sob crescente influência dos visigodos, que adotaram inicialmente o arianismo e depois se converteram ao cristianismo niceno.

Impacto da Queda

A Igreja tornou-se a instituição dominante, com influência sobre leis e sociedade.

Os visigodos impuseram mais restrições aos judeus, culminando na conversão forçada sob o rei Sisebuto (612-621).


Conclusão


A relação do Império Romano com a Península Ibérica entre 70 e 476 d.C. foi marcada pela integração cultural e religiosa, pela romanização dos povos locais, pela perseguição inicial ao cristianismo e depois sua ascensão ao poder. As leis e concílios refletem essa transformação, impactando diretamente cristãos e judeus, com consequências que se estenderiam à Idade Média.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros e artigos acadêmicos


1. BOWDER, Diana. Civilização Romana. Lisboa: Edições 70, 1993.

Aborda a organização social, política e religiosa do Império Romano.

2. GOODMAN, Martin. Rome and Jerusalem: The Clash of Ancient Civilizations. London: Penguin Books, 2008.

Explora a relação entre Roma e os judeus, incluindo as diásporas e perseguições.

3. HEATHER, Peter. The Fall of the Roman Empire: A New History of Rome and the Barbarians. Oxford: Oxford University Press, 2005.

Explica a queda do Império Romano e seus efeitos na Península Ibérica.

4. MARQUES, A. H. de Oliveira. História de Portugal, Vol. 1 – Das Origens ao Renascimento. Lisboa: Presença, 1997.

Traz informações sobre a romanização e o impacto do cristianismo na Península Ibérica.

5. MITCHELL, Stephen. A History of the Later Roman Empire: AD 284–641. Oxford: Blackwell, 2007.

Detalha o período de Constantino e as leis religiosas.

6. RODRÍGUEZ NEILA, Juan Francisco. Cristianos y judíos en la Hispania romana y visigoda. Granada: Universidad de Granada, 1995.

Analisa a convivência e os conflitos entre cristãos e judeus na Península Ibérica.

7. SCHAFF, Philip. History of the Christian Church, Volume III: Nicene and Post-Nicene Christianity. New York: Charles Scribner's Sons, 1910.

Traz informações sobre os concílios e as leis cristãs no Império Romano.

8. WILLIAMS, Stephen. Diocletian and the Roman Recovery. London: Routledge, 1997.

Foca nas reformas de Diocleciano, incluindo perseguições aos cristãos.


Fontes primárias (Éditos e Leis)


1. Código Teodosiano (438 d.C.)

Disponível em: https://droitromain.univ-grenoble-alpes.fr/ (em latim e francês) . Acesso em: 30 mar. 2025.

2. Édito de Milão (313 d.C.)

Disponível em traduções acadêmicas, como na obra de Schaff (History of the Christian Church).

3. Concílio de Nicéia (325 d.C.) – Cânones

Disponível em: https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf214.txt  . Acesso em: 30 mar. 2025.

4. Concílios de Toledo (400-589 d.C.)

Traduções acadêmicas podem ser encontradas em coleções sobre os visigodos e a Igreja Ibérica.




CONQUISTA ROMANA NA PENÍNSULA IBÉRICA


Os romanos dominaram a Península Ibérica através de uma longa série de campanhas militares iniciadas durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C. – 201 a.C.), quando Roma enfrentou Cartago. A conquista completa da península só foi consolidada no tempo do imperador Augusto, por volta de 19 a.C.


Principais povos dominados antes de Cristo:


Antes da chegada dos romanos, a Península Ibérica era habitada por diversos povos com culturas distintas, muitos organizados em aldeias e pequenos reinos tribais. Alguns dos principais grupos eram:

1. Íberos – Habitavam o leste e o sul da península. Eram organizados em comunidades tribais e tinham contato comercial com fenícios, gregos e cartagineses.

2. Celtas – Povo de origem indo-europeia, habitavam o norte e o centro-oeste. Viviam em castros (aldeias fortificadas) e tinham uma cultura guerreira.

3. Celtiberos – Resultado da fusão entre celtas e íberos. Ocupavam o centro da península e resistiram fortemente à invasão romana (como os lusitanos).

4. Lusitanos – Povo guerreiro que habitava a região onde hoje está Portugal e parte da Espanha ocidental. Resistiram à dominação romana sob a liderança de Viriato.

5. Vascones – Antepassados dos bascos, habitavam o norte da península e mantiveram relativa independência.

6. Tartessos – Civilização do sul da península, conhecida por sua riqueza e ligações comerciais com os fenícios.

O reino de Tartessos, localizado na atual Andaluzia (sul da Espanha), é considerado a primeira civilização ibérica. Era um centro de comércio e metalurgia (ouro, prata e estanho) e manteve relações com fenícios e gregos.

Além disso, os fenícios e cartagineses estabeleceram colônias comerciais ao longo da costa mediterrânea, como Gades (Cádis) e Cartago Nova (Cartagena), influenciando as culturas locais antes da chegada dos romanos.

Os romanos, ao dominarem esses povos, impuseram sua cultura, língua (latim) e instituições, levando à romanização da Península Ibérica, processo que resultaria, séculos depois, nas bases das línguas e culturas da Espanha e Portugal.

A conquista romana da Península Ibérica foi um processo longo, que começou em 218 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica, e terminou apenas em 19 a.C., sob o imperador Augusto. Aqui estão as principais fases e os anos aproximados da conquista dos povos mencionados:


1. Cartagineses (218–206 a.C.)


218 a.C. – Início da conquista romana, quando desembarcam na Península Ibérica para enfrentar os cartagineses.

209 a.C. – Tomada de Cartago Nova (Cartagena) por Públio Cornélio Cipião.

206 a.C. – Derrota final dos cartagineses na Batalha de Ilipa, consolidando o domínio romano no sul.


2. Celtiberos (181–133 a.C.)

181 a.C. – Primeiras campanhas romanas contra os celtiberos.

153–133 a.C. – Guerras Celtibéricas, com resistência feroz em cidades como Numância.

133 a.C. – Queda de Numância, após longo cerco liderado por Cipião Emiliano.


3. Lusitanos (155–139 a.C.)

155 a.C. – Início da resistência dos lusitanos contra Roma.

147–139 a.C. – Liderança de Viriato, que derrota os romanos diversas vezes.

139 a.C. – Assassinato de Viriato por traição, marcando o declínio da resistência lusitana.

4. Cántabros e Astures (29–19 a.C.)

29–19 a.C. – Guerras Cántabras, sob o imperador Augusto.

19 a.C. – Derrota final dos cántabros e astures, encerrando a conquista romana da península.

Portanto, os romanos levaram quase 200 anos (218 a.C. – 19 a.C.) para dominar toda a Península Ibérica, enfrentando forte resistência dos povos locais.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 


Livros


FERNÁNDEZ, Luis Suárez. Historia de España Antigua y Media. Madrid: Ediciones Rialp, 1983.

GARCÍA MORENO, Luis A. Historia de España Antigua. Madrid: Cátedra, 1989.

ALMEIDA, Carlos Fabião. A Conquista da Hispânia pelos Romanos. Lisboa: Edições Colibri, 2006.


Artigos e capítulos de livros


ALARCÃO, Jorge. "A romanização da Hispânia". In: VILLAVERDE, Valentín (Org.). Arqueologia da Península Ibérica: Pré-história e Proto-história. Lisboa: Círculo de Leitores, 1997, p. 273-290.

SCHULTEN, Adolf. Numancia. Madrid: Espasa-Calpe, 1962.


Artigos científicos


BLÁZQUEZ, José María. "La conquista romana de Hispania y su impacto cultural". Revista de Historia Antigua, Madrid, v. 8, n. 2, p. 135-162, 1995.


Fontes antigas


TITO LÍVIO. Ab Urbe Condita (História de Roma). Trad. Manuel Rabelo. São Paulo: Editora Unesp, 2015.

APPIANO. Historia Romana: Ibérica. Trad. Antonio Ramírez de Verger. Madrid: Alianza Editorial, 2000.



A PRESENÇA JUDAICA NA PENÍNSULA IBÉRICA


A Bíblia menciona, de forma indireta e profética, a presença judaica em terras distantes, o que pode incluir a Península Ibérica. Vamos analisar os versículos mencionados:

1. Zacarias 12:7 – "O Senhor salvará primeiro as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não se exaltem sobre Judá."

Esse versículo trata da restauração de Judá e da proteção divina sobre o povo judeu. Alguns intérpretes sugerem que isso inclui a recuperação dos exilados em diversas partes do mundo.

2. Obadias 1:20 – "Os exilados deste exército dos filhos de Israel, que estão entre os cananeus até Sarepta, e os exilados de Jerusalém, que estão em Sefarad, possuirão as cidades do sul."

O termo "Sefarad" tem sido tradicionalmente identificado com a Península Ibérica. Isso sugere que judeus exilados já estavam presentes lá em tempos antigos.

3. Romanos 15:24-28 – O apóstolo Paulo menciona seu desejo de viajar para a Espanha (provavelmente a Península Ibérica) e que os cristãos de Jerusalém estavam enviando contribuições para os necessitados.

Isso indica que havia conhecimento sobre a presença de comunidades judaicas naquela região.

A Dispersão Judaica para a Península Ibérica (a.C. – 70 d.C.)

A tradição judaica e fontes históricas indicam que judeus chegaram à Península Ibérica em diferentes períodos antes da destruição do Segundo Templo (70 d.C.):

1. Comerciantes Fenícios e a presença judaica primitiva

A tradição sugere que judeus podem ter chegado à Península Ibérica junto com os fenícios, que fundaram colônias como Cádiz (Gades) por volta do século IX a.C.

2. Exílio Assírio e Babilônico

Após a destruição do Reino de Israel pelos assírios (722 a.C.) e do Reino de Judá pelos babilônios (586 a.C.), parte dos exilados pode ter migrado para o Ocidente, incluindo a Península Ibérica.

3. Influência Romana e a diáspora antes de 70 d.C.

Durante a ocupação romana, os judeus foram levados como escravos e muitos se estabeleceram na Hispânia. Escritos romanos indicam a presença judaica antes da destruição do Templo.

Fontes Judaicas sobre a Dispersão para Sefarad (Espanha/Ibéria)

1. O Talmude e os Midrashim – Mencionam a existência de judeus em Sefarad como parte da diáspora.

2. Josefo (século I d.C.) – Fala sobre judeus espalhados pelo Império Romano, o que inclui Hispânia.

3. Maimônides (século XII) – Refere-se à tradição judaica que associa Sefarad à Península Ibérica.

A presença judaica na Península Ibérica se fortaleceu após a destruição do Segundo Templo, com refugiados de Jerusalém se estabelecendo em várias cidades. Essa presença se manteve até a expulsão dos judeus em 1492.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 



BÍBLIA. Antigo e Novo Testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011.

JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Tradução de Vicente Pedroso. São Paulo: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2004.

MAIMÔNIDES, Moisés. Carta aos Judeus do Iêmen. Tradução de Abraham S. H. Halperin. São Paulo: Sefer, 2010.

TALMUDE BABILÔNICO. Tratado Meguilá 6a. Tradução e comentário de Adin Steinsaltz. São Paulo: Sefer, 2002.

MIDRASH RABÁ. Comentários sobre Obadias 1:20. Tradução de Jacob Neusner. Jerusalém: Mossad Harav Kook, 1998.



A TERRA SANTA DESDE O IMPÉRIO BIZANTINO ATÉ A CRIAÇÃO DE ISRAEL


Aqui está uma cronologia dos reinos e impérios que dominaram a Terra Santa (região de Israel/Palestina) desde o domínio bizantino até a criação do Estado de Israel em 1948:


1. Império Bizantino (324–638)

Após a divisão do Império Romano, a Terra Santa ficou sob controle do Império Bizantino (Império Romano do Oriente).

O cristianismo tornou-se a religião oficial e várias igrejas foram construídas, incluindo a Igreja do Santo Sepulcro.

2. Califado Rashidun (638–661)

Em 638, os exércitos muçulmanos liderados pelo califa Omar conquistaram Jerusalém dos bizantinos.

O Islã se tornou a religião dominante, mas cristãos e judeus foram reconhecidos como "povos do livro" e tiveram liberdade religiosa sob a condição de pagamento do jizya (imposto).

3. Califado Omíada (661–750)

A dinastia Omíada governou a região a partir de Damasco.

Construção do Domo da Rocha (691) em Jerusalém.

4. Califado Abássida (750–969)

Transferência do centro do poder para Bagdá.

A influência da Terra Santa diminuiu dentro do império, mas continuou sendo um centro religioso.

5. Dinastia Fatímida (969–1099)

Os fatímidas, um califado xiita do Egito, tomaram a região dos abássidas.

Em 1009, o califa Al-Hakim ordenou a destruição da Igreja do Santo Sepulcro, causando grande indignação cristã.

6. Reino Cruzado de Jerusalém (1099–1187)

Durante a Primeira Cruzada, os cruzados capturaram Jerusalém e estabeleceram um reino cristão.

A região foi dividida em feudos cristãos, e a Igreja Católica dominou as instituições.

7. Império Aiúbida (1187–1260)

Em 1187, Saladino derrotou os cruzados na Batalha de Hattin e reconquistou Jerusalém.

Os cristãos mantiveram presença em algumas cidades costeiras até 1291.

8. Império Mameluco (1260–1517)

Os mamelucos, originários do Egito, derrotaram os mongóis e consolidaram o controle sobre a região.

Eles mantiveram a Terra Santa sob administração islâmica, restaurando edifícios religiosos.

9. Império Otomano (1517–1917)

Em 1517, os otomanos conquistaram a região e governaram por 400 anos.

Durante esse tempo, a região foi relativamente pacífica e tolerante em relação às diferentes religiões.

No final do século XIX, ocorreu o aumento da imigração judaica com o Movimento Sionista.

10. Mandato Britânico da Palestina (1917–1948)

Após a Primeira Guerra Mundial, os britânicos tomaram a região dos otomanos.

Em 1917, a Declaração Balfour apoiou a criação de um "lar nacional judeu" na Palestina.

Conflitos entre árabes e judeus aumentaram à medida que a imigração judaica crescia.

11. Criação do Estado de Israel (1948)

Em 14 de maio de 1948, após a retirada britânica e a aprovação do Plano de Partilha da ONU, Israel foi declarado um Estado independente.

Isso levou à Guerra Árabe-Israelense de 1948, pois países árabes vizinhos rejeitaram a criação do novo Estado.

Essa linha do tempo mostra como a Terra Santa passou por uma sucessão de impérios e influências até a fundação do moderno Estado de Israel.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: Uma Cidade, Três Religiões. Companhia das Letras, 2001.

HOURANI, Albert. Uma História dos Povos Árabes. Companhia das Letras, 1994.

LEWIS, Bernard. Os Árabes na História. Zahar, 2003.

GILBERT, Martin. A História de Israel. Imago, 1999.

SCHAMA, Simon. A História dos Judeus: Encontrando as Palavras (1000 a.C. – 1492 d.C.). Companhia das Letras, 2015.

GOLAN, Matti. The Road to Jerusalem: Glubb Pasha, Palestine and the Jews. Praeger, 1973.

LAPIDOTH, Ruth. Jerusalem: Some Legal Aspects. The Hebrew University of Jerusalem, 1994.

Fontes Online:

Biblioteca Virtual Judaica: www.jewishvirtuallibrary.org

Enciclopédia Britânica: www.britannica.com

Arquivo de História da Universidade Hebraica de Jerusalém: www.huji.ac.il



O REINO DE JUDÁ MAIS DURADOURO


Os reis de Judá antes de Cristo, incluindo Davi e Salomão, governaram desde o período da monarquia unificada de Israel até a queda de Judá diante da Babilônia. Aqui está a sequência:


Reino Unificado de Israel (antes da divisão)


1. Saul (c. 1047–1010 a.C.) – Primeiro rei de Israel, da tribo de Benjamim.

2. Davi (c. 1010–970 a.C.) – Estabeleceu Jerusalém como capital e consolidou o reino.

3. Salomão (c. 970–931 a.C.) – Construiu o Templo de Jerusalém e governou com grande esplendor, mas impôs tributos pesados, o que levou ao descontentamento popular.


Cisma das Tribos (Divisão do Reino, c. 931 a.C.)


Após a morte de Salomão, seu filho Roboão assumiu o trono. No entanto, devido ao seu governo opressor, as dez tribos do norte se revoltaram e formaram o Reino de Israel sob Jeroboão I. Apenas as tribos de Judá e Benjamim permaneceram fiéis à Casa de Davi, formando o Reino de Judá, com capital em Jerusalém.


Reis do Reino de Judá (931–586 a.C.)


4. Roboão (931–913 a.C.) – Seu governo causou a divisão do reino.

5. Abias (913–911 a.C.) – Continuou em conflito com Israel.

6. Asa (911–870 a.C.) – Reformador religioso, combateu a idolatria.

7. Josafá (870–848 a.C.) – Fez alianças com Israel e fortaleceu Judá.

8. Jorão (848–841 a.C.) – Casou-se com a filha de Acabe (Israel) e promoveu idolatria.

9. Acazias (841 a.C.) – Governou apenas um ano; influenciado por sua mãe, Atalia.

10. Atalia (841–835 a.C.) – Única rainha de Judá, usurpou o trono e tentou eliminar a linhagem davídica.

11. Joás (835–796 a.C.) – Sobreviveu à perseguição de Atalia e restaurou o culto a Deus.

12. Amazias (796–767 a.C.) – Guerreou contra Edom, mas foi derrotado por Israel.

13. Uzias (Azarias) (767–740 a.C.) – Reinou por muitos anos e fortaleceu Judá, mas foi atingido por lepra.

14. Jotão (740–732 a.C.) – Continuou as reformas de Uzias.

15. Acaz (732–716 a.C.) – Fez alianças com a Assíria e promoveu idolatria.

16. Ezequias (716–687 a.C.) – Fez reformas religiosas e resistiu aos assírios.

17. Manassés (687–643 a.C.) – Um dos piores reis, promoveu idolatria, mas se arrependeu no final.

18. Amom (643–641 a.C.) – Reinou pouco e foi assassinado.

19. Josias (641–609 a.C.) – Promoveu grandes reformas religiosas e redescobriu a Lei de Moisés.

20. Jeoacaz (609 a.C.) – Governou por apenas três meses, deposto pelo Egito.

21. Jeoaquim (609–598 a.C.) – Vassalo da Babilônia, mas depois se rebelou.

22. Joaquim (598–597 a.C.) – Governou por três meses e foi levado cativo para Babilônia.

23. Zedequias (597–586 a.C.) – Último rei de Judá; se rebelou contra Babilônia, resultando na destruição de Jerusalém e do Templo (586 a.C.).


Fim do Reino de Judá (586 a.C.)

O rei Nabucodonosor II, da Babilônia, conquistou Jerusalém, destruiu o Templo e exilou os judeus na Babilônia, encerrando a monarquia de Judá.

No Reino de Judá os levitas tinham uma presença especial devido ao Templo em Jerusalém. Vamos esclarecer como as tribos se distribuíram após a divisão do reino:


1. O Reino de Judá e Suas Tribos

O Reino de Judá era formado principalmente por:

Tribo de Judá – A maior e mais influente, forneceu a linhagem real da Casa de Davi.

Tribo de Benjamim – Pequena, mas permaneceu leal a Judá. Jerusalém ficava na fronteira entre Judá e Benjamim.

Levitas – Não tinham território próprio, mas muitos sacerdotes e levitas permaneceram em Judá para servir no Templo de Jerusalém.

2. O Reino de Israel e Suas Tribos

O Reino do Norte, Israel, incluía as outras dez tribos:

Efraim e Manassés – Filhos de José, formavam o coração do reino. Efraim tinha grande influência política.

Dã, Aser, Zebulom, Naftali, Issacar, Rúben, Simeão e Gade – Distribuídas pelo território do norte e leste.

3. O Destino dos Levitas

Os levitas estavam espalhados por todas as tribos, pois foram designados para o serviço religioso. No entanto, após a cisma:

Muitos levitas e sacerdotes que seguiam a Lei de Moisés deixaram Israel e se mudaram para Judá, pois Jeroboão I, rei de Israel, instituiu cultos em Betel e Dã para afastar o povo do Templo de Jerusalém (2 Crônicas 11:13-17).

Outros levitas permaneceram no Reino de Israel, mas perderam influência religiosa.


Conclusão


O Reino de Judá era composto oficialmente por Judá, Benjamim e parte dos levitas. A tribo de Efraim ficou no Reino de Israel e teve grande liderança política. O Templo de Jerusalém manteve a centralidade religiosa para os levitas fiéis a Deus, mas a maioria das tribos do norte se afastou do culto oficial.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 



1 e 2 Samuel – Relatam a monarquia de Saul, Davi e Salomão.

1 e 2 Reis – Descrevem a divisão do reino e os reis de Judá e Israel.

1 e 2 Crônicas – Enfatizam a linhagem davídica e os eventos do Reino de Judá.

BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Almeida Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011.

BRIGHT, John. História de Israel. 5. ed. São Paulo: Paulus, 2003.

MERRILL, Eugene H. Uma História de Israel: Do Êxodo ao Exílio. São Paulo: Vida Nova, 2001.

FINKELSTEIN, Israel; SILBERMAN, Neil Asher. A Bíblia Desenterrada: A Nova Visão da Arqueologia sobre a Origem de Israel e seus Textos Sagrados. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.